Capítulo 49: O peso do ar invisível

2007 Words

A euforia pós-primeiro-encontro foi um estado de graça e extrema alegria. Durante dois dias, Gabriel e Lara flutuaram numa bolha de possibilidade, revivendo cada partilha, cada silêncio carregado, cada lampejo de conexão genuína. O mundo exterior parecia ter perdido a sua aspereza, amortecido pelo calor do círculo imperfeito. Até que a bolha rebentou. Foi numa manhã de terça-feira, no supermercado. Lara estava na fila do caixa, absorta na contemplação de um pacote de massa, quando uma voz familiar, suave como veludo e afiada como aço, cortou o ar. — Lara, querida. Há quanto tempo. Era Rosa Ferreira. Não era uma inimiga. Era pior: era a guardiã das péssimas tradições, uma mulher cuja vida foi dedicada a servir a igreja com uma fidelidade inquestionável à instituição. Viúva de um dos fund

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