Capítulo 21

946 Words
Ele não se virou. O silêncio da noite se esticou, pesado, apenas com o som distante dos grilos. Débora ficou parada na porta de vidro, os pés descalços gelando na pedra. O cheiro de jasmim do jardim a envolveu, misturado ao cheiro fraco de uísque que vinha dele. — O que você quer? — A voz dela saiu mais trêmula do que ela pretendia. Então, ele se virou. Lentamente. A lua estava cheia, e o pátio, banhado por uma luz azulada e fantasmagórica. Ela o tinha visto no caos do jantar, na luz artificial da biblioteca. Mas aqui, na escuridão, ele era diferente. Leo parecia esculpido das próprias sombras. A camiseta preta de algodão colava em seus ombros e peito, insinuando os músculos que ela sabia que existiam por baixo. A barba por fazer, que de dia parecia apenas desleixada, à noite lhe dava um ar perigoso, selvagem. A luz da lua capturou o brilho em seus olhos verdes, e eles a percorreram de cima a baixo. Fixaram-se em sua boca. O nojo estava lá, um nó frio em seu estômago. Mas, por baixo dele, algo mais quente e traiçoeiro se agitava. Uma pulsação baixa, uma consciência aguda de como ele era grande, de como ele a olhava como se ela fosse a única coisa viva no jardim. — Parabéns — disse ele, a voz um ronronar baixo. — O quê? — Pela sua atuação — ele deu um passo para longe da balaustrada, vindo em direção a ela. — “A culpa é sua!” — ele imitou a voz dela, um escárnio suave. — Foi convincente. Eu quase acreditei. Ela recuou, mas a moldura da porta bloqueou sua fuga. Ele parou a um metro dela. — Eu não fiz isso por você. Eu fiz por... — ...por você — ele completou. — Eu sei. Você protegeu sua mentira. E ao proteger a sua, protegeu a minha. Agora, estamos juntos nisso. A forma como ele disse "juntos" fez a pele dela se arrepiar. — Eu não estou junto com você em nada — ela sibilou. — Não? — Ele riu, um som baixo, cheio de intenções pecaminosas. Ele deu mais um passo. Ela estava presa agora, encurralada entre a porta e o corpo dele. Ele levantou a mão, e ela se encolheu, mas ele não a tocou. Ele apenas traçou a moldura da porta, ao lado da cabeça dela. Estava tão perto que ela podia sentir o calor que irradiava dele. — Você mentiu para o seu irmão. Você gritou com ele. Você o expulsou — ele sussurrou, e o hálito quente cheirava a uísque. — Você me protegeu, Débora. Você me escolheu. — Eu não... — Shh — o dedo dele agora tocou seus lábios, silenciando-a. O toque foi leve, mas foi como uma marca de ferro. — Você odeia que eu esteja certo. Odeia que seu irmão esteja errado. E odeia, mais do que tudo... — Ele se inclinou, e sua boca roçou a orelha dela. — ...que você gostou. — Eu não gostei — ela ofegou, mas seu corpo a traía. Onde o dedo dele tocou seus lábios, a pele formigava. Onde o corpo dele pairava perto do dela, ela sentia um calor que a fazia se sentir fraca. — Você gostou do beijo. Você gostou do toque. E você amou o poder que sentiu ao mentir para o seu irmão — ele se afastou o suficiente para olhá-la nos olhos. O verde era hipnótico. — Você é como eu. — Eu não sou como você! — Prove. A palavra caiu entre eles. Não era uma ameaça sobre Tiago. Era um desafio. Um teste. O nojo e o desejo travaram uma guerra brutal dentro dela. Ela olhou para a boca dele, para a curva dos lábios que a beijaram, para a sombra da barba. Ela o odiava. E o queria. Queria que ele a corrompesse completamente, para que essa luta interna finalmente acabasse. O silêncio era sua resposta. O fato de ela não ter fugido. O sorriso dele foi lento, vitorioso. Ele sabia que tinha vencido. — Ajoelha. O comando foi baixo, quase casual, mas carregado de um peso absoluto. Débora parou de respirar. O mundo inteiro pareceu parar. O nojo gritou. A curiosidade perversa, a fome que ele havia despertado nela, sussurrou. E se ela obedecesse? E se ela se rendesse apenas aquela vez? Ela olhou para ele, para o poder nu em seu rosto. E, lentamente, como se estivesse em um transe, ela dobrou os joelhos. A pedra fria da varanda tocou sua pele. Ela estava de joelhos diante dele, na escuridão. Ela ouviu o som suave de tecido, o zíper da sua calça. Seus olhos, agora acostumados à escuridão, se arregalaram. A promessa do que ela viu na sala de cinema, o que ela viu diante dos seus olhos no quarto, estava ali novamente, plenamente revelado à luz da lua. Apenas para ela. Grande, ereto, pulsando com poder. Era impressionante. Aterrorizante. E ela estava hipnotizada. Ele não disse nada. Apenas esperou. A mão dele veio para o seu cabelo, não com violência, mas com posse, os dedos se emaranhando nos fios em sua nuca. Ela hesitou. A última barreira. O rosto da sua mãe brilhou em sua mente. O nojo voltou, ameaçando engasgá-la. Mas então, um pensamento perverso e salvador atravessou sua mente. Ela olhou mais de perto. Ele estava limpo. Perfeitamente limpo. Um alívio doentio a inundou, tão potente que quase a fez sorrir. Ele não tinha estado com a mãe dela esta noite. Ela não provaria o gosto da própria mãe. Com esse pensamento, ela se inclinou para frente e tomou o p*u dele em sua boca.
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