O toque dos lábios dele foi um choque. Um contato que paralisou o mundo. A mente de Débora gritou. Não. Para. É o namorado da sua mãe. Mas seu corpo, seu corpo traidor, permaneceu imóvel, encurralado contra a estante de mogno.
O toque do polegar dele em sua bochecha ainda queimava, e agora seus lábios estavam selando aquela promessa obscura.
Não foi um beijo suave. Não foi o beijo que ela o viu dar em Letícia, cheio de sedução performática. Este foi diferente. Era possessivo. Lento, mas profundo, como se ele estivesse testando seus limites, provando seu sabor.
Era um beijo que não pedia permissão, apenas tomava. Havia uma pergunta silenciosa nele, uma afirmação de poder que a fez se sentir completamente exposta.
Era errado em todos os níveis. Era nojento, era uma traição, era doentio. E, para o seu absoluto horror, uma parte dela não recuou. Uma corrente elétrica, a mesma que ela sentiu ao espiá-lo, correu por sua espinha.
O cheiro dele - uísque, livros antigos da biblioteca e algo unicamente masculino - a envolveu, e seu corpo, já condicionado por ele, amoleceu contra a sua vontade.
A mão dele, que estava em seu rosto, deslizou para sua nuca, os dedos se entrelaçando em seu cabelo, segurando-a no lugar, não com força, mas com uma firmeza que deixava claro que ele estava no comando.
O beijo durou uma eternidade e um segundo. Quando Leo finalmente se afastou, foi apenas o suficiente para olhá-la nos olhos. A respiração de Débora estava presa, o peito arfando. Os olhos dele, verdes e intensos, vasculharam os dela, lendo a confusão, a raiva e, pior de tudo, a faísca de resposta que ela não conseguiu esconder.
Ele sorriu. Não o sorriso de escárnio, mas algo mais íntimo, mais perigoso. Um sorriso de cumplicidade.
— Esse é o nosso primeiro segredo — ele sussurrou, a voz grave ecoando no silêncio da biblioteca. — Só nosso.