Capítulo 4

785 Words
— Bom dia, amor — disse Letícia Viana, erguendo os olhos para a filha. — Dormiu bem? Débora forçou um sorriso ao se sentar na ponta oposta da mesa. — Dormi, sim, mãe. Como o anjinho que eu sou. — Meu anjinho mesmo — sua mãe sorriu, achando que ela estava de bom humor. — Tem planos para hoje? — Nada de especial — respondeu, sem demonstrar hesitação. Enquanto isso, Léo a observava em silêncio. O olhar dele era direto demais, intenso demais. Ele não tinha dito nada, Débora conhecia sua mãe bem o bastante para saber que já teria sido confrontada antes mesmo de se sentar. A mulher daria alguma explicação por ter transado com ele na sala de cinema sem nenhum pudor e de alguma forma transferiria a culpa de ter visto a cena picante para a filha. Como isso não aconteceu, a conclusão era óbvia, ele tinha ficado calado... Então ele de fato tinha metido mais forte quando a viu espiando. Angélica não estava de toda errada, aquele homem era a p***a de um exibicionista. E ele permaneceu olhando para ela por segundos demais até voltar a olhar para a sua mãe. Débora também desviou a atenção, mordiscando um pedaço de pão para disfarçar o incômodo. Alguns minutos se passaram, a conversa girando em torno de banalidades até que Letícia se levantou, seu celular tocando de forma estridente, ameaçando dar uma dor de cabeça em Débora. — Preciso atender, meu bem, são os negócios da empresa — a mãe se ergueu, ajeitando a saia do vestido e se dirigindo para a porta lateral. — Não demoro. Antigamente, essa fala seria para filha, mas agora Letícia tinha dito para o namorado. Uma pontinha de ciúmes acertou o peito de Débora. O silêncio que se seguiu pareceu tão pesado quanto uma lápide de alguém importante. Débora manteve os olhos fixos no prato, mas sentia o olhar de Léo queimando sua pele. Se fosse possível, sua roupa já teria pegado fogo e ela estaria nua diante dele... — Eu sei que você viu — disse o homem, sem rodeios. Sua voz era baixa, grave e séria, quase um sussurro que apenas ela podia ouvir. Débora congelou. A faca que segurava escapou de sua mão e bateu contra o prato, produzindo um som metálico. — E então? — Leo se inclinou levemente para a frente, os cotovelos apoiados na mesa. — Gostou do que viu, não foi? O coração dela disparou. Engoliu em seco, mas não conseguiu articular nenhuma resposta. A garganta parecia se fechar, tomada por uma vergonha avassaladora. Uma sensação de culpa que poderia afundá-la no chão, direto para o inferno. Ele riu baixinho, satisfeito com o efeito que causava. — Sua mãe é bem fogosa — continuou, um brilho malicioso nos olhos. — Poucas aguentaram meu garotão por inteiro, nos três buracos. Débora engoliu em seco, tentando manter a mente vazia, todavia, ela já trabalhava. Os gemidos, o barulho do impacto... ela se viu se excitando contra a própria vontade. — Você quer ver de novo, não é? — Leo indagou, como se já tivesse certeza da resposta. Quando ela não disse nada, ele prosseguiu: — Não precisa responder, mas eu te garanto uma coisa, meu bem, o espetáculo de hoje vai ser ainda melhor. Débora o encarou, atônita, pensando em xingá-lo ou desafiá-lo, mas não conseguiu. Aquela voz sensual e os olhos verdes irresistíveis... a desarmaram de uma forma que ninguém conseguiu antes. Tirou até algo que ela dominava com maestria, que era as suas palavras. — No quarto da sua mãe — completou ele, em tom firme e provocador. Uma corrente elétrica percorreu o corpo da jovem, um misto de choque e incredulidade, quase palpável. Leo reagiu como se tivesse visto, como se lesse a mente tempestuosa dela, então piscou, num gesto lento e confiante, como quem já tinha certeza de que tinha controle das decisões alheias. — A porta ficará aberta — disse ele, antes de se recostar na cadeira como se nada tivesse acontecido. O silêncio voltou a dominar a sala, mas agora pulsava com uma tensão quase insuportável. Débora manteve os olhos fixos na xícara de café à sua frente, tentando ignorar o peso daquela promessa obscura que pairava no ar. Segundos depois, Letícia voltou e estranhou a situação. — Vocês vão quebrar esse gelo quando, heim? — Indagou, o celular na mão, mas a chamada finalizada. — Com essa cara de fome e não querem comer nada? Se deixarem, eu como tudo sozinha. — Eu já estou satisfeito — disse Leo. — Vou comer muito melhor mais tarde. Débora sentiu a provocação na sua alma, os arrepios atravessaram todo o seu corpo. O que ela faria agora?
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