Capítulo 27

850 Words
Lutar era inútil. Ela sabia disso. A raiva, o nojo, a hesitação - tudo era apenas um teatro que ela fazia para si mesma. A verdade era que a coleira já estava em seu pescoço, e ele a estava puxando. Como um autômato, movida por uma força que era parte repulsa e parte uma curiosidade doentia e faminta, Débora caminhou até a porta. O clique da chave sendo girada soou como uma sentença de morte. O corredor estava escuro, silencioso, exceto pelo som da chuva batendo nas janelas. Seus pés descalços m*l faziam barulho no mármore. Ela não sentia o frio. Lá estava. A porta do quarto de sua mãe. Entreaberta, como ele prometeu. Uma fresta de luz âmbar vazava, junto com sons abafados. Um suspiro. O rangido baixo e rítmico da cama. Ela se aproximou, o coração batendo um ritmo pesado e lento em seu peito. E olhou. A cena era ainda mais crua do que a foto. Sua mãe estava de costas para a porta, os sons que escapavam dela eram uma mistura de dor e prazer. Leo estava atrás dela, o corpo movendo-se com um poder controlado, os músculos das costas tensos. E ele a viu. No meio de um impulso, os olhos dele encontraram os dela através da fresta. Ele não parou. Ele nem mesmo vacilou. Ele a encarou diretamente, mantendo o ritmo, como se dissesse: Sim. Olhe. Foi para isso que você veio. Débora não conseguiu desviar o olhar. A visão era hipnótica, nojenta e terrivelmente excitante. O p@u dele sumia com facilidade na b****a da Letícia, preenchendo-a toda. Os grandes lábios da v****a dela agarrando e seguindo toda a circunferência do m****o dele, entrando e saindo de forma incansável. Ela odiava sua mãe por estar ali, entregando-se como uma vadi@. Mas odiava mais a si mesma por assistir. Então, como da primeira vez, ele parou. O movimento cessou. — O que foi, amor? — A voz de Letícia veio, ofegante, drogada de prazer. — Um momento — a voz de Leo era calma, controlada, embora sua respiração estivesse pesada. — Preciso de mais lubrificante. Débora sabia o que estava vindo. Ela deveria ter fugido. Mas desta vez, seus pés estavam pregados no chão. Ela não era mais uma espectadora acidental. Ela era uma convidada. Ele se afastou de Letícia, a venda em seus olhos, e caminhou até a porta. Ele não a abriu mais, apenas parou na fresta, o corpo bloqueando a luz, a silhueta imponente. Ele a encarou na escuridão do corredor. Não houve desafio desta vez. Não houve ordem. Apenas um silêncio de expectativa. Ele sabia por que ela estava ali. Ele se expôs para ela. O p@u muito bem lubrificado pela própria Letícia, um brilho vermelho e cheio de veias. Se ele fosse um deus grego, ela não teve dúvida nenhuma de onde nasceriam seus raios. Débora, em um ato final de aniquilação da sua própria alma, ajoelhou-se. O mármore era frio, mas ela não sentiu. Ela se inclinou para frente. E beijou a cabeça do mastro dele. Devagar, ele foi entrando facilmente em sua boca. O gosto. Foi um choque elétrico. Era ele, mas misturado com ela. Com sua mãe. O perfume, o sabor... era uma profanação tão íntima, tão completa, que fez seus olhos se encherem de lágrimas. Era a coisa mais nojenta que ela já tinha feito. Mas ela não parou. Chupou o p@u dele com força, o abdômen trincado dele logo acima, mas se esforçando para não fazer barulho. Quando ele a afastou, ela estava sem fôlego. Leo a olhou de cima a baixo, um brilho de triunfo sombrio em seus olhos. Ele não disse nada. Apenas se virou, voltou para a cama, e o ritmo recomeçou, mais forte e mais rápido do que antes. Letícia gemendo imediatamente, louca de prazer, alheia ao que seu namorado e filha tinham acabado de fazer. Débora deveria ter ido embora. Deveria ter corrido para o seu quarto, se trancado e vomitado até não sobrar nada. Mas ela ficou. Ela se encostou na parede do corredor, ao lado da porta, e continuou ouvindo. Os sons ficaram mais altos, mais desesperados. Os gemidos da sua mãe, os grunhidos de esforço dele. A cena se desenrolava em sua mente, agora manchada por sua própria participação. O nojo e a excitação se fundiram em um veneno potente. A mão dela, trêmula, deslizou pela própria barriga, descendo. Ela se tocou ali mesmo, no corredor escuro, ouvindo o namorado da sua mãe possuí-la no quarto ao lado. A vergonha era um combustível, a depravação era o fogo. O prazer foi rápido, violento e silencioso, um espasmo que a roubou de todo o ar. E assim que o tremor passou, a realidade a atingiu como uma avalanche. O que ela tinha feito? O som do orgasmo da sua mãe ecoou pela porta. Débora se levantou de um salto, a culpa a sufocando. Ela correu de volta para seu quarto, as lágrimas finalmente escorrendo, quentes e amargas. Ela bateu a porta e girou a chave, trancando-se com seu segredo sujo. Ela estava quebrada. E não havia mais volta.
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