O ar em seus pulmões pareceu evaporar. Ela sabia o que era. Era a coleira dele. Um lembrete de que, mesmo trancada em seu quarto, ela não estava segura. Ele podia alcançá-la a qualquer momento.
A mão dela, pálida na penumbra do quarto, moveu-se com a relutância de quem toca em algo amaldiçoado. Ela pegou o aparelho, a tela iluminando seu rosto com uma luz fria.
Era ele. O número desconhecido.
Uma nova mensagem de mídia.
Seu polegar tremeu sobre o ícone de "baixar". Ela não queria. Ela deveria jogar o celular contra a parede, quebrá-lo em mil pedaços, correr até o quarto vazio de Tiago e esperar que ele voltasse.
Mas ela apertou.
A imagem carregou. O estômago de Débora despencou, e uma onda de bile quente subiu por sua garganta.
Não era como a primeira foto, a da lingerie e da venda, que tinha um ar teatral, quase posado. Esta era crua. Próxima. Nojenta.
Eram os s***s de sua mãe. Fartos, brilhando, cobertos por uma camada de suor ou óleo. E entre eles, inconfundível, o m****o de Leo. Vermelho, pulsante, exatamente como ela se lembrava daquela noite na varanda.
Mas essa não foi a pior parte.
A pior parte foi o rosto da sua mãe. A foto foi tirada de um ângulo que a pegava olhando diretamente para a câmera. E ela estava sorrindo, deliciando-se com o que estavam fazendo.
Não era um sorriso de amor. Era um sorriso nebuloso, satisfeito, os olhos vidrados de prazer, direcionado inteiramente ao homem que segurava a câmera.
Era um momento de total confiança íntima dela. Ela estava sorrindo para ele, no meio do ato, sem fazer ideia de onde aquela imagem iria parar.
Seu mundo, que já estava inclinado, agora virou de cabeça para baixo. Leo não estava apenas corrompendo a filha. Ele estava traindo a mãe.
Ele pegou um momento que Letícia confiou a ele, um registro da i********e deles, e o usou como uma arma contra Débora. A depravação era só dele, dupla e ainda mais doentia.
O celular vibrou de novo, uma nova mensagem de texto aparecendo logo abaixo da foto profana.
"O espetáculo está prestes a começar."
O ar saiu dos pulmões de Débora num soluço.
"Sua mãe está particularmente... animada esta noite."
O vômito subiu, e ela teve que engolir, o gosto amargo queimando sua garganta. Ela queria gritar. Queria chorar.
Então, a mensagem final apareceu. A ordem.
"Porta aberta. Venha."
Débora soltou o celular como se ele estivesse em chamas. O aparelho caiu na cama, a tela para cima, a imagem grotesca da sua mãe e Leo brilhando no quarto escuro.
Ela recuou, tropeçando no próprio tapete.
— Não... não, não, não...
Ela balançou a cabeça, as mãos nos cabelos, puxando-os. Ela não era mais aquela garota. A noite na varanda tinha sido um erro, um momento de fraqueza, de luto, de confusão. Ela não era esse monstro. Ela não iria.
Ela olhou para a sua porta. Trancada. Segura.
Mas o convite estava feito. A imagem em sua cama pulsava, chamando-a. O nojo que sentia era avassalador, mas por baixo dele, aquela coceira doentia, aquela curiosidade que a havia levado até a varanda, começou a arranhar.
Ele estava com ela. Agora. Provando-a.
E ele a queria lá. Queria que ela assistisse.
Débora ficou parada no meio do quarto, tremendo. A batalha dentro da sua cabeça era ensurdecedora. Ela se odiava por hesitar. Odiava-o por saber que ela hesitaria. E odiava sua mãe por cair na atração daquele homem.
Ela encarou o trinco da sua própria porta, sabendo, com uma certeza fria e terrível, que a luta já estava perdida.