Débora ficou paralisada, as pernas como gelatina, os dedos ainda cravados no cabelo dele. O eco do prazer roubado a deixou tonta, a respiração presa na garganta. Ele não se moveu por um longo segundo, como se estivesse provando o sabor da sua vitória.
Então, lentamente, ele se afastou.
Leo se levantou com uma fluidez calma, sem pressa, como se tivessem todo o tempo do mundo. Ele ajeitou a própria roupa, o zíper subindo com um som baixo e definitivo.
Ela permaneceu ali, semi-nua na varanda, tremendo sob o luar frio, exposta de uma forma que ia muito além da pele. Ele a olhou, os olhos verdes varrendo seu corpo trêmulo, seu robe aberto, a calcinha ainda de lado. Não havia paixão em seu olhar. Havia posse.
Ele se aproximou, e ela se encolheu por instinto.
— Você vê? — Ele sussurrou, a voz grave acariciando o ar da noite.
Ele tocou o rosto dela, o polegar traçando a linha da sua mandíbula, o mesmo gesto da biblioteca. Mas agora, não era mais uma pergunta.
Era uma afirmação.
— Não há nada de errado em querer, Débora — seus olhos fixaram-se nos dela, prendendo-a no lugar. — O único erro... é fingir que não quer.
Ela queria gritar. Queria dizer que ele a forçou, que ele a manipulou, que ela o odiava. Mas a verdade estava úmida em suas coxas e quente em sua boca. Ela não disse nada.
Ele se inclinou e a beijou.
Foi diferente de todos os outros. Não foi o beijo de teste da biblioteca, nem a saudação experiente de antes. Foi um beijo curto, seco, quase casto.
Mas foi o mais devastador de todos. Foi um beijo de propriedade. Um selo. O ponto final de uma transação que só ele entendia.
— Agora, vá para a cama — ele disse, a voz baixa, dispensando-a como se dispensa uma empregada.
A humilhação da ordem a quebrou. Foi pior do que a submissão. Ela puxou o robe, cobrindo-se desajeitadamente, as mãos tremendo tanto que m*l conseguia amarrar o cinto. Ela não conseguia olhá-lo nos olhos.
Débora se virou e fugiu.
Ela não correu, mas atravessou a biblioteca escura em passos rápidos e cegos. Não havia medo de Tiago agora, apenas uma necessidade avassaladora de se esconder, de desaparecer.
A subida das escadas foi um borrão. Seu quarto. A porta. A chave.
O clique do trinco selou o mundo lá fora.
Ela se encostou na porta, o silêncio do quarto caindo sobre ela como um caixão. O cheiro de jasmim e uísque parecia ter vindo com ela, impregnado em sua pele.
Ela caminhou até o espelho do banheiro, a luz fluorescente dura e impiedosa.
A imagem que a encarou era de uma estranha. Os olhos estavam febris, muito abertos. Os lábios, inchados e vermelhos. A pele do pescoço, marcada. Ela parecia... devorada.
Ela se sentia suja. Usada. Destruída.
Ela levou a mão à boca, lembrando-se do alívio doentio que sentiu ao perceber que ele estava limpo.
O que ela tinha feito?
Ela traiu sua mãe. Traiu a memória do seu pai. Mentiu para seu irmão. Ela tinha se ajoelhado. Tinha permitido.
Mas enquanto o nojo e a vergonha lutavam por espaço, seu corpo, seu traidor absoluto, ainda vibrava. Uma lembrança quente e pulsante entre suas pernas, um eco do toque preciso da língua dele.
A pergunta final surgiu, um sussurro venenoso no fundo da sua mente, e ela não teve como fugir da resposta.
Por que, céus, por que... aquela coisa nojenta, errada e absolutamente proibida... tinha sido tão incrivelmente boa?