Capítulo 6

964 Words
Débora voltou para casa após passar a tarde com as amigas novamente. Perguntava-se se tinha sido uma boa ideia permanecer naquele ambiente, porém se manteve firme quando passou pela porta. Aquele era o seu lar e tinha boas memórias da sua família toda unida para manter. Passando pela sala de estar, parou ao lado da porta semiaberta. A cena diante dos seus olhos fez sua respiração ficar presa no peito por alguns segundos. Letícia Viana estava no sofá, os sapatos já largados no chão, um vestido leve marcando o corpo de curvas voluptuosas. Ao lado dela, Leo, descontraído, segurava uma taça de vinho tinto. A garrafa descansava sobre a mesa de centro, seu conteúdo já caindo pela metade. — Eu falei que você ia gostar desse — Leo Monteverde comentou, erguendo a taça para brindar. — Tanto que não ia mais querer parar de beber. Letícia riu, com aquele riso solto que ela só tinha quando já estava um pouco alterada. Débora reconhecia, ela estava de fato bêbada, mas não tanto para não saber o que estava fazendo. — Você sempre parece saber do que eu gosto mais do que eu mesma. Um dia ainda vou descobrir onde você guarda sua bola de cristal para descobrir tudo sobre mim sem eu falar nada. — Não preciso de bola de cristal — ele respondeu, piscando. — Só preciso observar bem a pessoa e depois beijar bastante para saber seus gostos. — Me engana — a mulher riu e lhe deu um beijo acalorado. A música suave, quase um sussurro, acompanhava cada gesto dos dois, uma sonoridade que prometia se incendiar a qualquer momento. Débora observava na sombra, o peito apertado, tentando decidir se recuava ou se ficava mais, para ver onde aquela brincadeira ia parar... — Vou te confessar uma coisa, Monteverde — disse Letícia, girando o líquido rubro na taça —, fazia tempo que eu não me sentia assim... leve. Com a vida fluindo como essa bebida para dentro da minha garganta. Acho que você trouxe algo que estava faltando nessa casa. Que não tinha mesmo na época que meu marido estava vivo Essa doeu em Débora. Seu pai podia não ser o marido perfeito, mas sempre soube cuidar bem dos filhos, com os dois, ele era perfeito. Sua mãe estava sendo injusta. Leo se aproximou mais da namorada no sofá, inclinando-se casualmente. — Talvez algo estivesse dormindo dentro de você, e alguma fagulha própria reacendeu. Eu não fiz grande coisa, eu só te amei como uma mulher merece ser amada. A mãe de Débora riu de novo, mas dessa vez mais baixo, como se fosse uma promessa de um amante desesperado. — Até que você fala bonito, sabia? Mas não precisa ser poeta para enterrar o seu mastro dentro de mim. — Eu só falo a verdade — ele retrucou, dando de ombros, quase tímido. Seus olhos brilharam no reflexo das luzes suaves da sala quando ele disse: — E uma f**a romântica é melhor que uma f**a qualquer. — Nisso você acertou — disse Letícia. — De novo. Quero ver qual vai ser o recorde de quantas vezes você vai me fazer gozar dessa vez... Débora engoliu em seco ao escutar isso. O cenário era tão íntimo que parecia errado estar ali, mas algo dentro dela não permitia ir embora. Era como se estivesse presa entre a vontade de fugir e a necessidade de ver até onde aquilo iria. Sua mãe apoiou a taça na mesa e se recostou no sofá, suspirando. — Estou quase bêbada demais. Em um ponto que posso sentar em você agora mesmo ou simplesmente dormir após mais duas taças. Leo riu, colocando também sua taça sobre a mesa. A inclinação dele se aprofundou até que os rostos quase se tocassem. — Então vamos parando por aqui. Prefiro ter a senhora Viana rebolando em cima de mim antes de ter uma boa noite de sono. Por um instante, o tempo pareceu suspenso. A mão de Leo deslizou suavemente pelo braço dela, até encontrar sua cintura. Letícia não recuou; ao contrário, deixou-se envolver, aproximando ainda mais o corpo. Eles se beijaram, dessa vez o início foi suave, porém logo ganhou intensidade. A música preenchia o espaço, e o ar parecia mais pesado, carregado de uma energia que Débora não conseguia controlar dentro de si. Ela se moveu um pouco, sem querer, e a madeira do batente rangeu. O coração disparou. Mas, para sua sorte ou azar, os dois estavam tão absortos um no outro que não notaram. Leo afastou os lábios lentamente e a encarou com um sorriso seguro. — Até que esse sofá não é r**m, Viana... mas acho que podemos encontrar um lugar melhor. Letícia riu baixinho, quase cúmplice. — Você não brinca em serviço, não é? — Não quando o serviço é satisfazê-la. Ele se levantou, oferecendo a mão para ajudá-la. Letícia aceitou, levantando-se com uma leve instabilidade de quem já tinha bebido demais. Os dois riram juntos disso, e ele a segurou firme pela cintura, mãos grandes e firmes. Mãos de homem de verdade. — Vamos para o quarto — ela sugeriu, escolhendo o lugar adequado dessa vez. — O quarto parece perfeito — ele piscou para ela, um sorrisinho de lado nascendo, cafajeste. Débora se afastou rapidamente do batente, quase tropeçando, o coração por pouco não saindo pela boca. Subiu os degraus em silêncio, cada músculo do corpo em alerta. Trancou-se no seu próprio quarto antes que eles pudessem vê-la no corredor, testemunha muda de uma i********e que ela nunca deveria presenciar. Mas, mesmo com a porta fechada, o som da música e os ecos da risada da mãe ainda alcançavam seus ouvidos. Débora sabia que aquela noite também seria longa. O que ela faria quanto a proposta de Leo para ir assisti-los?
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