Capítulo 5

1052 Words
Após o café da manhã conturbado, Débora saiu da mansão com passos apressados, precisando respirar um ar diferente. O peso do que vivia dentro daquela casa parecia grudar nela, como a mochila absurdamente pesada que levava para escola quando criança. Só de sentir o vento bater em seu rosto já era um alívio. Pegou seu carro e foi direto para o centro, onde combinara de encontrar as amigas em uma cafeteria que todas gostavam. Era simples, mas tinha um clima leve e acolhedor - o suficiente para que Débora se sentisse à vontade para desabafar. Assim que chegou, viu Angélica, Bianca e Júlia já ocupando uma mesa perto da janela. O cheiro de café e bolo recém-saído do forno envolvia o ambiente. — Olha só quem apareceu! — disse Bianca, rindo, enquanto fazia sinal para ela se aproximar. — Antes tarde do que nunca né, gata? — Eu meio que me perdi no caminho. — Ah, vá! — Sério, vocês não sabem como anda minha cabeça... Angélica foi a primeira a notar o tom abatido na voz dela, como esperado da sua melhora amiga. — Vixe, aconteceu alguma coisa, amiga? Débora respirou fundo. — Você lembra que eu falei do namorado da minha mãe, o Leo? — Calma aí — pediu Júlia. — Namorado da sua mãe? Gente, que babado é esse? — Por que você não contou para gente? — Bianca pareceu muito mais interessada na conversa agora. — Desde quando está rolando? — Eu não sei — confessou Débora. — Mas ela trouxe essa bomba para nossa casa ontem, literalmente. — E essa nem é a pior parte — Angélica tomou um gole do seu café. — E qual é? — Bianca se inclinou para frente, curiosa. Débora hesitou, mas decidiu falar de uma vez, sem papas na língua: — Eu vi eles trepando na nossa sala de cinema. — c****e! — Bia exclamou. — E ele mandava bem? — c*****o — falou Angélica. — Relaxa a b****a, mulher, isso foi nojento. — Sim, credo! — Júlia concordou, fazendo uma careta. — Sua própria mãe... Isso é horrível! Você deve ter ficado traumatizada. — Exatamente isso — murmurou Débora, decidida a não falar sobre a parte que ficou excitada. Bianca, no entanto, não perdeu o humor, apenas riu de leve. — Ah, gente, vai... se o cara for gato, nem é tão r**m assim. Tem foto dele? — É claro que não. — Depois tenta me mostrar. Qualquer coisa, passa o número dele para mim, quem sabe ele não termina com ela e vem pegar uma novinha de vinte anos. — Bianca! — Angélica a repreendeu, indignada. — Como você consegue brincar com uma coisa dessas? É sério! — Calma, eu tô só tentando aliviar o clima — Bianca disse, levantando as mãos em defesa. — Mas olha, se ele for gostoso, não culpo a sua mãe. Ela é um t***o. — Eu culpo! — retrucou Júlia, cruzando os braços. — Isso é falta de respeito. Logo na casa de vocês, em um lugar que qualquer um que passasse pudesse ver e ouvir, sem nenhum pudor. Se eu fosse você, Débora, sinceramente, se mudaria logo dessa casa. Angélica aproveitou a deixa e fez a mesma proposta da noite passada: — É, meu bem, você sabe que pode ir morar comigo quando quiser. Tem espaço de sobra no meu apartamento, se quiser, a gente até divide o quarto. Débora sorriu de canto, agradecida. — Obrigada, meninas, eu não sei o que eu faria sem o apoio de vocês. — Não se preocupa, gata — disse Bianca. — Precisando estamos aqui. Se quiser separar eles... — Parou com isso — mandou Júlia. — Não faz graça que é sério. Com certeza, você ainda deve pensar no seu... — ela se calou quando percebeu que o assunto ainda poderia ser delicado. — Está tudo bem, amor — Débora assegurou. — Ainda penso muito no meu pai, sim. Talvez eu tenha sido a única que não o esqueceu... E pensando nele, eu decido que não vou deixar a minha casa. Eu sinto, sei lá, que se eu deixasse ela, seria como se eu entregasse tudo para aquele homem. Eu não sei nada sobre ele, e duvido que minha mãe o conheça bem. — Mas você vai ficar se torturando desse jeito? — perguntou Júlia, claramente preocupada. — Vai ser inevitável acabar vendo essas coisas de novo. Débora suspirou. Não tinha como falar da proposta que Leo fizera, de que ela fosse assistir ele e sua mãe aquela noite. — Eu pensei em me trancar no meu quarto — resolveu a questão, tanto para as amigas, quanto para si mesma. — Se eu não sair, não vejo nada. Bianca tomou um gole do seu café e balançou a cabeça. — Eu ainda acho que você tá exagerando. Eles são adultos, estão vivendo a vida deles. Você devia viver a sua. Sai transando com geral, começando com aquele seu ex, o Caio. — Não não não — cortou Angélica rapidamente. — Ninguém aqui vai deitar com ex. Se fizer isso, você vai apanhar de havainas de madeira, querida. — Eu não vou fazer isso — respondeu Débora, num tom mais firme. — E Bianca, você faz isso parecer tão simples, mas eu não quero conviver com essa cachorrada na minha cara. Ela falava sério, tentando se esquecer das partes em que se excitara. — E nem deveria ver essa nojeira — disse Angélica, apoiando a mão sobre a dela. — Mas se você realmente não quer sair de lá e ir para o meu ap, então se blinda. Se fecha no seu canto e deixa que eles se comam sozinhos Débora ficou em silêncio por um momento, olhando para as três. Era incrível como cada uma tinha uma visão tão diferente da situação: Júlia via um problema sério e queria que ela fugisse, Bianca fazia piada e parecia achar normal, e Angélica oferecia abrigo sem pensar duas vezes. — Eu realmente não sei o que faria sem vocês — disse, por fim. — Então está decidido. Não vou deixar a casa Viana entregue aqueles dois. As amigas fizeram um pequeno brinde por ela se manter firme e seguiram com o café da manhã. Mais tarde, Débora não sabia o que a esperava quando voltasse para casa.
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