Capítulo 3

487 Words
O quarto ainda estava meio escuro quando Débora despertou. O primeiro pensamento que lhe veio à mente não foi o novo dia, nem os compromissos da mansão, mas sim a lembrança incômoda - e ao mesmo tempo, de uma forma bem perturbadora, atraente - da noite anterior. A jovem ficou deitada por mais alguns minutos, ouvindo apenas o som do próprio coração batendo acelerado, até reunir coragem para se levantar. Com passos lentos, caminhou até as grandes janelas de vidro e puxou as cortinas pesadas. A luz dourada da manhã invadiu o cômodo, iluminando o mobiliário luxuoso e trazendo à vista os jardins aparados de maneira impecável da propriedade. A grama era um tapete verde que se estendia até onde os olhos alcançavam, cortada por canteiros de rosas e azaleias. A beleza do cenário, no entanto, não combinava com a inquietude dentro dela. Por um instante, Débora deixou que o sol aquecesse sua pele e respirou fundo, tentando se convencer de que tudo se resolveria em breve, seus pensamentos tortos e a vontade da sua mãe se sentir jovem novamente. Contudo, no fundo, sabia que não seria tão simples. A cena que tinha visto permanecia gravada em sua memória como uma tatuagem: a b***a da sua mãe fazendo o pênis de Leo desaparecer de vista, a v****a engolindo tudo até o talo. Ela apertou bem os olhos como se isso pudesse apagar a imagem. Era algo que nunca deveria ter visto, algo que deveria enojá-la - e de fato era nojento, ainda assim, um peso estranho e irresistível permanecia. Ela tinha se e******o. Tentando se distrair, voltou para dentro do quarto e entrou no seu banheiro. A água gelada do chuveiro, pois ela adorava banhos frios, principalmente após situações como essas, caiu sobre seus ombros e lavou não apenas a sua pele, mas também um pouco das sensações confusas que circulavam na sua mente. Enrolou-se na sua toalha e, ao sair, escolheu uma roupa simples: uma saia leve e uma blusa branca de tecido fino. Não queria chamar atenção, mas também não desejava parecer abatida, afinal, tinha uma reputação de menina bem vestida para manter. Quando desceu as escadas em direção ao salão de refeições, os criados já terminavam de organizar o café da manhã. A mesa estava posta com requinte: frutas frescas em cestas prateadas, pães ainda quentes, geleias caseiras e um bule de café cujo aroma se espalhava pelo ambiente, delicioso, convidando-a para se sentar e tomar quantas xícaras quisesse. Considerando o que poderia enfrentar naquela manhã, talvez precisasse do bule inteiro. Letícia Viana, impecável como sempre, já se encontrava sentada ao lado de Leo Monteverde, seu novo namorado e amante competente. Ele parecia perfeitamente à vontade, como se fosse o verdadeiro dono da casa. Conversavam em voz baixa, trocando olhares cúmplices que fizeram o estômago de Débora se revirar. Ela seguiu, por sua vez, seguiu em frente e puxou uma cadeira para se sentar.
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