Anna também não queria ir embora, mas o tempo estava passando. Se ela se atrasasse muito, chegaria ao seu apartamento de madrugada. Embora Owen parecesse não querer se mover, ela teve que fazê-lo.
Ela empurrou a cadeira um pouco para trás e os olhos dele voltaram para o rosto dela.
—Você tem que começar, não é? —perguntou Owen.
—Sim, desculpe —respondeu Anna, lamentando sinceramente.
—Claro, não se preocupe.
—Você vai ficar? —A ideia a emocionava, mas também a deixava muito nervosa. Aquele homem tinha uma força de atração que a puxava em sua direção.
—Sim... Não, não. Vou embora para que você possa trabalhar em paz —disse Owen, levantando-se.
— Bem... — A decepção era evidente em seu tom de voz.
Anna fingiu um sorriso e pegou as coisas que havia deixado junto à porta ao entrar. Mas Owen começou a sentir aquele vazio estranho no meio do peito.
— Posso mostrar uma coisa no meu escritório antes de ir embora? — perguntou ele, em voz baixa. — Claro...
— Venha.
O que ele queria mostrar? Anna o seguiu, intrigada. Owen abriu a porta do escritório, mas não acendeu as luzes. Quando Anna cruzou a soleira, ele fechou a porta com um estrondo. O movimento o deixou exatamente onde ele queria: a centímetros do corpo dela.
Ela ficou surpresa. De repente, todo o ar ao seu redor ficou carregado de eletricidade e ficou pesado. Sem perceber, sua respiração acelerou. Mais uma vez, seus pulmões se encheram com o perfume de Owen. Ela teve que apertar a mão sobre sua caixa de materiais para que ela não caísse no chão.
Owen se inclinou, perto de seu ouvido, e inspirou profundamente. Ele também queria que o aroma de biscoitos a invadisse. Sua respiração m*l tocava a pele de seu pescoço, mas foi o suficiente para que Anna ficasse com arrepios.
—Você disse que não sabia como falar com mulheres —disse ela, com a voz trêmula.
—Não... não sei. Só sei agir —respondeu Owen, rouco.
Meu Deus! Ele a cheirava como se fosse um animal procurando sua presa. Anna sentiu seu corpo quente, suas mãos suadas. Seu coração batia tão rápido que ela começou a ficar tonta.
—Não sei o que há em você que desperta o monstro que há em mim —sussurrou Owen em seu ouvido. —Há dois minutos você me deixava nervoso... agora quero beijá-la.
Anna soltou uma espécie de suspiro, mas acompanhado de algo mais. Ela afastou Owen um pouco para olhar nos olhos dele; e mesmo na escuridão ela podia ver como eles brilhavam.
De alguma forma, Anna sabia que ele carregava algo dentro de si. No entanto, isso não a assustava. Era puro magnetismo primitivo, essencial, e era o que ela queria. Ela nem mesmo entendia, apenas sentia. E foi esse magnetismo que a levou a acabar de fechar a distância entre suas bocas.
Assim que pousou os lábios nos de Owen, seu corpo se derreteu. Ele não esperou, não pensou, não queria pensar e devorou sua boca. Não foi doce, não foi paciente; foi frenético, desesperado, e Anna retribuiu o beijo da mesma forma.
Finalmente, a caixa caiu no chão e tudo se espalhou, quando ele envolveu sua cintura com as mãos. Mais uma vez, o calor atravessava o tecido. Ele tinha certeza de que era isso que causava aquela coceira nas palmas das mãos sempre que pensava nela.
Ele percorreu o caminho desde a cintura dela até abaixo dos s***s e depois pelas costas. Ele a afastou da porta para poder tocá-la e Anna não ficou para trás. Ela se pendurou em seu pescoço e entrelaçou os dedos em seus cabelos um pouco grisalhos que eram macios ao toque. Ela o puxava mais para perto dela e o empurrava em direção à sua boca.
A situação estava escalando, ela soltava gemidos abafados e ele, sons graves de aprovação, de satisfação. Eles saboreavam a boca e os lábios um do outro; usavam as mãos para se acariciar abruptamente, para prender, para marcar. Owen começou a diminuir a intensidade quando percebeu que queria mordê-la.
Na escuridão, ele não podia ver as marcas que havia deixado naquela noite, apenas imaginá-las. O desejo de deixá-las novamente, ou melhor, de marcá-las mais profundamente, o desacelerou. Se se deixasse levar por ele, a colocaria em uma situação embaraçosa. Ainda assim, com a mente nublada e com a necessidade evidente empurrando contra a barriga de Anna, ele não queria fazer isso.
— Não podemos fazer nada aqui — disse Owen, ofegante, enquanto lhe dava pequenos beijos.
— Não — respondeu Anna, quase sem conseguir respirar.
Owen cerrou os dentes. O esforço que fazia para se separar do corpo dela era enorme.
Finalmente, conseguiram recuperar um pouco o fôlego quando ele se afastou dela. Anna tinha os olhos fechados e respirava pela boca, parecia que o ar era escasso. Owen deu um passo para trás e algo bateu em seu sapato.
Com a pouca luz que entrava do lado de fora, ele pôde ver que todas as suas coisas estavam espalhadas ao seu redor. Ele se abaixou aos seus pés e começou a colocar tudo dentro da caixa. Ele se levantou e deixou os materiais sobre a mesa.
O corpo de Anna não queria responder, parecia lento, mas ela deu alguns passos em sua direção. Owen segurou seu rosto e lhe deu outro beijo, rápido e suave.
— Boa noite, Anna — disse ele, engolindo em seco.
— Boa noite — sussurrou Anna.
Ele saiu, fechou a porta e praticamente correu para os elevadores. Sentiu um arrepio nas costas quando apertou o botão do subsolo e se encostou na parede do fundo do elevador, tentando recuperar a compostura. Aquela mulher estava deixando-o louco.
Anna sentou-se em uma das poltronas dentro de seu escritório. Ela estava com tanta dificuldade para respirar e suas pernas tremiam tanto que ela podia ouvir seus pés batendo no chão. Ela passou as mãos pelo rosto, emocionada como uma colegial. Aquele homem estava revivendo-a.
Ela ficou sentada na poltrona, ainda tentando normalizar sua respiração. Fechou os olhos por um momento e deixou as sensações se agitarem dentro dela. Sentia-se tonta, dominada por algo que m*l conseguia entender.
Havia algo em Owen que a tirava do eixo. Não era apenas atração física, embora fosse inegável que ela o desejasse com uma intensidade que a assustava. Era mais do que isso. Sempre que ele olhava para ela, ela sentia que ele lhe devolvia algo que ela havia perdido. Uma parte de si mesma que ela pensava que não existia mais: sentir-se desejada, sentir-se especial.
Ele a fazia se sentir bonita. E não no sentido superficial da palavra. Não era apenas sua aparência que ele via; era como se, cada vez que seus olhos a procuravam, ele estivesse reconhecendo algo mais profundo.
Ela se levantou lentamente e caminhou até o espelho que estava pendurado em um canto do escritório. Seu reflexo lhe devolvia uma imagem que ela m*l reconhecia: bochechas coradas, olhos brilhantes e um leve sorriso que ainda não havia desaparecido completamente. Pela primeira vez em anos, ela se sentia bonita. Mas não só isso. Ela se sentia viva.
Enquanto Owen dirigia, sua mente ainda estava cheia dela: Anna, sua fragrância, o jeito como seus olhos o haviam olhado na escuridão. Ele apertou o volante com força, como se isso o ajudasse a conter tudo o que sentia. Ela o fazia se sentir... humano novamente.
Aquela mulher tinha um jeito de entrar em seu espaço, em sua cabeça, e ficar lá. Mas não da maneira que as outras costumavam fazer. Havia algo profundo, algo que o fazia lembrar de um mundo que ele pensava ter esquecido. Ele queria conhecê-la.
E mesmo que tentasse fugir, sabia que voltaria.