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1008 Words
A Porta que Não Devia Abrir A maçaneta continuava girando. Lentamente. Com um som metálico seco que parecia ecoar dentro do quarto inteiro. Angelina sentiu o coração bater tão forte que parecia esmagar seu peito. Miller estava parada ao lado dela, completamente rígida. Nenhuma das duas ousava se mover. A porta estava trancada por dentro. Angelina tinha certeza disso. Ela mesma tinha girado a chave poucos segundos antes. Mesmo assim… A maçaneta continuava se movendo. Girando. Parando. Girando novamente. Como se algo do outro lado estivesse tentando abrir. Tentando entrar. — Angie… — sussurrou Miller. Angelina não respondeu. Ela não conseguia tirar os olhos da porta. O barulho parou. Silêncio. Um silêncio pesado. Quase sufocante. As duas prenderam a respiração. Segundos passaram. Nada aconteceu. Miller deu um pequeno passo para frente. — Talvez tenha sido apenas… BAM Algo bateu com força contra a porta. As duas gritaram. Angelina recuou instintivamente. Miller tropeçou contra a cama. Outro impacto. A madeira da porta estremeceu. Como se algo estivesse tentando arrombá-la. — O QUE É ISSO?! — gritou Miller. Angelina não sabia. Mas uma sensação terrível tomou conta dela naquele instante. Uma sensação de reconhecimento. Ela já tinha sentido aquilo antes. Naquela casa. Quando era criança. Outro golpe. Mais forte. A porta vibrou. A chave tremia na fechadura. Miller correu até a mesa. Pegou a primeira coisa que encontrou. Uma pequena luminária. — Se isso entrar… eu juro que vou quebrar isso na cabeça de quem for! Angelina respirava rápido. A porta sofreu outro impacto. A madeira começou a rachar. — Meu Deus… — murmurou Angelina. Então… Tudo parou. O silêncio voltou de repente. Completo. Absoluto. Nenhum som. Nenhum movimento. Miller continuava segurando a luminária. As mãos tremendo. — Acabou? Angelina não respondeu. Ela caminhou lentamente até a porta. Cada passo parecia pesado. Muito pesado. — Angie, não abre! — disse Miller. Angelina colocou a mão na maçaneta. Ela estava fria. Muito fria. Como gelo. Angelina engoliu seco. E girou a chave. CLACK A porta destrancou. Por alguns segundos, nenhuma das duas se moveu. Então Angelina abriu a porta lentamente. O corredor estava vazio. Completamente vazio. Nenhuma pessoa. Nenhum som. Nada. Miller olhou para os lados. — Não tem ninguém aqui… Angelina saiu para o corredor. O coração ainda disparado. — Mas alguém estava aqui. Ela caminhou até a escada. O corredor parecia exatamente como sempre foi. Fotos antigas na parede. O tapete vermelho. As luzes apagadas. Mas havia algo diferente. Algo que fez Angelina parar. No chão. Perto da escada. Havia marcas. Marcas escuras. Como pegadas. Mas não eram pegadas normais. Pareciam marcas de algo sendo arrastado. Miller se aproximou. — Isso… é sangue? Angelina se abaixou. Passou os dedos sobre a mancha. Ainda estava úmida. Ela sentiu o estômago revirar. — Sim. Miller olhou para a escada. — Isso vem de baixo. Angelina levantou-se. O coração batendo cada vez mais rápido. — Vamos ver. Miller parecia não gostar da ideia. — Você tem certeza? Angelina já estava descendo. — Não. Mas precisava descobrir. As duas desceram lentamente. Cada degrau rangia sob seus pés. A casa estava silenciosa demais. Quando chegaram à sala… Angelina sentiu o corpo inteiro congelar. Porque algo havia mudado. As cadeiras da mesa de jantar estavam viradas. O vaso de flores estava quebrado no chão. E na parede… Havia algo escrito. Com sangue. Miller aproximou-se lentamente. Leu em voz baixa. — "Ela voltou." Angelina sentiu um calafrio atravessar sua espinha. — Quem voltou? Miller virou-se lentamente. — Talvez Odette. Angelina balançou a cabeça. — Não. Ela sentia. Sabia. Aquilo não era Odette. Odette nunca tinha feito algo assim. Nunca tinha deixado mensagens ameaçadoras. Então quem? Angelina olhou ao redor da sala. Algo naquele lugar parecia errado. Como se a própria casa estivesse… viva. Observando. Esperando. Então um barulho veio da cozinha. Algo caiu no chão. As duas viraram imediatamente. — Você ouviu? — sussurrou Miller. Angelina assentiu. Elas caminharam devagar até a cozinha. Angelina empurrou a porta. A cozinha estava escura. Apenas uma pequena janela deixava entrar um pouco de luz. Algo estava no chão. Um prato quebrado. Miller suspirou. — Talvez tenha caído sozinho. Angelina ia responder quando… A porta da cozinha se fechou com força atrás delas. BAM As duas gritaram. Miller correu para a porta. Tentou abrir. Não se mexia. — Está trancada! Angelina sentiu o pânico subir. — Isso não é possível. Miller puxava a maçaneta. — Não abre! Então… Um som surgiu na cozinha. Um som que fez as duas congelarem. Respiração. Alguém estava respirando. Dentro da cozinha. Mas não eram elas. O som vinha de trás. Muito devagar… Angelina virou a cabeça. E viu. No canto escuro da cozinha. Perto da porta do porão. Havia alguém parado. Uma figura pequena. Imóvel. Vestido antigo. Cabelos longos. Manchados de sangue. Odette. Mas algo estava errado. Muito errado. Porque desta vez… Ela não parecia triste. Ela parecia… furiosa. Seus olhos estavam completamente negros. E quando falou… Sua voz não parecia humana. — Vocês chegaram tarde demais. Miller recuou. — Angie… isso não é a mesma menina… Angelina também percebeu. Aquilo parecia Odette. Mas não era Odette. Era algo… usando a forma dela. A porta do porão começou a ranger lentamente. Abrindo sozinha. Um ar frio subiu das escadas escuras. Odette apontou para baixo. — Foi aqui. Angelina sentiu o coração parar. — O quê? A menina sorriu. Um sorriso horrível. — Foi aqui que me mataram. O mundo de Angelina pareceu girar. Miller sussurrou: — Meu Deus… Mas o pior ainda estava por vir. Porque Odette disse mais uma coisa. Algo que fez o sangue de Angelina congelar completamente. — Seu pai estava lá. --- Se quiser, no próximo capítulo posso revelar coisas muito mais perturbadoras, como: o segredo enterrado no porão da casa o que realmente aconteceu com Odette por que o espírito maligno quer impedir a verdade a ligação antiga entre a família de Angelina e o desaparecimento e um evento sobrenatural extremo dentro do porão Se quiser, continuo já com o capítulo do porão (um dos mais assustadores do livro).
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