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1218 Words
A notícia do assassinato na festa espalhou-se pela universidade como um incêndio impossível de controlar. Na manhã seguinte, ninguém falava de outra coisa. Corredores antes barulhentos estavam estranhamente silenciosos. Grupos de estudantes se reuniam em círculos, cochichando, olhando por cima dos ombros como se algo pudesse surgir a qualquer momento. Angelina caminhava pelo campus ao lado de Miller. O ar parecia pesado. — Nunca vi a universidade assim — murmurou Miller. Angelina concordou com um leve aceno. Carros da polícia ainda estavam estacionados perto do prédio administrativo. Alguns agentes conversavam com professores e seguranças. Cartazes improvisados tinham sido colados em várias paredes: “Se viu algo na festa da noite passada, procure a polícia.” O estudante assassinado chamava-se Lucas Ferreira, aluno do terceiro ano de engenharia. Ninguém sabia exatamente o que tinha acontecido. Alguns diziam que foi uma briga. Outros falavam em um assassino que tinha invadido a festa. Mas havia também os rumores mais estranhos. — Estão dizendo que ele foi morto por um culto — comentou Miller enquanto entravam na biblioteca. Angelina franziu a testa. — Um culto? — Sim. Alguém disse que havia um símbolo desenhado com sangue no quarto. Angelina ficou em silêncio. Ela não contou a ninguém sobre o símbolo. Mas sabia que era verdade. E sabia que aquele símbolo estava ligado ao quarto secreto da sua casa. E possivelmente ao desaparecimento de Odette. Ela sentou-se à mesa da biblioteca. Seu olhar ficou perdido por alguns segundos. — Angie? — chamou Miller. — Hm? — Você está pensando na mesma coisa que eu? Angelina respirou fundo. — Se isso estiver ligado a Odette… então talvez… Ela não terminou a frase. Miller entendeu. — Então talvez isso ainda não tenha acabado. --- O Segundo Assassinato Três dias depois, o campus estava ainda mais tenso. A universidade tentou continuar normalmente, mas a presença policial era constante. Seguranças patrulhavam os corredores. As festas foram canceladas. Alguns estudantes já estavam voltando para casa temporariamente. Angelina e Miller estavam saindo de uma aula quando ouviram gritos vindos do lado de fora. — O que foi isso? — perguntou Miller. Mais gritos. Estudantes começaram a correr pelo corredor. Um rapaz passou por elas, pálido. — Encontraram outro corpo! O coração de Angelina disparou. — Onde? — No estacionamento! Angelina e Miller se entreolharam. E correram junto com os outros. Quando chegaram ao estacionamento, a polícia já estava isolando a área. Mas era possível ver. Um carro parado. E ao lado dele… Outro corpo. Desta vez era uma estudante. Uma garota chamada Helena Duarte, do curso de biologia. Angelina reconheceu imediatamente. Ela estava caída perto da porta do carro. Os olhos abertos. O rosto cheio de terror. E novamente… Sangue. Muito sangue. Angelina sentiu o estômago revirar. Um policial tentou afastar os estudantes. — Todos para trás! Mas Angelina conseguiu ver algo antes que o corpo fosse coberto. No chão de concreto… O mesmo símbolo. Desenhado com sangue. Ela sentiu um frio percorrer todo o seu corpo. — Miller… — sussurrou. — Eu vi. Miller parecia tão pálida quanto ela. — Isso não é coincidência. Angelina apertou os braços contra o próprio corpo. — Alguém está fazendo isso. — Ou alguma coisa. As duas ficaram em silêncio. Porque ambas estavam pensando na mesma coisa. Odette. Mas algo não fazia sentido. Odette parecia uma criança triste. Perdida. Não um espírito assassino. Então quem estava fazendo aquilo? --- O Campus em Pânico Depois do segundo assassinato, o medo tomou conta da universidade. Grupos de estudantes começaram a andar juntos o tempo todo. Ninguém queria ficar sozinho. As aulas ficaram quase vazias. Alguns professores passaram a dar aulas online. Os rumores cresceram. — Dizem que o assassino escolhe estudantes aleatoriamente. — Ouvi dizer que ele deixa marcas no corpo. — Minha amiga disse que viu uma menina fantasma perto do estacionamento. Angelina ouviu esse último comentário no corredor. Seu coração apertou. Ela sabia que os estudantes estavam apenas assustados. Mas ela também sabia que fantasmas existiam. Ela já tinha visto um. Naquela noite, no dormitório, Miller estava sentada na cama olhando para o celular. — Angie… — O que foi? — O nome do símbolo apareceu em um fórum da internet. Angelina se aproximou. — O quê? — Alguém postou uma foto do símbolo da festa. Angelina arregalou os olhos. — Como? — Não sei. Talvez alguém tenha tirado foto antes da polícia chegar. Miller mostrou a tela. O símbolo estava lá. Angelina sentiu o coração apertar. Porque nos comentários… Alguém escreveu algo perturbador. "Esse símbolo está ligado a rituais antigos de invocação." Outro comentário dizia: "Já vi algo parecido em casos de desaparecimentos antigos." Angelina sentiu um arrepio. Desaparecimentos. Como Odette. --- O Terceiro Assassinato Uma semana depois… A tragédia aconteceu novamente. Desta vez dentro da própria universidade. Era fim de tarde. Angelina estava estudando na biblioteca quando ouviu sirenes. Seu corpo inteiro ficou tenso. Ela levantou imediatamente. Miller também. — Não… — murmurou Miller. Elas saíram da biblioteca. Um grupo de estudantes estava reunido no corredor. Alguns choravam. Angelina se aproximou de uma garota que parecia em choque. — O que aconteceu? A garota respondeu com a voz trêmula. — No laboratório de química… Angelina sentiu o coração afundar. — Encontraram outro estudante morto. O nome dele era Rafael Mendes. Quando Angelina ouviu o nome, lembrou imediatamente. Ele estava na festa. Ela tinha visto ele conversando perto da escada. Angelina começou a tremer. — Isso não pode ser coincidência. Miller concordou. — Todos estavam na festa. Angelina sentiu um frio subir pela espinha. Então o assassino… Estava escolhendo pessoas daquela noite. --- O Quarto Assassinato Dois dias depois… O medo virou terror absoluto. O quarto corpo foi encontrado. Desta vez no dormitório masculino. Um estudante chamado Bruno Salgado. Assim como os outros… Morto de forma brutal. E o símbolo novamente estava presente. Agora ninguém tinha dúvidas. Havia um assassino. E ele estava caçando estudantes. --- O Peso da Verdade Naquela noite, Angelina e Miller estavam no quarto em silêncio. A chuva caía lá fora. O campus estava estranhamente quieto. Angelina caminhava de um lado para o outro. — Quatro pessoas — disse ela finalmente. Miller assentiu. — Lucas. Helena. Rafael. Bruno. Angelina parou. — Todos estavam na festa. — Sim. — E todos morreram de forma brutal. Miller respirou fundo. — Você acha que isso tem algo a ver com Odette? Angelina pensou por um momento. — Não sei. Ela sentou na cadeira. — Mas tudo começou depois que fomos ao cemitério. Depois que encontramos o quarto secreto. Depois que começamos a investigar. Miller olhou para ela. — Você acha que despertamos algo? Angelina não respondeu imediatamente. Mas a pergunta ecoou em sua mente. E se fosse verdade? E se o passado estivesse reagindo? Seja qual fosse a resposta… Uma coisa era certa. A universidade estava dominada pelo medo. Estudantes caminhavam olhando por cima dos ombros. Portas eram trancadas. Luzes ficavam acesas durante toda a noite. Porque agora todos tinham o mesmo pensamento aterrorizante: Quem será o próximo? E no fundo de seu coração… Angelina tinha uma sensação terrível. De que ela mesma… poderia estar mais perto dessa história do que imaginava. E que, de alguma forma, tudo aquilo estava ligado à sua família. E talvez… Ela fosse a única capaz de descobrir a verdade antes que mais alguém morresse.
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