capítulo 11

1126 Words
Passei o resto da noite acordado. Não consegui dormir depois do pesadelo que tive, o Evan até tentou ficar acordado comigo mas depois acabou dormindo. Eu li alguns livros tentei me distrair, vi o sol se pôr, e em algumas horas o Evan já estava acordando. Evan:__Não conseguiu dormir? Tivan:__Não, depois do pesadelo eu não consegui pregar os olhos. Evan:__Desculpe eu acabei cedendo ao sono. Tivan:__Tudo bem, eu li alguns livros e olhei você dormir. Ele sorriu. Evan:__Sou tão bonito assim para você ficar me observando dormir? Tivan:__Mais lindo do que qualquer tela já pintada. Evan:__Então eu mereço um beijo? Tivan:__Somente depois do café da manhã. Ele resmungou e levantou me ajudou a descer as escadas e ir para a cozinha. Como antes Idris já estava lá, e o café já estava feito. Idris:__Já estava indo chama-los. Evan:__Obrigado Idris. Idris:__Disponha senhor. Nos sentamos e tomamos o café da manhã com calma. Já é praticamente o quarto dia, mas acho que o Idris não está contando com o dia em que cheguei. Então este é o terceiro e último dia. Tivan:__Você vai cumprir sua promessa Idris? Idris:__Lógico que sim mestre. Tivan:__Se eu fui um príncipe, por que me chama de mestre? Idris:__Eu sou estrangeiro, minha nação não constuma ter magestades, Reis e rainhas ou castelos, temos apenas magos e bruxas. Esquece o que perguntei, já tenho a reencarnação para entender. Tivan:__Calma, calma, calma, entendo que tenha muitas coisas quas quais nunca vimos em Alambra pelo mundo, mas já tenho informações demais sobre o castelo. Idris:__Está tudo interligado, este castelo, Alambra, meu reino, todos tem magia, todos tem segredos. Evan:__Sei que não se recorda mas... talvez seja bom entender um pouco, mesmo que volte para Alambra você ainda vai ser um príncipe. Tivan:__Ok, me digam então como tudo pode estar interligado. Idris:__O povo do Reino possuía magia por causa da terra, a terra foi abençoada e todo o povo que habitava sobre ela, mas para isso ela sugava energias de tudo ao seu redor, então isso gerou revoltas, eu vim para estudar sobre seu povo e entender porque tinham tais regalias, há outras terras férteis mas nenhuma como esta. Tivan:__E o que aconteceu? Por que ela não é mais fértil? Por que não vejo habitantes aqui, casas ou qualquer tipo de plantação? Idris:__Porque esta terra morreu, junto com o seu mestre. Tivan:__Mas eu estou vivo, vocês disseram que eu era o príncipe perdido algo do tipo, uma reencarnação. Idris:__O mestre desta terra foi seu pai, o Rei. Evan:__Ele morreu antes que pudesse passar o poder dele para você, não era apenas uma coroação, era o destino do nosso povo. Tivan:__Se ele morreu e eu não posso salvá-los então... por que não nos mudamos para Alambra e vivemos felizes e fartos? Acho isto muito mais plausível e aceitável do que pessoas congeladas sem seus braços e pernas. Evan:__Parece fácil, mas não parece certo, não vou abandonar o trono, o castelo, e ... Ele ficou quieto. Idris:__De alguma forma temos que trazer seu pai de volta. Não é possível, e eu pensando que não podia piorar. Tivan:__A cabeça de vocês deve estar congelada. Eles se assustaram com o que eu disse. Tivan:__Estão loucos. Sai mancando da cozinha e me esforcei para subir as escadas, não demorou para Evan vir até mim. Evan:__O que pretende fazer? Tivan:__ Ir para casa e fingir que nada disso aconteceu? Evan:__Por favor me escute. Tivan:__Sinto que vou ficar doido se ouvir mais alguma coisa absurda sair da boca de um de vocês dois. Evan suspirou. Evan:__Pode pelo menos ver sua família? Tivan:__Minha família? Evan:__Sim, sua família. Tivan:__Não vi ninguém por aqui, onde estariam? Evan:__Venha vou te carregar. Ele me pegou no colo e desceu as escadas, percorreu um longo caminho pelos corredores do castelo, então pararmos em frente a porta. A porta que estava nos meus sonhos. Senti meu coração pular no peito. Evan abriu as portas lentamente e eu vi as pessoas, muitas pessoas, seus rostos pálidos, imóveis, olhando fixamente para o nada. Havia um salão cheio deles, corpos gelados alguns sentados no nada e outros em pé, várias posições diferentes mas todos eles pareciam estar apavorados, seus olhos refletiam uma luz azul, todos tinham um isto em comum. Evan:__Esta é sua mãe. Vi o rosto de uma mulher de meia idade, o rosto pálido mas com lábios rosados e bochechas cheias, olhos da mesma cor que os meus, a seus trajes pomposos e cabelos longos, era uma mulher muito bonita, mas não a reconheci. Encarei ela por alguns minutos, o coração ainda palpitação mas não sabia quem era aquela mulher. Evan:__Quer ver seus irmãos? Tivan:__Sim. Eu estava em êxtase, aquilo era tão perturbador quando tudo o que eu ouvi antes, mesmo assim sentia que poderia reconhecer, lembrar, não sei tinha que tentar apenas e nada mais importava. Evan me mostrou três garotos e uma garota, os garotos eram gêmeos, deveriam ter menos de 8 anos de idade, já a garota parecia ser mais velha uns 12 anos talvez. Eles possuíam muitas semelhanças com a mulher de antes, e por alguns segundos pude ter um feixe de lembrança da garota apenas. Algo com ela na cozinha. Mas poderia ter sido apenas imaginação minha, então não falei nada, apenas fiquei encarando o rosto dela. Tivan:__E o meu suposto pai? Evan:__Sua cabeça foi decepada. Encarei ele. Evan:__Não quero que veja ele. Tivan:__Estou vendo várias pessoas congeladas dentro de um salão, o poderia ser mais surpreendente do que isto? Ele abaixou a cabeça e pensou antes de me responder. Evan:__Venha comigo, e esteja preparado. Como se eu pudesse me preparar para ver uma cabeça isolada de um corpo. Saímos do sala e fomos para outro cômodo. Ele ficou em dúvida se abria as portas ou não, até que abriu. A cabeça do homem estava em uma almofada, como um prêmio, seu corpo atrás, seus braços segurando uma almofadada com sua própria cabeça em cima. Me aproximei sem ter controle de mim, meu corpo se moveu sozinho, eu não conseguia desviar o olhar. A barba branca dele por fazer, os cabelos brancos como os meus, seus cílios brancos, e seus olhos azuis. Senti lágrimas escorendo pelo meu rosto, eu reconhecia aquele homem, eu reconhecia ele. Não sei como pois não tinha lembranças, mas sabia que ele era meu pai. Minhas pernas cederam e eu me ajoelhei olhando aquele corpo, comecei a chorar descontroladamente, senti raiva e ódio tomarem conta de mim, como meu pai poderia estar em tal situação? Como um porco com a maçã na boca sendo servido em uma seia. Evan não se aproximou, nem sequer passou pela porta, ficou em silêncio, queria culpar ele, queria culpar alguém, mas me virei e vi os olhos dele cheios de lágrimas, ele parecia estar tão revoltado quanto eu.
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