Colapso

994 Words
ARIEL Com a vitória das feiticeiras sobre os anjos, o mundo entrou em seu período mais obscuro. As ogivas nucleares deixaram seus rastros de destruição no ar e no mar. E a vida na Terra reduziu consideravelmente. Muitos jovens morreram na estrada. Quem tentava fugir era alvejado pelos atiradores de todos os lados. Um dos palcos das guerras, uma área de floresta perto das fronteiras de Aknagar, havia muita fumaça e dezenas de carros abandonados e muitos sobreviventes correndo. Eles atiravam sem hesitar e eu percebi que morrer ali parecia questão de tempo. Os Smertels correram e miraram seus fuzis nas crianças. Elas deitaram no campo e não choraram. Eu só pensava que morreriam, por isso fechei os olhos e esperei a rajada de tiros. Outros soldados abriram seus automóveis para pegar mais armas. Depois eles trouxeram helicópteros e tanques blindados. Boskovich descreveu à CBN como se escondeu debaixo de uma árvore, enquanto os detratores atiravam em quem encontrasse pelo caminho. Por volta das 5h45, a sirene tocou. Eu acordei as crianças e corremos para o bunker mais próximo. O alarme da cidade foi ativado e todos os moradores se dirijam para o centro da capital. Era o local mais tranquilo, onde se encontrava longe as zonas de contaminação. Entrei na sala e não havia nenhuma informação relevante nos sites de notícia. Em meia hora, começaram a aparecer os primeiros boatos, mas ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo. A primeira linha de defesa foi desarmada. A maioria dos integrantes foi morta, desde a crianças, até recém-nascidos. A destruição se espalhou rapidamente, provocando milhões de mortes e causando pânico em todo o mundo. A Imperatriz de Jade devastou a Terra inteira com o seu imenso poder. Ela assolou multidões, mudando o curso da história. A destruição viajou pelo Oriente Médio, até atingir a Europa, transportada pelas linhas temporais. Os que conseguiram sobreviver precisaram lidar com a maldição divina, enfrentando doenças e miséria, as quais nem mesmo as feiticeiras podiam combater. As pulgas que viviam nos ratos escondidos dentro dos navios oleses trouxeram a Grande Peste. Os vikings foram os responsáveis por espalhar a doença por quase todos os países. Da Inglaterra, espalhou-se à Itália. A Dinamarca se contaminou nas primeiras semanas de agosto e a Noruega, em outubro. A peste bubônica dizimou metade dos sobreviventes, até o seu vetor morrer no clima gelado de Aknagar, que passava por uma pequena era do gelo. Porém, nos países mais quentes, cidades inteiras viraram cemitérios, levando a crises econômicas e sanitárias devastadoras e a escassez brutal de alimentos. No outono, a Peste n***a atingiu as Américas, os portos do Mar n***o e chegou ao seu ápice em Israel, na Palestina, em Ashkelon e Jerusalém. Os moradores de Carfanaum tentaram fugir pelo Mar da Galiléia, mas morreram dentro de seus barcos, consumidos pela cólera da imperatriz. — O tempo dos humanos acabou! — bradou Letícia. Israel foi infectado durante o eclipse solar total. Os religiosos israelenses foram os primeiros a pregarem que a pandemia era um castigo divino, enquanto os céticos se conformavam com a morte. Durante dois anos, todos os continentes presenciaram o terror de sua majestade. As doenças, fome e a morte estavam com ela, e espalharam-se tão abruptamente que ninguém podia contê-las. Eram tantos cadáveres que a terra não cabia mais seus mortos. Por isso, aqueles que morriam tinham de ser sepultados um em cima do outro, ou às vezes, apenas eram deixados nas montanhas para os animais e os vermes comerem. Com o contágio em massa, a rainha das feiticeiras ordenou que Aknagar se fechasse para o mundo. Os bolcheviques importaram práticas médicas radicais e uma extensiva quarentena, aumentando o desespero de quem estava fora da Rússia. Devido à importância crescente de Aknagar, os líderes de todos os países, deixaram uma descrição da estrutura do local, tentando explorar as desgraças iminentes que aconteceram naqueles dias. A destruição dos anjos caídos elevou o Império de Agnes ao seu limite. A população de Aknagar cresceu, tornando a necessidade de instalações para a manutenção da purificação da água, da nutrição e administração pública essencial ao povo. No entanto, estes sistemas não alcançavam a massa da população que eram, na maioria, os pobres. Não existiam instalações higiênicas, limpeza das ruas, nem preocupação com os cuidados de saúde individuais e coletivos. Muitas pessoas moravam em casas superpovoadas, sem proteção contra o frio, ou em ambientes profícuos para a transmissão de doenças. Os tratamentos eram provenientes do conhecimento ancestral, da medicina popular e do culto às feiticeiras. E apesar dos esforços nas construções sanitárias na cidade, e a difusão da importância da vida, as doenças epidêmicas ao longo de todo aquele período continuaram surgindo. Apenas depois de o primeiro caso de tifo terminal aparecer, se fez necessário a construção de decantadores especiais, capazes de transformar as águas das colinas até o Palácio de Inverno em fontes límpidas, dependendo de um sistema mais elaborado, com dez milhas de distância, que usava canos de bronze fundidos em ouro. Os setores de drenagem e suprimento de água tornaram-se focos de preocupação intensa, mas todas as doenças se relacionavam exclusivamente à punição da imperatriz sobre os meros mortais. Em sete meses, o conhecimento dos aknagarcs ultrapassou os avanços da Inglaterra. As reuniões das feiticeiras deram espaços a mistos de assistências privadas, composto por salas direcionadas à cura, onde somente os nobres tinham acesso. Aknagar está rodeada de trincheiras que ligam as regiões da Europa, do sul da América, África e parte da Ásia. Essas vias foram projetadas para atender às necessidades militares do império e do deslocamento das feiticeiras. Além das rotas terrestres, desenvolveu-se uma circulação marítima em larga escala. Grandes embarcações seguem suas rotas comerciais ao longo da costa. Um dos fluxos navais converge de Windsor, atrás do castelo, até o museu Hermitage. Mas está tudo bem, eu ainda não vou destruí-las. Vou deixar que sofram mais um pouco. Eu tirarei tudo dos humanos e os amaldiçoarei com aquela doença. Letícia Kristen Sallow
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