CAPÍTULO 14 DUDA NARRANDO Quando o Gabriel me puxou pela mão pra mostrar o balanço, eu ainda tava tentando processar tudo. O valor do salário, a casa enorme, o olhar do pai dele me atravessando o tempo todo… mas, principalmente, a sensação estranha de já estar presa ali antes mesmo do primeiro dia acabar. — Olha, Duda! — ele disse, apontando todo orgulhoso. — Foi meu pai que mandou fazer. O balanço era simples, mas firme. Corrente grossa, banco de madeira já meio gasto. Sentei primeiro pra testar, depois chamei ele. — Sobe aí, campeão. Empurrei devagar no começo. Ele ria alto, jogando a cabeça pra trás, cabelo voando. Aquele riso limpo, sem maldade, sem defesa, me desmontou mais uma vez. Eu pensava na minha mãe, nas contas, em como cinco mil na mão ia mudar muita coisa… mas ali, naqu

