CAPÍTULO 209 SIMONE NARRANDO Eu tinha ido no mercadinho comprar umas coisas pra minha mãe. Pão e salsicha e um refri que ela pediu porque disse que ia fazer pra janta mais tarde. Tava tudo normal. Sol rachando, criança correndo na praça, os velhos sentados jogando conversa fora. Até eu ouvir o barulho. Primeiro foi o ronco da moto. Depois os gritos. Quando eu virei o rosto, eu vi. Torresmo descendo a madeira naquela cobra da Luana. E eu devia sentir pena. Devia. Mas, de verdade? Não senti nada. Fiquei parada, a sacola pesando na minha mão, olhando ela cair sentada no meio da praça. Gente começando a se afastar. Uns fingindo que não estavam vendo. Outros só assistindo de longe, como sempre. Luana sempre gostou de se meter onde não era chamada. Sempre com aquele sorrisinho atrav

