CAPÍTULO 178 SIMONE NARRANDO Saí do postinho ainda meio aérea. O cheiro de remédio parecia que tinha grudado em mim. Purga me entregou o capacete e ficou me olhando daquele jeito sério demais pra quem vive rindo. — Bora. Coloquei o capacete sem discutir. Subi na garupa e segurei na cintura dele. A moto arrancou e o vento bateu no meu rosto, levando embora um pouco da tensão que tava presa no peito. Eu não falei nada o caminho inteiro. E ele também não. Mas a mão dele apertou a minha por cima da perna, como se dissesse que tava ali. Chegamos na casa dele rápido. Ele parou a moto, desligou o motor e ficou um segundo em silêncio antes de descer. Desci logo depois. A casa dele ficava numa parte mais alta, mais afastada do movimento. Portão preto, muro alto, luz da varanda acesa. El

