CAPÍTULO 162 SIMONE NARRANDO Meu dia começou cedo na pensão. Como sempre. Acordei antes de todo mundo, desci pra cozinha e ajudei minha mãe com as primeiras coisas do dia. Café passado, pão separado, casa abrindo aos poucos. Aquela rotina que eu conheço de olhos fechados, porque cresci ali dentro. O problema não era o trabalho. Nunca foi. O problema tinha nome. Luana. Ela apareceu depois na cozinha ainda de cara amarrada, cabelo preso de qualquer jeito, aquele olhar atravessado que já diz tudo sem precisar falar. Sentou à mesa, me mediu dos pés à cabeça e soltou, com aquele tom de deboche disfarçado: — Nossa… acordou animada hoje, hein. Continuei mexendo o café, tranquila. — Não é animação. É paz mesmo — respondi. — Tem dias que a gente dorme leve. Ela riu pelo nariz. — Sorte a

