CAPÍTULO 155 SIMONE NARRANDO Eu não gostei daquela menina ali na pensão. Não gostei mesmo. Desde a hora que botei o olho nela, alguma coisa me cheirou errado. Gente não sai da casa do Torresmo assim, do nada, sem ter feito alguma merda antes. Isso eu sei. Todo mundo sabe. — Mãe, você não podia ter deixado essa piranhä ficar aqui — falei, parada na porta da cozinha. Minha mãe tava de costas, secando a louça com calma demais pra quem acabara de me ouvir falar aquilo. — Simone, para com isso, filha — respondeu, sem nem virar. — Ela é sobrinha da dona Rosa. Eu não ia deixar a menina na rua. Revirei os olhos. — Eu não gosto dela. E se ela veio pra cá é porque aprontou alguma coisa pro Torresmo, pode ter certeza — falei, cruzando os braços. Minha mãe suspirou, daquele jeito cansado. — A

