Sofia
Já tínhamos pego um ônibus com o dinheiro que minha mãe tinha me dado, mesmo assim, ainda estávamos bem longe, pelo que Jhon tinha me falado. Enquanto isso, ele e Susana me colocavam a par de algumas partes da mitologia. Estávamos andando em uma autoestrada enquanto Susana discursava sobre o acampamento.
-...E então tem a casa grande. É onde o Mestre de atividades e o diretor do curso vivem. Lá está também o oráculo de delfos, que ajuda os semideuses com professias para as missões. Temos um lago e uma praia nos limites noroeste e sul do acampamento e um campo de morangos. Fazemos turnos alternados na colheita deles. É o que mantém o acampamento de pé. Toda terça e quinta pela manhã tem aula de espadas e arco e flecha...
- Quem são seus pais olimpianos? - Perguntei tentando mudar o assunto.
- Sou filha de Ares e John é filho de Apolo.
-Ares é o deus da guerra, não é?
Eu ouvia ela falar sobre seu pai e tentava organizar os pensamentos na minha cabeça, me culpava por não ter prestado tanta atenção quando estudamos sobre mitologia na escola. Mesmo que o estudo do colegial não tivesse como base o acampamento onde estávamos indo. Me virei em direção aos garotos e eles tinham ficado para trás.
-O que foi? - Perguntei, já ficando assustada. Pensava agora que a qualquer momento um monstro sairia dos arbustos para me m***r.
Susana apontou pra cima e riu.
- Sua reclamação. - Ela disse e eu peguei o espelho que levava na minha mochila. Tinha em cima da minha cabeça um símbolo dourado de arco e flecha que reluzia à luz solar.
-Deixa eu advinhar. Apolo?
-O próprio.
-E o que sabem sobre ele?
-É meu pai e um dos deuses que mais tem filhos, agora você é minha irmãzinha . - Jhon disse fazendo uma careta.
-Apolo é o deus da profecia, do arco e flecha e do sol. É lindo de morrer, é claro. E dirige um conversível.
-Bom, pelo menos você não terá que dormir no chalé de Hermes, é uma loucura lá dentro. Vamos, estamos quase chegando. - John cortou o assunto e avançou.
Nós fomos andando mais um pouco e Susana se embrenhou no mato em determinado ponto da estrada e eu pude perceber o início de uma trilha.
-Essa é a trilha do acampamento.
-E não é perigoso ela ficar à vista desse jeito?
-A maioria das pessoas só vê aquilo que quer ver, ainda assim, ainda temos a névoa que recobre todo o acampamento, deixando ele invisível para olhos mortais. Estamos chegando.
Nós subimos uma colina e lá no alto eu vi um grande arco de mármore antigo. Ele tinha trepadeiras subindo por suas laterais e um escrito em uma língua diferente.
-O que está escrito? - Perguntei a Susana, apontando para o arco.
-Focalize as palavras e se concentre que você vai entender o que está escrito. - Eu fiz o que ela disse e as palavras se misturaram até estarem em inglês. Estava escrito acampamento meio sangue. Nós tínhamos chegado.
Passei pelo arco e na mesma hora fiquei assustada. Naquele momento, um acampamento gigantesco apareceu diante dos meus olhos. Com chalés dispostos em formato de ômega e a casa grande no centro, a formação que Susana e John tinham me contado. Eu vi os campos e o lago de longe. Via tudo aquilo de cima da colina. Fiquei um pouco assustada por realmente estar ali. Fazia tudo aquilo parecer real, mesmo que não fizesse sentido.
-Vamos, não fique parada aí, você tem que conhecer Quiron.
Eles desceram a colina e eu os segui devagar. Tentava lembrar quem era o Quiron. Eu me lembrava desse nome. Susana me disse que ele era o mestre de atividades e também que ele era um centauro. Procurei em minha memória também o que eu sabia que eram centauros. Só consegui me lembrar de sua característica principal, que era ser metade cavalo. Mesmo assim não estava preparada para o que eu vi. Chegamos a varanda da casa e perto da porta, tomando um sol, estava um cara, aparentava ter uns 40 anos, estava relaxado em sua cadeira de rodas, com um cobertor cobrindo suas pernas.
-Quiron. Trouxemos uma meio sangue. Ela é filha de Apolo. E tem 21 anos.
- Ah sim, posso ver. Olá criança, como está?
-Estou bem sim. Você é o Quíron? Porque eu não fiquei sabendo de tudo isso mais cedo?
-Sim, e você é Sofia. Então, no momento não tenho todas as respostas que precisa, infelizmente.
-Me desculpe mas, não parece muito ativo para um mestre de atividades. Não quero parecer rude.
Ele sorriu e se levantou da cadeira, seu cobertor caiu e a cadeira se transformou. Naquele ponto, eu já não sabia separar o que era real e o que era fantasia, mas um momento se passou e lá estava Quiron, em sua forma de centauro, com seus cabelos grandes soltos e uma blusa florida de botões e o resto do corpo de um garanhao de pelo marrom. Eu estava estática, mas não disse nada.
-Entre, criança. Há muito que você precisa saber.
Ele se virou e entrou na casa grande e eu não tive escolha, tive que segui-lo.
∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆
Dionísio
Estava no Olimpo. Finalmente o dia tinha chegado. O dia de assinar os papéis do meu divórcio. Depois de descobrir que era feito de i****a por anos por minha agora ex esposa. O que aconteceu era que nós éramos casados há apenas 10 anos e ela conseguiu me trair durante 9 anos. Ela tinha finalmente confessado, que estava a esse tempo todo com um marinheiro que morava em Naxos. Por um momento, tive vontade de incinerar o sujeito. Mas a culpa não era dele. Ele não sabia que ela era comprometida, mas Ariadne sabia que era casada, e ainda por cima com um deus. E não era nem um pouco sensato traí-lo, ainda mais em sua própria ilha.
Eu já estava cumprindo meu castigo no acampamento há uns 4 anos quando decidi tirar umas férias sem falar com ninguém e fui para Naxos, minha ilha. Lá encontrei Ariadne, enquanto andava pela rua principal, eu a vi, tão linda quanto o sol. E foi amor à primeira vista. Bom, era o que eu achava na época. Sei hoje em dia que tal coisa não existe.
Quando me apaixonei por Ariadne, pedi consentimento ao meu pai para casar com ela e meu pai, que nunca tinha feito nada de bom por mim, disse que deixaria a decisão a mercê do conselho. Hera teve o voto de desempate, votando a favor do meu casamento, o que me espantou, já que ela nunca tinha expressado nada além de ódio pela minha pessoa.
No começo, Ariadne ficou comigo no acampamento, mas um mês depois, ela disse que não aguentava ficar lá e disse que ficaria em meu templo no Olimpo. Nós quase nunca nos víamos, e nosso relacionamento foi esfriando aos poucos.
Me forcei a voltar ao presente, prestando atenção no que acontecia a minha volta. Tinha me ausentado do acampamento com a expectativa de terminar tudo aquilo o mais rápido possível. Estávamos eu, Ariadne e Hera agora na cúpula do templo da deusa do matrimônio. Era um lugar bonito, mas sem graça, assim com ela. Não chegava aos pés do meu templo.
Hera chorava compulsivamente e eu estava parado encostado na parede. A cena já se prolongava há quase uma hora e eu já estava começando a me irritar com aquela palhaça toda.
-Hera. Por favor, pare de chorar.
- Não consigo aceitar que vocês vão fazer isso.
-Você nao tem que aceitar coisa nenhuma. Há alguns milênios atrás você nem me queria vivo, agora está preocupada com a minha vida amorosa?
Eu encarava Hera com meu rosto apático. Não é como se ela fosse minha fã, não havia motivo algum para as lágrimas que desciam por seu rosto. Olhei para o lado, Ariadne não chorava. Graças aos deuses, eu não aguentaria nem mais um minuto daquelas lágrimas de mentira.
-Você tem certeza, Dionísio?-Hera perguntou mais uma vez segurando o soluço. Ela parecia genuinamente despedaçada, como se fosse ela a traída. Bom, realmente, ela tinha um amplo conhecimento nessa área de traição. Cortesia do meu querido pai.
-Sim Hera. Mais uma vez, eu tenho certeza. Agora você pode por favor parar de chorar? Não entendo o porquê desse escândalo.
-É que é muito difícil para mim, eu acompanhei o relacionamento de vocês, não é certo que acabe. Vocês tinham eras juntos pela frente.
-Hera. O divórcio. Agora. Por gentileza.
Hera enxugou os olhos e agitou a mão, fazendo vários papéis aparecerem na mesa. Eram os papéis do divórcio. Eu peguei minha caneta presa no paletó e assinei todas as páginas. Estava completamente doido para sair daquele lugar, me sentia exposto, como uma ferida m*l curada.
Quando terminei de assinar, empurrei os papéis na direção de Ariadne e vi seus olhos marejados.
- Ah não, você também não. Di Imortalis, não tenho estômago pra isso.
-Nao vou fazer isso, Dionísio. Nós fizemos uma promessa, temos um compromisso.
- Compromisso? Era o que nós tínhamos? Bom, isso não te impediu de ficar com um marinheiro durante 9 dos nossos 10 anos de casamento enquanto eu estava preso no acampamento, não é mesmo? Não venha me falar de compromisso, foi você quem me traiu. Isso tudo foi escolha sua. Não ache que eu iria apenas olhar para o outro lado e fingir que nada estava acontecendo.
Eu não iria cair no papinho de Ariadne. Ela tinha me traído. De todas as formas. Tinha ficado com um mortal, na nossa ilha...na minha ilha. Naxos era minha. Eu estava longe no acampamento só há alguns anos por conta do castigo terrível imposto pelo meu pai, e ela se encontrou com ele pelas minhas costas durante todo esse tempo. Não mais. Eu não era i****a. Não ficaria conhecido como tal.
Ariadne ainda encarava o documento, a caneta estava na mesa, à espera dela.
-Não tenho tempo para essas gracinhas.-Disse furioso. O primeiro casal a se divorciar no Olimpo, como se nós fôssemos os únicos com problemas. A diferença é que eu não fingiria que nada acontecia. Pelo menos agora ela é livre para fazer o que quiser e dormir com quem quiser também. Eu me levantei da mesa para ir embora, não ficaria ali para ver aquela cena deplorável.
-Di...por favor, eu sinto muito.
Me virei e a encarei. Coloquei as minhas mãos dentro do bolso da minha calça social. Não abri mão de usar um belo terno roxo quase preto para a ocasião especial.
-Eu tenho certeza que você sente, mas eu não. Se você não assinar por vontade própria, eu farei você assinar. O seu nome estará no documento e você estará fora do Olimpo, livre para fazer o que quiser com quem você quiser. Agora, Ariadne, já se passaram anos, não me faça esperar mais.
Ela me encarou e voltou a chorar, eu me inclinei e peguei os documentos do balcão, empurrando eles em sua direção. Hera suspirou e se virou de costas, como se não suportasse a idéia do nosso término. A deusa casamenteira perdeu a causa. Ariadne assinou e eu fui embora daquele lugar sem olhar para trás.
Voltei para esse lugar tedioso, cheio de crianças e espadas, mais um dia sem saborear qualquer tipo de vinho, ou até um suco de uva de caixinha. Eu simplesmente tinha que aturar essas pestes semi gregas todos os dias completamente sóbrio. Isso era uma maldição mesmo. Ou como Zeus gosta de chamar, castigo. Um deslize e eu tinha ficado preso nesse lugar miserável. Talvez ele só precisasse de alguém pra tomar conta dessas crianças, já que os próprios deuses não sabem cuidar de seus filhos. Nunca souberam. O relacionamento familiar era podre desde o começo.
Levantei da cama e coloquei um terno como de costume. Desci as escadas e encontrei Quíron, o sátiro. Ele estava em sua cadeira de rodas e lia um jornal que Argos tinha trazido para ele, como sempre.
-Ola Quíron. Como andam as coisas no inferno? - Perguntei abrindo a geladeira. Peguei um copo e bebi água. Era isso ou uma coca cola, e sinceramente, já estava farto daquilo.
-Bom Dia, Senhor D. Dois campistas voltaram de uma missão e trouxeram uma menina nova. Ela foi reclamada antes de chegar. Filha de Apolo. O nome dela é Sofia. Ela tem 21 anos.
-Mas é claro. Ele e Hermes são iguais. Não conseguem manter o p*u dentro das calças. Daqui a pouco teremos que construir um casa maior que essa aqui para os dois. -Disse divagando. Não é que eu nao gostasse de meus irmãos, mas achava injusto só eu ser privado da vida no Olimpo, enquanto que eles também já fizeram bastante coisas que Zeus adoraria punir. -Onde está a campista nova? Vou dá-la um pouco de hospitalidade grega. Peraí, você disse que ela tem 21 anos? Um pouco tarde pra uma reclamação, não?
-Concordo. Ela deve estar agora no chalé de Apolo, acho. Conversei com ela sobre algumas coisas e a deixei à par do acampamento e disse a ela o básico da mitologia.
-Nos vemos depois, homem cavalo. -Saí pela porta e deixei o sátiro no meio da sala. Enquanto andava pelo acampamento pensava no que tinha acontecido hoje mais cedo no Olimpo, de repente, esbarrei numa das praguinhas.
-Olá, não sabia que admitíamos meios sangues cegos. Olhe por onde anda.-disse sem encarar a pessoa que me esbarrara.
-Pelo menos eu não ando por ai viajando acordada. Então é você. Dionísio. Bem que me disseram que você não era uma pessoa muito feliz.
-Quem é você?
- Sofia. A nova campista. Esse é o termo certo, não é? Estava indo para a casa grande pedir a Quíron para me acompanhar até o chalé de Apolo, não estou achando.
-Eu levo você. Vamos.
Saí na frente e olhei para trás. A menina tinha cabelos negros e pele mais branca que eu já tinha visto, seus olhos eram verdes e ela parecia italiana. Só de lembrar da Itália já me deu vontade de beber um vinho tinto. Andei mais rápido e ela me seguia.
Estávamos andando em silêncio e parei quando ouvi um barulho nos estábulos, Sofia bateu nas minhas costas e eu olhei para trás.
-Não é possível, você é cega mesmo?
-Foi você que parou do nada.
-Quieta. Está ouvindo isso?
-O que?
-Shhh. Calada.
Me aproximei dos estábulos e ela veio atrás de mim devagar. Eu abri uma das portas e lá estavam eles. Dois meios sangues deitados no feno.
Quando a menina olhou para cima e me viu, ficou vermelha como um tomate e saiu de cima do garoto que se cobriu rapidamente.
-Não acho certo vocês se agarrarem em cima de onde os cavalos dormem, e comem. Não é certo mesmo. Você acha isso certo?- Me virei para a garota que estava atrás de mim. Vi que ela prendeu o riso e disse séria:
-Nem um pouco, se fosse o contrário eles não gostariam.
-Exatamente. Levantem daí, seus animaizinhos. Aparentemente os cavalos tem mais consideração que vocês. Sumam. Não quero ver e muito menos ouvir falar de vocês por uns seis meses. Ouviram?
Eles levantaram e saíram correndo. Sofia começou a rir e eu sorri de lado. Continuamos a andar em direção ao chalé.
-Então, senhorita?
-Rossi
-Senhorita Rossi, o que está achando do acampamento?
-Até agora, tudo bem. Com exceção dos estábulos, não me parecem muito limpos - disse ela rindo.
- Temos um sério problema de infestação de pragas. Posso garantir que não irá se repetir. Bom, chegamos. Chalé de Apolo, número 7. Boa estadia, senhorita Rossi.
-Obrigada, senhor D.
Deixei a moça de pele alva e cabelos escuros entrar e logo depois de arrumar meu terno, voltei até a casa grande para uma partida de pinochle com Quíron.
∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆∆
Sofia
Ja era de manhã e eu tinha dormido bem como não dormia há bastante tempo. Me virei para o lado na cama e encarei o rosto da criança loira na minha frente. Ou eram duas crianças loiras...Eu não estava muito acordada ainda.
-Acorda, Sofia, a revista dos chalés. Você tem que acordar e fazer a cama.
-Humm, sai daqui você.
Logo em seguida eu senti a cama balançando e soube que teria que levantar. As duas crianças pareciam gêmeas e subiram para pular na minha cama.
-Quem são vocês e o que querem de mim, pestinhas? Me deixem dormir. -disse balançando junto com a cama.
-Eu sou o Wes.
-Eu sou a Ruby. E você tem que levantar para a inspeção dos chalés. Estão no chalé 4 agora, você tem que se apressar.
Eu peguei o braço dos dois e puxei eles para fora da cama. Levantei e arrumei os lençóis. Fui até o banheiro e tomei meu banho. Depois da inspeção, Wes e Ruby, que descobri, eram meus meio irmãos, me levaram até o refeitório. As mesas eram compridas e todos comiam e conversavam. Eu sentia o cheiro de uma variedade absurda de comida e no meio daquilo tudo um cheiro delicioso de hambúrguer. Será que era errado comer hambúrguer no café da manhã. Se fosse errado eu não queria estar certa.
-Então, quantos anos vocês têm?-perguntei para as duas crianças à minha frente enquanto mordiscava um pedaço do meu sanduíche.
-seis anos.
-Seis anos e meio, Wes.
-Isso, seis anos e meio. Somos praticamente adolescentes.
-Vocês foram reclamados muito cedo, né?
-Foi preciso. Quando nossa mãe morreu, papai entrou em contato com Quiron e pediu uma equipe para nos salvar, logo depois nos reclamou como filhos para nos proteger. Nós moramos aqui no acampamento.-Ruby contou a história de uma maneira mecânica, o que me fez perceber que não era a primeira, muito menos a segunda vez que contavam essa história.
Eles andaram comigo pelo acampamento e me mostraram tudo. Wes gostava de dar a mão para mim, Ruby gostava de correr sozinha. Eu era bem mais velha que eles. Papai não tinha me reclamado até hoje. Penso o porquê. Nenhuma teoria que eu tinha criado até o momento fazia qualquer sentido.
Algumas horas depois tinha passado pela minha primeira aula de arco e flecha sem morrer. Eu fui boa o bastante para o meu gosto, mas quando busquei a aprovação das duas crianças loiras, elas fizeram uma cara f**a e um sinal de negativo com suas mãozinhas pequenas.
-O que foi? Eu acertei o alvo.
-Tudo bem. Você foi bem para a primeira vez. -Wes disse levantando e pegando o arco da minha mão. Me preocupei com ele segurando aquela flecha, mas ele me provou que sabia o que fazia quando a flecha voou e acertou a minha flecha, cortando-a ao meio.
-Como você conseguiu fazer isso?-perguntei assustada.
-Nós treinamos com o arco desde os 5 anos. Quiron ajudou a gente no começo. E agora vamos ajudar você.-Ruby disse levantando e vindo na minha direção. Ela pegou o arco da mão de Wes e acertou o meio das duas flechas.
-Eu sei que vocês são bons, mas tem realmente a necessidade de partir as flechas ao meio? Desse jeito vão acabar com todas elas - eu disse rindo e mudando a conversa para outros assuntos. Eles treinaram comigo e depois da aula fomos para a arena onde Quiron nos daria aula de mitologia. Eu estava bem atrasada e descobri que metade das poucas coisas que eu sei sobre o assunto não são verdadeiras. Eu sempre agarrada as duas crianças que me explicavam as coisas aos sussurros quando eu não entendia.
Durante a janta no refeitório estava sentada na mesa de Apolo que estava completamente abarrotada de gente e percebi o Senhor Dionísio olhando para mim. Era um pouco estranho chamá-lo de senhor, já que a aparência dele era de alguém com 25 anos, no máximo, mesmo que eu soubesse que ele era bem mais velho que isso, é claro.
Ele me encarava profundamente, seus olhos eram de uma cor violeta puxado para o azul, eram muito bonitos. Quando ele viu que eu também o encarava e nossos olhares finalmente se cruzaram, Dionísio desviou o olhar e arrumou o terno, retomando a conversa com Quíron. Não sabia o que aquilo significava, mas deixei passar. Afinal, pelo que todos diziam, ele era doido de pedra. Não fazia muito sentido entender o que se passava na cabeça dele. E eu não me atreveria a tentar.