Capítulo 3

1363 Words
P.O.V Olívia Eu podia sentir seu olhar queimando sob minha pele, sua respiração pesada ficou audível quando desliguei o chuveiro, sorri vitoriosa mantendo minhas mãos contra a parede. Respirei fundo ainda sentindo meu corpo extasiado depois daquele orgasmo, por um segundo esqueci que era só uma provocação e desejei que realmente fossem seus dedos dentro de mim molhados por minha excitação ao invés dos meus. Liguei o chuveiro novamente sem me atrever a olhar para trás, terminei o banho calmamente levando um tempo a mais só para me recuperar e então sai do banheiro apenas de toalha, a porta do seu quarto estava aberta mas não me atrevi a olhar. Fui até meu quarto, coloquei uma lingerie preta com renda, passei o perfume que ela adorava e desci com o celular em mãos para comer, eu não sabia se ela estaria lá na cozinha mas precisava aproveitar toda oportunidade. Sentei na cadeira observando algumas mensagens ainda não lidas. "Valerie: Aparecer de biquíni funcionou? O bêbado do Jonh me contou" Li a mensagem da minha irmã e logo revirei os olhos, contei em poucos detalhes que havia colocado um plano mais ousado em ação e estava esperando resultados ainda, ela claramente me apoiou assim como o Oliver quando soube. - Ei. - olhei para cima encontrando a ruiva parada ao meu lado com os olhos fixos em seus dedos que mexiam-se sem parar, sinal de que estava nervosa. - Bom.. É que.. Não acredito que ela está com vergonha... Um ponto para mim! - Você quer alguma coisa? - perguntei tentando motivá-la a falar, mas sua falta de contato visual dificultava tudo. - Bom.. - ela coçou a nuca sorrindo sem graça. - Não era nada não, deixa pra lá. - ela me olhou por uma fração de segundo e então desapareceu da cozinha. Mas que diabos foi aquilo? Passei a mão em meus cabelos frustrada, ela deveria estar seduzida, desnorteada, atraída, excitada ou sei lá o que, mas não, ela resolve ficar sem graça e com vergonha, até parece que nunca me viu nua, e ela sequer notou minha minúscula roupa provocante. Vai ser mais difícil do que pensei. - O que faço para atentar seu juízo? - murmurei sozinha tentando clarear minha mente. Desistindo de comer fui para meu quarto, eu precisava traçar um plano de verdade já que com a Natalie poucas ações não bastam. Me joguei na cama suspirando, eu precisava me esforçar de verdade, isto não era um jogo, é uma batalha que preciso ganhar. ... Acordei sentindo um insuportável calor, encarei a coberta sobre meu corpo não me lembrando de quando havia a pegado, me arrumei rapidamente para o trabalho tentando sair um pouco mais cedo para não esbarrar com a ruiva, eu não queria ter aqueles olhos cor de mel cheios de vergonha me encarando como se tivesse cometido um crime. - Bom dia! - arqueei a sobrancelha vendo-a parada na porta do meu quarto com uma xícara em mãos, ela ainda não me olhava nos olhos o que era frustrante. - Bom dia. - respondi estranhando o fato dela ainda não estar totalmente vestida para o trabalho visto que usava apenas uma regata branca que ficava por baixo do uniforme. - Café? - ela estendeu a xícara para mim com um sorriso amigável. Aquilo era remorso? - Eu queria dizer que.. - levei o café a boca esperando que ela parasse de enrolar tanto. - Eu te vi ontem.. - ergui os olhos da xícara para encará-la. - Nua e se masturbando. - aproveitei que ela não poderia ver e sorri. - Oh.. - fingi espanto, me aproximei dela ficando a centímetros do seu rosto. - Eu gemi muito alto né, por isso você ouviu? - fiz minha melhor cara de inocente, com tamanha proximidade ela não podia desviar o olhar, era exatamente o que eu queria, e vê-la engolir a seco só tornou tudo ainda mais prazeroso. - Me desculpe, é que eu estava muito excitada ontem, mas prometo gemer baixinho na próxima. - pisquei para ela antes de me afastar um pouco. - P-Próxima? - ela murmurou parecendo atônita, eu simplesmente estava adorando. Como é difícil fazer cara de séria quando se quer rir. - Não se preocupe, não vou te incomodar. - falei antes de descer as escadas deixando-a sozinha no corredor com seus pensamentos. Terminei o café e sai para o trabalho motivada, aquele dia havia começado incrivelmente bem. Entrei no carro que a Valerie havia me emprestado por um tempo já que bati o meu e segui direto para a o Centro de Assistência Social, era próxima da delegacia e ao lado de uma sorveteira, o que para mim é perfeito. Desde que a Valerie havia ingressado na polícia eu ficava sabendo dos casos de crianças em lares ruins, vítimas de abusos, órfãs e até mesmo ignoradas pelo sistema o que me motivou a querer fazer algo. Com o apoio dos meus amigos e depois da Natalie me tornei uma intermediária para que aqueles considerados casos perdidos encontrem uma família. - Olha quem está de bom humor! - Oliver me agarrou pelo pescoço assim que entrei, deixando um beijo estalado na minha bochecha sorri ainda mais. - Eu a fisguei! - ele me soltou abrindo a boca incrédulo. - Hoje de manhã ela apareceu na minha porta toda envergonhada dizendo que me espiou no banheiro. - falei a última parte baixinho devido às crianças que poderiam estar presentes por ali. - E então? Vai rolar algo mais? - neguei rapidamente com a cabeça. - Só vai ficar na provocação? - O esquema é enlouquecer o inimigo e não dormir com ele! - me apoiei contra o balcão da recepção vendo-o fazer o mesmo. - O inimigo é gostoso e te fazia revirar os olhos em poucos minutos. - bati em sua cabeça o encarando cética. - Mas ainda é um terrível inimigo, e por falar nisso, Joseph Ryan está aqui. - Não entendi o que uma coisa tem a ver com a outra, mas o que ele faz aqui? - caminhei com ele até meu escritório, procurei com os olhos pelo homem alto e cor de bombom mas nenhum sinal dele. - Está procurando os registros de outro fujão. - ele deu de ombros como se fosse algo aleatório. - Não é a primeira vez que o Henry foge do lar adotivo e é encontrado alguns dias depois, só que dessa vez está demorando um pouco mais de ser encontrado. - Por que não me disse ontem? - perguntei tentando não soar exasperada. - Você costuma se envolver muito com as crianças e fica abalada quando algo não sai como o conforme... - Um desaparecimento não é algo que simplesmente saiu dos conformes, vai saber onde ele pode estar. - deixando-o ali mesmo sai do escritório a passos largos, eu entendia sua preocupação mas no trabalho eu não era sua melhor amiga frágil, e ao contrário do que ele acha eu sabia sim ser profissional. Adentrei a delegacia atraindo alguns olhares dos policiais na recepção, por ser conhecida fui direto para a sala onde sabia que a encontraria. - Liv? - Valerie me encarou perplexa, Jonh saiu da sala rapidamente sabendo que eu já não estava num bom dia. - Uma criança desapareceu, estava me escondendo isso? - perguntei quase que retoricamente. - Por que? - Você fica toda estressada tentando atropelar os processos policiais só para encontrar uma criança mais rápido. - ela suspirou olhando para algo atrás de mim. - Não pode salvar todas as crianças do mundo Liv. - engoli a seco sabendo que ela tinha razão. - Só tentem encontrá-lo o mais rápido possível. - murmurei virando-me para ir embora mas acabei me batendo com o corpo da Natalie que estava parada ao lado do Jonh na porta. - Ei.. Você está bem? - ela tocou o meu braço carinhosamente enquanto seus olhos exalavam preocupação mas dando um passo para o lado me afastei dela. - Não é mais da sua conta isso. - falei em tom áspero antes de ver o namorado da minha irmã recuar para que eu fosse embora. Correção, o dia está péssimo.
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