Capítulo 2

3034 Words
- Boa noite, senhorita Foster – disse a governanta. - Boa noite, Jo. – Mia respondeu caminhando pela enorme sala de sua mansão. – Algo para mim? - Algumas correspondências de rotina e um recado do senhor Maximo. - Recado do Lorenzo? – disse enquanto pegava uma bebida no balcão do bar. - Sim. Ele ligou e disse que não conseguia falar com a senhorita pelo celular. Pediu que o ligasse assim que possível. - Eu tive um dia cheio hoje. Não tive tempo para atendê-lo e sinceramente não gostaria nem se tivesse tempo livre. – disse dando um gole generoso em seu Whisky. Jo assentiu. - Deseja algo para o jantar, senhorita? - O que você decidir para mim está bom, Jo. Vou tomar um banho e já desço. - Pois não, senhorita. A água morna batia em sua cabeça enquanto ela soltava um gemido de alívio. O dia foi tenso e cheio de acontecimentos, segundo ela, interessantes. É claro que Mia já havia reparado o quão bonito Steven era. Claro que já havia se sentido atraída, mas não daquela forma, nunca naquela intensidade. Há três anos Steven começou a trabalhar na empresa; assim que Mia assumiu os negócios da família. A própria quem o contratou. Precisava de alguém competente ao seu lado, mais que isso, precisava de um braço direito, e logo que o conheceu na entrevista percebeu em Steven essas características. Ele tinha pulso firme, mas era obediente. Era sutil, mas veemente. Tinha um currículo brilhante e algumas excelentes referências. Era perfeito para o cargo. Mia logo o tornou o que pretendia que ele fosse. Seu braço direito. Fizeram uma amizade sutil, Mia o tratava com os cuidados de um familiar, mas sem o sentimentalismo que esse tipo de laço requer. Havia notado o quanto ele poderia ser atraente, mas tanto assim? Como nunca tinha percebido isso? Mia tinha se forçado a fechar seus olhos para Steven até aquele dia. Mas assim que se abriram ela não conseguiu mais fechar. Ela sorria enquanto se ensaboava, balançando a cabeça em negação. Só poderia estar ficando louca. Será? * Estava em casa e se sentia à vontade para relaxar. Usava roupas casuais e bastante confortáveis. Andava descalça quase que o tempo inteiro e tratava seus empregados com bastante sutileza e amizade. Eram os mesmos funcionários desde que era criança; exceto George, que trabalhava com ela há menos tempo. Após o jantar, Mia relaxava em seu confortável sofá na sala. Analisava documentos do trabalho em seu notebook enquanto bebericava uma taça de vinho quando ouviu o toque do seu celular. Olhou a tela e fez uma careta de desgosto ao ver quem era. - Lorenzo, meu querido! Como vai? – disse ao atender. - Minha bela! – Falou com seu sotaque italiano. - Estou bem e com saudades. Como vai você? - Estou ótima, obrigada. - Anda muito ocupada ultimamente? Não tem mais tempo para os amigos... - Minha vida não é a mesma, Lorenzo. Tomo conta de uma empresa agora, esqueceu? - Não, não me esqueci. Mas gostava mais de uns anos atrás quando sua única preocupação era qual seria a sua próxima viagem pelo mundo. Era bom te acompanhar, comemorar a vida com você. - Pois é... bons tempos que já se foram, não é? Nada é para sempre Lorenzo, nem amor! - Naqueles tempos era, minha bela. Mas eu entendo. A vida muda, as pessoas também. - Sim, menos você que continua o mesmo de sempre. Não vai mudar de vida não? Fazer algo de útil na sua vida, formar uma família? - Eu até gostaria, sabe? Mas não tenho obtido sucesso nas investidas com a minha futura esposa. Mas ainda não desisti, quem sabe ela não muda de ideia... Mia revirou os olhos e deu um sorriso amarelo. - Lorenzo, agora eu preciso desligar. Ainda tenho que resolver algumas pendencias do trabalho. Outra hora nos falamos. - Você está trabalhando demais, Mia. Está irreconhecível! Até breve, minha bela. Quando eu estiver em Londres farei questão de te encontrar. - Ah, claro. Estarei esperando por você. Até mais. - Até. Ela sorria negativamente ainda com o celular na mão quando se lembrou de Steven. Pensou em ligar, mas ficou com receio de acordá-lo, caso estivesse dormindo sob o efeito dos remédios. No fundo ela sabia que estava sem jeito de falar com Steven depois dos últimos acontecimentos. Decidiu lhe enviar uma mensagem no w******p: “Boa noite, Steven. Espero que esteja bem. Preciso saber se irá para o trabalho amanhã para mandar o George ir te buscar, ou não. me avise assim que possível. PS.: Preferencialmente deve ficar em casa, pois não quero que trabalhe não estando em seu perfeito estado de saúde, mas se quiser ir não irei protestar. Att. Mia" *** - Sim, mamãe, eu estou bem. Foi só uma mordida de um cachorrinho. - Mas você foi ao hospital? Tratou do ferimento? Tomou vacina antirrábica? - Sim, mamãe. Fiz tudo isso. – Steven disse sorrindo com a preocupação excessiva da mãe. - E como está se sentindo agora? - Estou bem. Os remédios estão me deixando um pouco zonzo, mas nada demais. – disse e ouviu seu celular sinalizar o recebimento de uma mensagem. - Mamãe, agora preciso desligar. Até mais. Te amo. - Eu também amo você, meu filho. Se cuide. Steven desligou e viu o sinalizador de mensagens na tela do celular. Assim que leu ela prontamente respondeu: “Boa noite, Mia. Eu estou bem, obrigado. Amanhã irei trabalhar sim. Pode dizer para o George vir me buscar, por favor. Não se preocupe. Não estou inválido, apenas LEVEMENTE ferido. Att. Steven." Steven estava sentado em seu sofá com o celular ainda em mãos. Não havia tido tempo para pensar em tudo o que aconteceu durante o dia. Começou a se lembrar da discussão com Mia. “Onde eu estava com a cabeça?”, pensou. Ele sempre teve liberdade para bater de frente com Mia, claro, dentro dos limites possíveis. Sua chefe sempre a tratou de igual para igual, respeitando suas opiniões e seus pontos de vista. Sempre confiou muito nele. Mas dessa vez ele se alterou, admitiu a si mesmo. Não sabia como ainda estava empregado. Pelo que conhecia de Mia, se fosse qualquer outro funcionário a falar daquela maneira com ela já estaria no olho da rua. Provavelmente tenha sido o efeito das injeções e da taça de vinho. - Sempre fui fraco para bebidas. – Pensou em voz alta – Ainda bem que ela relevou. Gargalhou de si mesmo. Aqueles lábios tão próximos dos seus. O que foi aquilo? Se não estivesse sob o efeito de remédios e álcool poderia afirmar que rolou um clima entre eles. Será? Rapidamente balançou a cabeça negativamente tentando afastar aqueles pensamentos. - Eu preciso dormir. Esses remédios não estão me fazendo bem! *** - Bom dia. – disse Steven entrando na sala de sua chefe no dia seguinte. - Bom dia, Steven. – Mia o olhou seriamente – Está melhor hoje? - Sim, estou ótimo, obrigado. – Steven disse enquanto se ajeitava em sua mesa que ficava ao lado da mesa de Mia e próxima da porta da sala. - E a sua mão? - Um pouco dolorida, mas estou bem. - Deveria ter ficado em casa. Steven a encarou com um olhar reprovador demonstrando estar cansado de explicar que estava ótimo para voltar ao trabalho. Se encararam por alguns instantes e logo foram interrompidas por batidas na porta. - Com licença, senhorita Foster. – Era Beth, a secretária – Aqui estão os relatórios que a senhorita me pediu. - Obrigada, Beth. - Steven, – Mia disse assim que Beth saiu – acho que a empresa está sendo roubada. - O que? Como assim, Mia? - Roubo, crime, simplificando: alguém está desviando o dinheiro da empresa! - Steven arregalou os olhos surpreso. - Precisamos analisar esses relatórios para termos certeza, mas se minhas suspeitas estiverem corretas, temos um bandido entre nós. Steven levantou-se e se aproximou da mesa de Mia. - E como chegou a essa conclusão? – disse pegando os relatórios na mesa. - Eu venho desconfiando há alguns meses, algumas contas não batiam. Comecei a observar mais atentamente as finanças e notei que há muita coisa errada. - E você desconfia de alguém? - Obviamente, Steven. Mas até ter certeza manteremos isso em confidencialidade. - Sim, claro. Eu vou analisar com calma esses relatórios e farei um parecer. - Ótimo.   Steven tinha os relatórios em mãos, os analisando cuidadosamente. Fazia breves comentários sobre o que lia enquanto Mia apenas observava. Já tinha se perdido enquanto observava cada detalhe do seu rosto como se fosse a primeira vez que o via. - O que você acha? – Steven disse. - Sim... O que? – Mia voltou a si. - Devemos analisar os contratos também? - Sim, claro. Precisamos fazer uma varredura. – disse se levantando – Eu preciso de um café. Você quer um? - Não, obrigado. Steven se mantinha atento aos relatórios enquanto sua chefe não conseguia se concentrar. O dia seguiu dessa maneira, o que já estava irritando Mia. Ao fim do expediente ela agradecia por poder ir embora daquela situação. - Vou levar os relatórios para analisar com mais calma em casa. – Steven disse ajeitando suas coisas em cima da mesa e recolhendo os relatórios em uma pasta. - Steven, por favor! Vai passar o fim de semana analisando relatórios? - Sim, por que não? - Não tem nada mais interessante para fazer? Não deveria trabalhar em casa. - Isso é importante e não pode esperar. Além do mais, eu gosto do meu trabalho, gosto do que eu faço; e não seria nenhum sacrifício para mim. - Eu sou a sua chefe e deveria ficar feliz com isso, mas não gosto da ideia. Trabalho demais faz m*l à saúde, sabia? - Não faz m*l a partir do momento que você faz com prazer. E é sempre um prazer servi-la, senhorita Foster – disse ironicamente. Mia o observou com uma sobrancelha arqueada analisando o que acabara de ouvir. Observou o sorriso irônico no rosto de Steven e o fitou. - Boa noite, Mia. Tenha um bom fim de semana. - Boa noite, Steven. Eu lhe desejo o mesmo. – disse apontando para a pasta de relatórios em sua mão. *** Steven estava concentrado no arroz com bacon que preparava. Ainda estava refogando o bacon enquanto bebericava uma taça de vinho tinto suave, o seu favorito. Na sala, a musica tocava num volume que não incomodava os vizinhos, mas lhe permitia apreciar a letra da canção. A campainha do apartamento toca e ele acha estranho porque o porteiro não interfonou. Ao abrir olhou em uma expressão incrédula. - Boa noite, Steven. - Mia? O que está fazendo aqui? - Assustei você? – Um leve sorriso em seus lábios. - Deve ser porque é a segunda vez que você veio em minha casa em uma única semana. Em três anos que trabalho em sua empresa, você nunca tinha vindo aqui. O que aconteceu? - Eu posso entrar? Se não for incômodo. – Mia disse impaciente. - Ah, sim claro. Por favor. Entre. – Abriu espaço para que ela entrasse. - Obrigada. O que foi? - O que foi o que? – Steven a observava dos pés à cabeça.   - Por que está me olhando como se eu fosse um bicho exótico? Steven não pôde deixar de rir sem jeito. - Suas roupas. - O que têm as minhas roupas, Steven? - Nada. É que eu nunca te vi assim... tão à vontade. - Mia usava um shorts curto, uma camisa larga e sandália aberta; não pôde deixar de rir do comentário de Steven. - À que devo a honra da visita, senhorita Foster? – disse tentando mudar o rumo da conversa. - Você está tão desorientado que anda esquecendo objetos pessoais no local de trabalho. – Mia estendeu a mão mostrando seu tablet. - Ah, meu Deus! – Disse estendendo a mão para pegar. – Meu tablet?! - Pelo visto não tinha notado até agora. - Ainda não. - Quando eu digo que você anda trabalhando demais, você se irrita. - Um silêncio constrangedor tomou conta do ambiente. - Que cheiro é esse? – Mia perguntou. - Ah, não! Meu arroz com bacon! – Steven saiu em disparada até a cozinha. – Não acredito! Que droga! Queimou. - O quê? – Mia o seguiu preocupada. - Eu estava fazendo arroz com bacon e deixei refogando enquanto fui atender a porta. Achei que seria rápido; não estava esperando ninguém. - Me desculpe! - Tudo bem. – disse mexendo a panela. – Não foi culpa sua. - Olha... eu até faria um jantar para você, mas eu não sei cozinhar. - Por que isso não me surpreende? – Steven disse sorrindo ironicamente. - Eu vou relevar, mais uma vez e vou me oferecer para lhe pagar um jantar. - Não precisa, Mia. Eu dou um jeito, faço outra coisa. Não se preocupe. - Ok... Posso pedir uma pizza? - Mia... Steven m*l teve tempo de protestar, Mia já pedindo pizza através do aplicativo. - Você prefere algum sabor? *** A música ainda tocava baixinho na sala. A caixa de pizza, estava na mesinha de centro. Mia e Steven gargalhavam, sentados no tapete da sala; conversavam sobre alguma história sem importância. As duas garrafas de vinho – já no fim – em cima da mesinha acusavam a razão dos risos sem motivo aparente. - Você é maluca, Mia! Os risos continuaram por mais alguns segundos e pararam. Steven já abria e fechava os olhos com certa dificuldade, encostado no sofá. - Steven... Steven? - Sim? - Ainda está vivo? - Acho que sim. - Você não deveria misturar álcool com remédios. – Mia disse aos risos. - Eu estou ótimo! Mas não muito. Steven permanecia com a cabeça encostada no sofá. - Vou te levar para a cama. Você não está em condições de ir sozinho. Levanta! Mia também tinha bebida, mas estava lúcida. Ajudou Steven a se levantar apoiando-a em seus braços. Não haviam bebido tanto, mas o álcool misturado com os remédios analgésicos que Steven estava tomando tiveram um efeito forte sobre ele. - Eu estou ótimo, senhorita Foster. Não se incomode comigo. - Eu sei que está. Você é ótimo, senhor Harris. Os dois caminharam até o quarto de Steven. Chegaram com certa dificuldade onde Steven foi posto sentado na cama. - Steven. – Mia segurava seu rosto com as duas mãos – Você consegue se trocar sozinho? - Oi? Estou ouvindo, pode falar. – disse meio zonzo. - Suas roupas, Steven. Coloque algo confortável para dormir. Steven tirou a camisa grossa que usava e colocou uma mais leve de algodão; em seguida tirou a calça jeans e ficou apenas de cueca boxer. Não fez a menor cerimônia para se trocar em frente a Mia, o que seria bem diferente não fossem algumas taças de vinho. Steven mantinha seus olhos nela. Permanecia sério. Quando finalmente terminou de se trocar, mia falou: - Steven, agora é hora de deitar. - Eu não estou com sono, Mia. – disse sério.   - Não perguntei se está com sono. Disse que é hora de deitar. - Você quer me beijar? – Perguntou olhando dentro dos olhos de sua chefe. - O que? – Mia ficou parada ao ouvir aquilo – Você não está em seu estado normal, Steven. Steven sorriu aproximando-se da orelha de Mia onde sussurrou. - Me beija? Mia sentiu seu corpo estremecer. Fechou os olhos e arfou tentando se reprimir e afastou-se. - Você está bêbado. Vem para a cama. – disse encaminhando o rapaz. Mia o deitou na cama e sentou-se ao seu lado, ajeitando seu travesseiro. Steven sorriu fechando os olhos e caiu no sono. Mia ficou o observando por alguns instantes. - Eu preciso sair daqui. – disse a si mesma se levantando e saindo. Ajeitou algumas coisas pela casa; deu uma limpada rápida na sujeira da sala onde viu o celular de Steven sobre a mesinha de centro. Pegou-o e foi até o quarto o depositando sobre o criado mudo ao lado dele. Deu uma última olhada no rapaz, puxou sua coberta para cobri-lo e foi embora. Já em seu carro particular, a caminho de casa, ela não parava de pensar nos acontecimentos daqueles dois últimos dias. - O que é que está acontecendo com você, senhorita Foster? – sussurrou a si mesma – Eu só posso estar ficando louca! O som do carro soava baixo, uma música qualquer tocava na rádio. - Você não pode e nem deve. – Continuou pensando alto – Pelo amor de Deus, Mia, ele é seu assistente! Mais que isso, ele é meu braço direito. Esquece isso! Mia aumentou o volume do som do carro e acompanhava a música, tentando abafar seus pensamentos, enquanto dirigia de volta para casa. *** Observações Finais: (LEIA COM ATENÇÃO) Publiquei o livro em inglês e agora que passei para o português, estou revisando gradativamente por conta de alguns erros que podem surgir. Não passe para o próximo episódio ainda. Estará atualizado somente em 29/10/21. Prezados Leitores, Peço que leiam com atenção este pequeno texto. Ninguém é obrigado a ler o que escrevo, mas se você decidiu ler, peço que atente às notas finais que serão deixadas no término dos episódios. Faço um tratamento de saúde e por essa razão, demoro um pouco mais que o normal para revisar os livros. No entanto, sempre deixo uma mensagem no final do episódio indicando quando estará atualizado para que vocês não gastem moedas desbloqueando um episódio que não está pronto para ser lido. Escrever me ajuda a esquecer um pouco todo o drama que estou vivendo, mas ultimamente, devido a esses comentários, estou repensando se vale mesmo a pena continuar. Não estou pedindo elogios; estou pedindo um pouco de empatia. Apenas isso. Não vai doer nada em você se precisar esperar alguns dias até sair o próximo episódio revisado Estou escrevendo essa mensagem a vocês porque estou cansada de receber tantos comentários tóxicos. Todos os dias tem alguém deixando um comentário grosseiro a fim de me ofender ou diminuir o meu trabalho. ***
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