O Contrato de Victor

1184 Words
Aquele beijo me colocou dentro de um transe. Era como se o mundo ao meu redor tivesse parado de existir e meu corpo ficou paralisado. Ele desatou o meu avental e começou a tirar minha blusa, enquanto beijava meu pescoço. Mas, a partir desse momento, um sinal de alerta surgiu na minha mente, o que me fez recuperar a consciência e reagir. Eu: Para… não, o que você tá fazendo…!? Ele não parava. Então, dei um chute forte com o meu joelho entre suas pernas. Victor: Ai! Victor me soltou na mesma hora, se contorcendo de dor. Eu não sou uma pessoa violenta, mas eu não estava preparada para fazer esse tipo de coisa naquele momento, ainda mais com alguém que nem conhecia direito. Victor: você… porque fez isso? Eu: ainda pergunta? Victor: hurr… eu achava que você estava gostando… Eu: achou errado. Eu quero ir para minha casa. Não quero mais ficar aqui nenhum minuto! Depois de dizer isso, saí correndo pela porta, enquanto arrumava minha blusa e meu cabelo bagunçado. Victor: Isabella! Volta aqui! Escutei ele gritando meu nome, enquanto eu corria para o salão. Fiquei confusa por ele saber meu nome, eu ainda não tinha dito para ele. Parei em frente a porta do salão, frustrada, pois ela estava trancada. Um certo desespero tomou conta de mim, eu apenas queria ir para casa. Então, vi ele andando até mim, já recuperado do chute que havia levado. Victor: Isabela, não seja burra. Já é noite, é perigoso lá fora. Eu: Como você sabe meu nome? Victor: tá escrito no seu crachá. Só então me lembrei do pequeno crachá que usava em cima do peito. Eu: porque você se importa comigo!? Tudo o que eu sou para você é um pedaço de carne! Você só quer t*****r comigo e nada mais! Tá escrito no seu rosto desde o primeiro minuto que você me viu! Mas, eu não sou esse tipo de garota, se você pensou isso, está muito enganado! Victor ficou olhando para baixo por alguns segundos, com as duas mãos apoiadas no quadril. Ele parecia estar pensando em algo muito importante. Então, levantou a cabeça e olhando firme para mim, falou. Victor: quero que você seja minha noiva. Eu: o que!? Victor: Quero que seja minha noiva. Melhor, quero que se case comigo. Eu fiquei por alguns segundos olhando para ele, esperando que ele dissesse que aquilo era algum tipo de brincadeira, mas quando vi que ele não falou nada, fiquei nervosa. Eu: v-você não pode estar falando sério... Acabamos de nos conhecer! Ele sorriu coçando o queixo e começou a andar até mim, enquanto eu me afastava. Victor: isso não importa. Vamos nos conhecer muito bem depois de casados. Eu: e-eu não vou me casar com você! Victor: porque não? Eu: porque eu não quero! E-eu não gosto de você. Pude ver a surpresa tirar o sorriso do seu rosto. Parecia até que aquela era a primeira vez que alguém rejeitava ele. Ele me olhou com tanto intensidade que achei que ele ia me matar ali mesmo. Victor: como...como pode me recusar com tanta facilidade? Você sabe o quão importante eu sou? Você tem ideia da vida que pode ter ao se tornar minha esposa? Eu tenho relógios que valem mais do que você ganharia a vida inteira! Eu: prefiro ganhar dinheiro de uma maneira honesta… Disse, convicta. Isso era verdade, eu não sabia muito sobre a máfia, mas podia imaginar que o dinheiro dele não tinha uma boa origem. Victor: Há! Eu já conheço essa tática. (ele riu debochando) Eu acho que você ainda não entendeu direito, garotinha, então vou explicar melhor. Eu tenho uma proposta para você. Eu: proposta? Victor: um contrato, mais precisamente. Ao dizer isso, ele tirou de dentro do bolso do terno, um papel branco dobrado. Ele então, desdobrou o papel e o entregou para mim. Eu peguei o papel e comecei a ler. Tinha muitos textos difíceis e no final, uma linha em branco para assinatura. Na verdade, eu não entendi nada do que estava escrito, além do título, que dizia: contrato de casamento. Meu sangue gelou ao ler aquilo. Victor: eu preparei esse contrato muito antes de conhecer você, logo após a morte do meu pai. Eu: eu não estou entendendo… (disse, olhando para ele) Victor: ao assinar esse contrato, você concorda em ser minha esposa apenas por um mês e depois, nós nos separamos e estamos livres para sempre um do outro. Obviamente, você vai receber um excelente valor em dinheiro como recompensa. Eu nunca tinha escutado algo parecido com aquilo em toda a minha vida. Fiquei sem saber o que dizer. Aquilo era realmente verdade? Victor: então? Não vai dizer nada? Olhei para ele, segurando o contrato na mão. Ele parecia bastante relaxado, podia até ver um pouco de diversão no seu olhar. Ele era acostumado a fazer isso? Eu: porque você me escolheu para isso? Victor: bem… digamos que você me interessou muito. Você devia se considerar uma privilegiada. Eu já conheci muitas mulheres mas, nenhuma me chamou tanto atenção quanto você. Muitas mulheres até tentaram, mas… não achei boas o suficiente para casar comigo. Me segurei para não vomitar com seu jeito arrogante e seu sorrisinho sarcástico enquanto falava isso. Eu: por favor, me poupe… caso eu aceite, quanto eu ganharia com esse contrato? Victor: 1 milhão de dólares. Meu coração parou nesse momento. Ele falou sério? 1 milhão de dólares? Isso me faria milionária a vida inteira! Eu: isso é…muito dinheiro! Porque está fazendo isso? Você não pode se casar igual a todo mundo? Victor: Quem disse que eu quero me casar? É óbvio que não. Mas, depois que meu pai morreu, as coisas mudaram por causa de uma tradição que existe na minha família. Pela tradição, nenhum herdeiro pode assumir controle da herança, antes de se casar formalmente. Eu: nossa, que coisa antiga… Victor: também acho, mas ninguém pode ir contra a tradição da família De Santi. Nem mesmo eu, o herdeiro declarado. Fiquei pensando por alguns segundos, olhando novamente para o pedaço de papel na minha mão. Aquele era apenas um pedaço de papel, mas parecia mais pesado que eu. Eu: eu estou entendendo agora, mas.. ainda não sei se posso confiar em você. Victor: Eu também não confiaria em mim se fosse você. Pode ir para casa e pensar melhor no assunto. Fique com o contrato. Eu vou mandar um dos meus motoristas levar você para casa. E caso você recuse, eu não vou insistir. Eu não pensei em recusar, pois eu não sabia onde estava e não podia chegar em casa sozinha. Então, fui obrigada a aceitar a carona. No caminho de volta para casa, eu me senti muito sozinha e confusa. Um lado meu me dizia para nunca mais ver Victor De Santi novamente, enquanto outro lado ainda sentia o calor do seu beijo na minha boca.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD