Victória fica doente e Nigel viaja sem avisar

1788 Words
Acordei no dia seguinte com muita dor de garganta e tossindo muito, minha mãe veio até meu quarto para me acordar, "Victória!?", Mamãe pôs a mão na minha testa, "Ah!... Você esta com febre!". "Eu estou bem!", disse tossindo muito, "è só tosse mãe!". "Não querida!", ela se levantou e foi até a cozinha, eu voltei a cochilar e fui acordada com uma xícara de chá e um comprimido para febre, "Vai ficar em casa hoje!". "Eu tenho aula"... "E acha que vou deixar você ir para a escola assim!?", minha mãe sorriu, "Deite-se e descanse!". A janela do meu quarto estava aberta, resultado de ontem à noite quando voltei e não consegui fechar, minha mãe foi até ela e a fechou estalando a língua na boca, "Você saiu de novo ontem à noite?". "Não!... Eu só fiquei olhando para o tempo lá fora e não consegui fechar a janela!", a olhei, minha mãe não parecia convencida disso, respirou fundo. "Victória!... Eu sei que está apaixonada por seu primo... E acho que você deveria esquecê-lo meu anjo", minha mãe acariciou meus cabelos, "Sua tia Ema não vai aceitar nunca esse namoro!". As lágrimas vieram à tona, eu me encolhi nas cobertas, o que tivemos ontem a noite foi lindo e nunca mais minha vida seria a mesma e eu não conseguia imaginar minha vida sem Nigel, ele era tudo para mim, minha mãe me abraçou e acariciou meus cabelos, "Eu sei que é difícil!... Mas dentro de quatro meses ele vai para a universidade e de qualquer jeito terá que esquecê-lo. "Não quero esquecer mãe!", á olhei cheia de dor e tristeza!". "Mas ele tem namorada e sua tia disse que ele vai leva-la com ele!". Não disse nada, pois a namorada era eu, e seguiria com ele dentro de quatro meses, fechei meus olhos e deixei as lágrimas rolarem, minha mãe beijou meus cabelos e saiu me deixando sozinha, levantei o colchão e peguei a cartela de pílula e tirei o comprimido e enfiei na boca e tomei com o gole do chá e guardei novamente e me deitei, olhei pelo meu quarto, eu não podia desistir de Nigel e sei que ele também não iria desistir de mim, algo de muito grave teria que acontecer para nos separar, liguei o rádio e fiquei escutando as musicas e relembrando o que vivi com Nigel e o modo como fizemos amor e suas palavras sussurradas e roucas no meu ouvido e lembrar de quando gozou, meu ventre se contraiu, eu queria repetir tudo aquilo de novo, queria ter Nigel no meus braços novamente, no fim acabei dormindo. Fiquei cinco dias de cama e cinco dias sem ver Nigel, não sei o que era pior, ficar em casa sem fazer nada ou sem Nigel, pelo menos indo para a escola eu conseguia vê-lo e combinar para nos encontrar, me sentei na varanda enrolada no cobertor e fiquei olhando o tempo passar, e vi a pick-up do meu tio Oliver se aproximando e senti uma emoção enorme, torcia para que fosse meu primo e minha tia, mas me decepcionei, era apenas meu tio Oliver trazendo a lenha para nós, subiu a escada da varanda e beijou meus cabelos, "como você está minha querida?". "Melhor tio!... E os meus primos!?", perguntei na esperança de receber noticias de Nigel. "Ah!... Estão bem!... James e Nigel foram para Washington conhecer a universidade, mas acho que Nigel vai para Harvard mesmo!", titio se sentou ao meu lado e sorriu, "E você?". "Eu?", o olhei surpresa, passei a mão pelos cabelos, mas nem tive tempo de responder. "Ela vai para o curso de enfermagem no começo do ano e vai trabalhar no hospital de Martinsville!", mamãe se sentou ao meu lado e acariciou meus cabelos e sorriu para meu tio. "Eu vou para Washington estudar medicina tio!", disse séria. "Primeiro vai fazer enfermagem e ver se consegue lidar com doenças!", disse minha mãe convicta de que iria aceitar, revirei os olhos. "Qual é o problema de querer fazer medicina?", á encarei chateada. "Por que eu não quero que se arrisque lá fora, e você é nova demais para se aventurar assim!", ela puxa meus cabelos para traz, "Veja seus primos!... Eles ficaram dois anos aqui ou mais até decidirem o que realmente queriam fazer!". "Eu não sou meus primos mãe!", bufei e me levantei puxando meus cabelos que ela segurava, "Eu vou para Georgetown". Entrei batendo o pé, ela não podia controlar minha vida desta forma, e eu iria perder Nigel e era uma coisa que não podia aceitar ou deixar que acontecesse, eu tinha que ter controle de minha própria vida e não podia deixar de fazer aquilo que queria por seus caprichos, escutei minha mãe chorar enquanto conversava com meu tio Oliver, ele pedia calma. "Eu não posso abrir mão de minha filha agora Oliver!... Eu quero minha família reunida... Eu quero poder ver o rostinho da minha filha antes de morrer, quero e preciso ensinar tantas coisas para ela!", mamãe chora copiosamente. "Corine!... Ela é jovem e não sabe o que está acontecendo!... Se abra e conte para ela a verdade!". "Eu não quero ver minha filha sofrer por antecipação!". E foi aí que me dei conta, mamãe estava morrendo e não queria que me afastasse, escorreguei para o chão e abracei minhas pernas, ela escondeu isso de mim! Como pode? Eu estava perdendo minha mãe aos poucos, chorei ali mesmo decepcionada e triste, ela não confiava em mim, sua única filha, sequei as lágrimas e segui para o meu quarto, eu teria que abrir mão dos meus projetos para ficar com minha mãe, Nigel teria que entender isso, eu o esperaria até poder seguir com ele, me sentei na cama e deixei a dor corroer meu coração, eu não queria perder as duas pessoas que mais amava, era difícil de escolher entre os dois, mas Nigel estava vivo e tinha condições de viver o resto da minha vida com ele, respirei fundo e segui para a cozinha, fiz um chá para mim e para minha mãe e levei para ela na varanda, meu tio já tinha ido embora, nos sentamos na cadeira de balanço e ficamos abraçadas e tomando o nosso chá caladas. No dia seguinte segui para a escola como sempre fazia, mas o vazio dentro de mim e a decepção estavam instalados, não sabia o que fazer para amenizar aquilo, entrei na escola calada, segui para meu armário, desta vez não existia quem me impedisse para pegar minhas coisas, mas Rômulo estava do outro lado da parede encostado olhando para mim e conversando com seus amigos, ao me virar tive que torcer a boca, ele estava com o queixo roxo, pedi desculpas sem emitir som e vi um leve sorriso transparecer naquele rosto carrancudo e segui para minha sala, era segunda e precisava copiar a matéria da semana que faltei, por um bom tempo fiquei olhando para fora tentando imaginar o que James e Nigel estariam fazendo na cidade grande, eu mesmo era louca para conhecer e saber como viver em uma grande metrópole, com pessoas apreçadas e o cheiro do dinheiro correndo entre os dedos, mas não fazia a mínima ideia do que poderiam estar fazendo, voltei minha atenção a aula e foi assim até o final dela, sair e não encontrar Nigel me esperando foi outra decepção, até que minha atenção foi chamada. "Victória?!", escutei a voz de Rômulo a traz de mim. Me virei, "Oi Rômulo", ajeitei meu cabelo para traz da orelha, tentei sorrir, mas estava envergonhada. "Ah!", Rômulo me olhou sem jeito e levou a mão para a nuca e sorriu tímido, "Eu queria pedir desculpas pela ousadia daquele dia... Eu não sabia que tinha namorado!". "Não!", chacoalhei a cabeça, "É meu primo... É que ele tem ciúmes e cuida de mim como uma irmã!". Rômulo abriu um sorriso enorme e relaxou os braços. "Ah!... Então posso convidar você para um sorvete aqui no shopping?", ele estava todo bobo na minha frente, tive que rir ao perceber que se sentiu mais relaxado. "Tudo bem!", disse me virando e cedendo minha companhia para ele e caminhamos para fora da escola, nos olhando e sorrindo, desta vez não existia um coro a traz de nós e me senti muito melhor assim. "Me deixe levar seu material!", Rômulo pegou meu material e colocou embaixo do braço e pegou em minha mão. Olhei e comecei a rir, "Não pense que vou namorar com você!". "Por que não!?... O que eu tenho de errado?!", ele parou no meio da rua e girou nos calcanhares com os braços abertos se exibindo, era um rapaz forte, muito bonito de cabelos pretos e espetados e bem malhado, Rômulo era do time de Futebol Americano, tinha um porte de dar inveja e não sei como Nigel conseguiu derruba-lo. Comecei a rir pela sua exibição e peguei em seu braço e o fiz andar novamente, ele me olhou achando divertido, respirei fundo e o olhei com um sorriso torto, "Eu não estou a fim de ter que lidar com a concorrência... Então é melhor sermos amigos mesmo!". "concorrência?!", ele me encarou franzindo o cenho. "Sim!... Como Annabella, Sophia, Maryl, e entre outras que não sei o nome!", joguei meu cabelo para traz e o olhei, ele sorria vitorioso, ele sabia o quanto era bonito. "Eu sei ser exclusivo se você for minha... Exclusivamente minha!", Rômulo me fez parar e me pegou pelos braços, meu material continuava com ele, "Então?". "Vamos devagar!", torci a boca, "Eu tenho três primos e um pai ciumento!". Rômulo me soltou e fez uma carta e passou a mão pelo rosto, e voltamos a caminhar, e entramos no shopping, pegamos duas casquinhas e nos sentamos, e começamos a conversar, Rômulo estava no ultimo ano assim como eu e tinha seus sonhos assim como de todos os jovens, em três meses faria teste para um grande time que no momento não quis revelar, ainda estavam em negociação, por isso o segredo, percebi em Rômulo que era um rapaz legal, atencioso e divertido, mas que se gabava e muito de seu físico e de sua beleza, eu não curtia aquilo, eu gostava de rapazes como Nigel, sabiam o poder que tinham na sua beleza, mas se mantinham neutros, ri muito com o que me contava sobre os bastidores por traz dos jogos, dentro de três dias teria um campeonato e me convidou a ir, mas eu iria começar minhas aulas de direção e não sei se meus pais deixariam que eu fosse sozinha, ele torceu a boca. "Consigo ingresso para seus primos!", ele deu uma bela mordida na casquinha de seu sorvete me olhando e esperando uma resposta. "Tudo bem!", disse sorrindo.
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