Um domingo dificil

1749 Words
No domingo acordei com a insistência da campainha, escorreguei para fora da cama e desci as escadas correndo, era difícil alguém me acordar assim, Ash praticamente veio a traz de mim também preocupado, amarrei a faixa do meu hobby e abri a janela da porta, bufei, "Becky! Quer me m***r de susto!", abri a porta, mas minha amiga não estava bem, ela tremia da cabeça aos pés, a coloquei para dentro, ela m*l conseguia andar e desabou no sofá chorando, "O que foi?", fiquei apavorada e olhei para Ash, "pegue um copo de água, por favor?". "Tudo bem!", ele passou por mim em direção à cozinha e logo me trouxe um copo com água. "Tome!... vai fazer bem a você!", esfreguei minhas mãos em seus braços para acalma-la, não estava no seu normal e esperei que parasse de chorar, ela olhou para Ash e percebi que ela não queria ele ali, me levantei e peguei no braço dele, "No deixe a sós!... Volta para cama e dorme mais um pouco!". "Se precisar de mim é só me chamar!", ele estava visivelmente preocupado, mas acabou subindo. "Me conte o que aconteceu?", sentei ao seu lado e a puxei para meus braços e a acolhi. "Dois homens invadiram a minha casa!", ela voltou a chorar compulsivamente apertando as mãos no tecido do meu Hobby, meu coração disparou violentamente, fechei os olhos imaginando o que podia ter acontecido com ela, "Um deles... Eu conhecia!... Ele me bateu e depois me amarrou"... O choro voltou a ser desolador. "Becky!... Precisamos ir à delegacia e denunciar!", eu a apertei nos braços, "Depois precisamos arrumar um lugar para você e se mudar, um lugar que ninguém saiba onde é!". "Não!... Ele disse que se eu denunciasse... que iria me m***r!". "E vai deixar isso em pune?", me revoltei, "Vai deixar que isso aconteça com outras garotas?". "O corpo é meu... Tá legal?!", ela se levantou saindo do meu abraço. Fiquei olhando para ela incrédula do que estava escutando e explodi, "Então qualquer vagabundo pode ir invadindo a sua casa, te amarrando e te obrigando a f********o sem seu consentimento e ainda com outro cara olhando ou sei lá o que fizeram juntos e você vai deixar!?", Becky tapou os ouvidos, voei sobre ela e a empurrei contra a parede, "E o seu orgulho e a sua honra aonde ficam!?". "Eles tiraram fotos minhas!... Disseram que vão espalhar"..., Becky estava perdida. "Becky?... os dois te estupraram!",disse baixinho, "Isso é crime e mesmo tirando foto ou não é crime e tem que ser denunciado... Você vai ficar aqui comigo até você conseguir um outro lugar para morar!", eu a soltei, "Mas você vai denunciar o crime!". Subi as escadas, Ash estava sentado na cama com a cabeça enfiada entre as mãos, ele escutou tudo, puxei a calça jeans e uma camiseta, um sutiã, "Pode me emprestar seu carro?". "Eu vou com vocês!", disse ele se pondo em pé, me olhou, eu estava aflita, minha respiração estava acelerada, quando parei, o olhei e desabei a chorar, ele me abraçou, eu enterrei o rosto no peito dele e gritei abafando o som, "Covardes!". Na delegacia Becky demorou para contar, estava apavorada e chorava e muito, depois fizeram exame de corpo e voltamos para a minha casa e a coloquei para dormir dando-lhe um calmante, eu e Ash tínhamos planejado em fazer um passeio de balsa e almoçar fora, no fim acabamos fincando em casa a noite, eu iria trabalhar e ele teria que voltar para sua casa, não seria bom que ficasse com minha amiga ali, ainda mais traumatizada do jeito que estava. Trabalhar sem Becky naquele turno foi muito difícil, mas eu sabia que minha amiga precisava de um tempo, comuniquei a enfermeira chefe e entreguei o atestado médico dizendo que estava doente e que estava em minha casa se recuperando, como me pediu, não contei a ninguém o que aconteceu com ela, mas fiquei arrasada, Becky sempre foi muito alegre e vinha tendo certo relacionamento com esse tal de Barney, às vezes ficavam juntos nos fins de semana, mas jamais imaginou que ele faria algo assim. Por volta das duas da manhã estava indo para o café com Adam e tivemos que voltar correndo, nossos bips começaram a disparar, a emergência começou a lotar, acidente com uma embarcação, mulheres e crianças foram lançados ao mar, "Vick?... terraço agora!", gritou Dr. Ross e disparamos para o elevador, já puxando aventais cirúrgicos da bancada ao lado, Dr. Ross ouvia pelo radio a gravidade: "Criança de aproximadamente 12 anos, corte no pescoço, perdendo muito sangue, batimento cardíacos instáveis, precisa de cirurgia imediatamente", Dr. Ross olhou para sua equipe. "Vick vai cuidar dos batimentos, Eva, você procura uma veia e já Poe o sangue para correr, Adam auxilia a maca para descemos para a cirurgia, não vamos perder essa vida!". Assim que a porta do elevador se abre o helicóptero está se aproximando, fiz minha oração e respirei fundo, odiava pegar casos como este, gravíssimos e ainda criança, m*l a aeronave se pôs no heliporto a equipe avançou e os procedimentos começaram, o menino era tão magrinho, mesmo assim subi na maca e controlei seus batimentos cardíacos e corremos com o menino para dentro, ele perdia sangue, estava branco, suas chances eram muito remotas, mesmo assim passamos três horas tentando salvar o garoto, mas acabou falecendo, o estrago em seu pescoço era profundo, deixou toda a equipe triste e desolada, fiquei com ele ali sozinha limpando seu corpinho para a chegada de seus pais, chorei copiosamente, era um dos motivos que não queria filhos, era dor demais se eu os perdesse, o Dr. Ross apareceu para deixar o corte fechado, eu o auxiliei, nos dois em silencio, no fim ele me olhou e esboçou um sorriso grato e caloroso, "Você sofre demais Vick!". "E não é para sofrer doutor!?... Ele tinha uma vida bela pela frente!". "Talvez não!", ele me disse, "o menino entrou no barco escondido e estava roubando". "Isso não é justificativa para ele ter morrido!", suspirei e passei a mão em seus cabelos cacheadinhos, "Ele só estava no lugar errado e na hora errada!... E se ele estava roubando é por que passa por necessidade!". Dr. Ross concordou com a cabeça, ele sabia que era verdade, suas roupas surradas o denunciavam, eu o levei para o necrotério e deixei aos cuidados de Western e saí, recebi vinte minutos de descanso, corri a um brechó 24H ali perto e procurei por roupinhas para o menino, eu queria vesti-lo, era o que eu podia fazer, lhe dar algo digno para poder ser enterrado, quando voltei os pais do menino entraram junto comigo, eu os reconheci por que o menino era a cara da mãe, eu fiquei ali por perto, a noticia caiu como uma bomba no colo daquela senhora e não admiti que o policial que cuidava do caso desmerecesse a criança, pedi permissão para os acompanhar até o necrotério, lá, abraçada a mãe, deixei que chorasse e acariciasse os cabelinhos do menino, a consolei de todas as formas. "A senhora me deixa arrumar seu filho para leva-lo?", pedi enxugando o rosto daquela senhorinha magrinha. "Eu não trouxe nem roupas para ele vestir!", ela disse em prantos. "Mas eu comprei algo que ele iria gostar e tenho certeza que a senhora vai gostar!", puxei uma calça social azul marinho e uma camisa branca e uma gravata, ela me abraçou e chorou. As 7h eu ainda estava preparando o corpinho do menino junto com Western, nos dois calados, às 8h o carro viria busca-lo, eu queria acompanhar o enterro, nunca uma criança me comoveu tanto como aquela, o hospital só aceitou recebê-lo por ser um menor de idade, mas ele não tinha direito ao seguro saúde, teria que ter ido para outro, mas ali era o mais próximo e não podíamos recusar. Quando saí, Ash estava a minha espera, nos abraçamos e eu contei o que aconteceu e como foi uma noite cheia, e seguimos para o cemitério, Ash e eu compramos uma coroa de flores para ele, mas não ficamos para o enterro, estava exausta e tinha Becky para cuidar, ele me deixou em casa e seguiu para o trabalho, estavam finalizando a obra da casa e eu estava louca para ver como iria ficar. "Becky?", chamei assim que abri a porta de casa, ela estava na cozinha com a boca cheia, comia algo muito bom pelo sinal, sorri alegre, minha amiga estava bem, nos abraçamos e me sentei no balcão e desabei a contar a noite difícil que foi, ela ouviu com calma e me fez um café e me serviu pão quentinho que tinha feito, depois caí na cama e dormi até as 17H da tarde, eu merecia um sono daquele. Ash chegou assim que eu desci as escadas, trazia nas mãos duas sacolas com guloseimas para tomarmos um lanche em vez de jantarmos, pulei em seu pescoço e o abracei com as pernas, estava morrendo de saudades dele, "ir para a cama sem s**o é muito r**m", disse rindo. Ash me olhou com aqueles olhos azuis sorridentes, "Está ficando m*l acostumada!", disse ele me beijando com vontade, não se importando que tínhamos mais uma pessoa presente na sala, ele me levou até a cozinha desta forma, entregou as sacolas a Becky, "Como você está?", perguntou ele. "Bem!", ela sorriu grata e abrindo as sacolas, "Minha nossa!... De quem foi o aniversário?". "Da filha da dona da casa!... Queria por que queria comemorar o aniversário na piscina!", ele torceu a boca, "Essas crianças não tem noção do perigo, tive que isolar a área e tirar tudo que representava riscos!". Ele caminhou pela casa comigo no colo e se sentou no sofá, eu fiquei agarrada a ele, estava tão dependente , passei a mão pelo seu rosto, o corte em seu supercílio ainda estava vermelho, acariciei e dei um beijinho, fazia isso o tempo todo, ele acariciou minhas pernas e apertou minhas coxas, "Descansou?". "Dormi até agora!", falei me espreguiçando, ele correu seus dedos pela lateral do meu corpo. "Quer dar uma volta comigo?", ele me encarou, seu sorriso era malicioso. "Hum!", pensei, "Quero!", respondi baixinho. "Então vá se arrumar!", ele bateu ma minha b***a. "Arrumar?". "isso!... coloque algo para sairmos e jantar fora!". "Isso lhe ocorreu agora... ou estava decidido a me levar para sair?", o olhei de lado, ele fez um bico. "Vou deixar o beneficio da duvida!", ele disse e eu o ataquei com cosegas.
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