Ciumes

2156 Words
Bia   Eu havia entrado em um estado de choque com meu sangue começando a ferver de raiva ao mesmo tempo que um lado meu tentava não surtar totalmente por estar na aula. —Toma. — Disse de uma forma totalmente séria entregando o celular para ele. —O que você acha? — Dylan me olhava totalmente empolgado com as fotos. —Sobre o que? — Eu tentava parecer plena por fora, mas eu cerrava meus punhos com tanta força que tinha certeza que já começava a machucar a palma das minhas mão com as unhas. —Eles ué! São lindos né? Olha eu tenho certeza absoluta que eles têm alguma coisa só não querem admitir! —Você acha mesmo? — Perguntei com uma voz quase de choro já sentindo meus olhos marejarem enquanto agradecia a Odin por estar escuro e ele não estar conseguindo ver a minha reação. —Claro! Olha isso Bia, esse olhar, essa risada, da uma olhada nessa pegada! Só cego não vê que eles têm uma química inegável e com certeza estão transando. — A essa altura eu respirava tão fundo que sentia que poderia sugar todo o ar do mundo para os meus pulmões, mas não seria o suficiente para me acalmar. —Eu sigo vários perfis TomMary no Ins... —TOM O QUE? —Shhh! — Disse a pessoa em nossa frente nos encarando com raiva, com razão já que a minha voz deve ter subido no mínimo dois oitavos. —Desculpa! — Sussurrei. — Tom o que? —TomMary ué, o nome do shipp deles. Quer ver as fotos? —Não! — Respondi recolhendo as minhas coisas e me levantando. —Ei... Aonde você vai? — Mesmo escuro eu sabia que Dylan me olhava com o cenho franzido. Decidi não o responder e apenas sair daquela sala o mais rápido possível sem nem ao menos olhar para trás. Andando rápido, quase correndo, pelos corredores da escola eu respirava fundo hiperventilando em direção ao banheiro feminino mais próximo que parecia nunca chegar! Quando finalmente o encontrei larguei minha bolsa no cão abrindo a torneira jogando água no meu rosto e nuca na tentativa de me acalmar antes que eu realmente tivesse um treco ali mesmo. Comecei a andar de um lado para o outro com as mãos molhadas em meu rosto sentindo que meu coração sairia do peito de tão forte que batia enquanto algumas lágrimas começavam a escorrer pelo meu rosto. Eu tentava, realmente tentava não sentir ciúmes dele com a Mary até porque eles estavam no set naquela foto. "Calma Bia, é só trabalho... É só trabalho... Não precisa surtar PELO SEU NAMORADO ESTAR AGARRADO COM AQUELA p*****a!" — Mesmo quando eu tentava me acalmar conseguia piorar as coisas mais ainda. Não adiantaria eu voltar a aula sendo que não conseguiria prestar atenção em nada então peguei meu celular e mandei uma mensagem para o Dylan dizendo que eu não voltaria para a aula que era para ele entrar no "modo copiadora" e escrever cada palavra que o professor dissesse para eu poder pegar depois. Sai do banheiro e fui andando em direção aos dormitórios a única coisa que eu queria fazer era deitar com um travesseiro na cabeça e gritar alto até toda a minha raiva passar! Quer dizer, o que eu queria mesmo era arrancar os cabelos da Mary e esfregar a cara do i****a do Tom no asfalto, mas como não dava me contentava com o travesseiro e alguns gritos abafados. Ao chegar no meu quarto joguei minha bolsa no chão e cai na cama com um saco de batatas enfiando minha cabeça no travesseiro contando mentalmente na tentativa de dissipar toda aquela raiva, mas absolutamente nada parecia adiantar. Senti meu celular vibrando no bolso de trás da calça então o peguei tendo certeza de que se tratava do Dylan, mas contradizendo todas as minhas expectativas na tela estava escrito "Tom Oi amor... — Um Tom sonolento e cansado apareceu na minha tela coçando um dos olhos. — Espero não ter te atrapalhado. —Não, eu to no dormitório... O que está fazendo acordado a essa hora? — Por mais que eu tentasse meu tom de voz saía dez vezes mais ríspido do que eu gostaria. —Gravações... — Respondeu bocejando. — Só queria ouvir sua voz antes de ir para o set... "Encontrar com a Mary..." — Pensei revirando os olhos para o meu próprio pensamento. —Tudo bem? Você parece meio brava... — Tom me olhava com o cenho franzido enquanto caminhava pelo quarto. —Tudo ótimo! Não poderia estar melhor! — Eu não podia estar sendo mais irônica. —Você não devia estar em aula mocinha? — Perguntou com um sorriso charmoso. —Devia. —E por que não está? —Porque eu não quero. —Nossa... O que foi? Você está estranha... Aconteceu alguma coisa? — Perguntou parando em frente a um espelho e pegando um pente. Olhando ao fundo eu pude ver um casaco no chão que parecia ser feminino. Enquanto eu torcia com todas as minhas forças para estar enganada, sentia meu sangue começar a ferver novamente. —De quem é aquele casaco atrás de você Thomas? — Perguntei mordendo meu lábio com tanta força que não me surpreenderia se sentisse gosto de sangue. —Thomas? — Com uma sobrancelha arqueada ele olhou para trás dando alguns passos e pegando o casaco. — Acho que é da Mary, ela deve ter esquecido aqui noite passada. Eu tive até de sentar antes de infartar ou atravessar aquela tela e enforcar ele pela naturalidade com que ele falava aquilo. —E o que o casaco dela está fazendo no seu quarto? — Meu tom de voz até tremia tamanha era a minha raiva. —Ela e o Ned vieram aqui ontem depois das filmagens... O que deu em você hoje? —Você ligou em uma péssima, péssima, péssima hora! — Respondi passando a minha mão livre no cabelo. —Desculpa então, só queria falar com a minha namorada, mas parece que ela não quer falar comigo... Olha, eu preciso desligar, mas tenho que te contar uma coisa... Droga... Ele vai terminar comigo? Por telefone? Pra ficar com ela? Calma! Calma Bia! Você tá ficando paranoica... —O que? — Perguntei receosa. —As gravações vão se estender por um tempo... Não vou poder estar aí no nosso aniversário... Droga... Aquela notícia me atingiu como uma bomba me tirando totalmente do eixo, a essa altura a minha raiva já havia se juntado com a tristeza e eu começava a sentir meus olhos marejarem com o misto de emoções. —Amor não chora por favor... — Seu semblante estava quase tão triste quanto o meu. — Eu queria muito passar esse aniversário com você e... —Você tá transando com a Mary? — As palavras simplesmente saíram da minha boca antes que eu conseguisse impedi-las. Tom parou de falar me olhando completamente pasmo com a minha pergunta repentina. Seu cenho estava franzido e ele parecia não saber o que me responder o que sinceramente me deixava mais nervosa. —NÃO! Claro que não! Por que... De onde você tirou isso? — Perguntou Por fim. —O Dylan me mostrou fotos de vocês no set... Ela tava no seu colo aí eu surtei! Você m*l me liga ou manda mensagem... —Ela é a minha colega de trabalho! E minha amiga, só isso! — Me interrompeu com um tom de voz um tanto elevado. — Provavelmente o que você viu foram fotos da gravação onde estávamos ENCENANDO. Nós já tivemos essa mesma conversa antes, eu não gosto da Mary, nós somos apenas amigos! Acha que eu trairia você? Não confia em mim? —Não confio nela! —Quando um não quer dois não transam. —Quando um não quer o outro insiste! — Disse revirando os olhos. —Olha, você não tem direito de falar nada! Não desgruda desse tal de Dylan e eu nunca falei merda nenhuma! — Eu já tinha certeza que a coisa ia ficar feia. —Da fruta que eu gosto o Dylan chupa até o caroço! Se brincar ele já bateu uma até pra você! —Isso é o que ele te diz. —Pelo menos ele se importa comigo! — Gritei já sentindo algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto. —Acha que eu não me importo com você? É isso que você acha Beatriz? —SIM É O QUE EU ACHO! Como você pode não ter nem 5 minutos pra falar ao menos que tá vivo? Já fiquei sem ter notícias suas por uma semana! —Eu tenho uma vida! E um emprego que exige muito de mim! Deveria entender isso! — A essa altura ambos já gritávamos um com o outro. —E eu não tenho...? —Não foi o que eu quis dizer... — Tom passou sua mão livre no rosto como se tentasse de acalmar. —Mas foi o que você disse! Eu to cansada disso... Tá claro pra mim que eu não tenho espaço na sua vida mais... — Disse usando as costas da mão para limpar o meu rosto. —O que quer dizer com isso? — Perguntou me olhando assustado. —Quando você voltar nós conversamos... Esse tipo de coisa se fala pessoalmente e não por telefone... —Que tipo de coisa? — Tom me olhava com o cenho franzido e um olhar preocupado. — Você quer terminar comigo Bia? — Eu não consegui respondê-lo, era óbvio que eu não queria isso, mas estava cansada de brigar por ciúmes, ser deixada de lado, e me sentir sozinha, então talvez fosse uma opção... — Olha... Nós dois estamos muito nervosos agora... De cabeça quente... Eu... Eu realmente preciso ir ao set agora, estou atrasado, mas assim que eu chegar te ligo e nós conversamos melhor... Com calma ok? Apenas assenti fungando e passando as costas da mão no nariz. —Eu te amo... —Eu também te amo... — Disse com uma certa relutância, mas sendo totalmente sincera. Tom acenou pra mim desligando a ligação em seguida. Coloquei meu celular sobre o criado mudo e deitei na cama abraçada com um travesseiro. Eu o amava tanto que até doía, não queria terminar, mas não queria mais brigar como tínhamos feito... Talvez a tensão de estar tanto tempo longe um do outro esteja começando a me afetar, na verdade, a afetar nós dois... Deixei algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto permitindo que meu cansaço me embalance aos poucos pegando no sono em pouco tempo. Acordei ouvindo alguém martelando o teclado ao meu lado, abrindo os olhos ainda totalmente sonolenta pude ver Carol sentada no chão digitando alguma coisa com seu notebook no colo. —Da pra digitar um pouco mais baixo ou quer uma marreta pra ajudar?! —Credo Bia! Que mau humor! — Carol revirou os olhos. —Desculpa... — Eu sabia que havia sido grossa com ela por estar estressada com o Tom e toda a situação que nos rondava. —TPM? —Não! Eu briguei feio com o Tom... — Disse abraçando o meu travesseiro com força afundando minha cabeça nele. — Acho que vamos terminar... —Que? Como assim?? — Carol soltou seu notebook na hora correndo para subir na cama passando a mão nas minhas costas. — Mas por que Bia? Estiquei a minha mão pegando o celular sobre o criado mudo entrando no i********: e entregando para ela, para que pudesse ver as fotos do Tom com a Mary. —p**a merda... Mas olha, eles estão no set, ele tá com o traje e tudo! Certeza que é uma cena do filme. — Ela tentava não parecer tão brava quanto eu, mas eu conseguia perceber mesmo assim. —Ele me ligou, disse que não vai poder vim para o nosso aniversário... De novo... Ai eu vi um casaco da Mary no chão e nós começamos a discutir, perguntei se ele tinha transado com ela ele falou coisas que me chateou, eu falei coisas que chatearam ele... — Respirei fundo tentando conter inutilmente as minhas lágrimas. — E-Ele perguntou se eu queria terminar e pediu para conversarmos quando ele voltasse do set... —Meu Deus Bia... — Carol deitou no meu ombro abraçando-me com força. — Você vai pedir pra terminar? —Eu não sei... — Respondi desabando em lágrimas molhando toda a fronha do meu travesseiro. — Eu só estou cansada de brigar e essa maldita distância não ajuda em nada Carol... —Pensa bem... Você não ama mais ele? —Claro que amo... —Então... O amor pode machucar as vezes... —Valeu por tentar ajudar... Eu vou tomar um banho e chorar no chuveiro. — Disse me levantando com um riso nasal pegando a minha toalha e entrando no banheiro.
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