Meu nome é Sophia Burton, uma jovem garota de 22 anos filha do renomado empresário americano Joseph Burton e da brasileira Maysa Mattos. Meu pai é um advogado muito conhecido no mundo todo por prestar consultoria para grandes empresas, e em uma de suas viagens para o Brasil, no início de sua carreira conheceu minha mãe, filha de um milionário de família tradicional em uma das festas da empresa de meu avô. Desde então, meus pais nunca mais se separaram, meu pai se apaixonou pelo Brasil e escolheu aqui para ser nossa casa. No início do casamento dos meus pais, minha mãe teve inúmeras tentativas falhas de engravidar, até que depois de 10 anos eu nasci. Acredito que vocês já possam imaginar o quanto meus pais me mimam por ser a única filha e neta de famílias tão importantes.
Sempre viajei para todos os cantos do mundo junto com eles e em cada lugar conseguia me imaginar vivendo aventuras, conhecendo pessoas e vivenciando amores. Sonho em poder viver uma vida única e especial, o que está um pouco longe de acontecer devido a proteção excessiva dos meus pais, eles sempre prezaram pela minha segurança devido nosso poder aquisitivo.
Nos últimos anos, desde que entrei na universidade para ser mais exata, venho pedindo para eles para que pudesse estudar fora do país, concluir meu curso todo de direito ou até mesmo fazer uma parte dele em outro lugar (que não perto deles), mas todas as vezes que tocava no assunto, era o suficiente para iniciar a terceira guerra Mundial dentro de casa.
Agora que estou para iniciar meu último ano da graduação, meu pai como presente por estar prestar a me formar no mesmo curso que ele, finalmente se deu por vencido e permitiu minha mudança de São Paulo para o exterior.
Estou extasiada, nem acredito que em breve poderei sentir um pouco de liberdade, livre de toda a proteção e pressão dos meus pais. Apesar de ama-los com a minha vida, sempre me senti sufocada por nunca poder curtir minha adolescência e juventude com as minhas amigas. Todas as vezes que nós saíamos para qualquer que fosse o lugar sempre haviam seguranças me acompanhando. Quando eu saia do colégio, lá estava meu segurança no portão com o motorista me aguardando. Todos aniversários eles aguardavam na porta ou entravam junto comigo quando as festas eram em locais abertos. Festas? Eram raras as que meus pais me autorizavam a ir, a não ser que eles conhecessem toda a lista de convidados.
Em acordo com meu pai sobre a minha mudança, no calor da emoção permiti que ele escolhesse a cidade e o local onde eu moraria como condição para sua autorização. O que eu não esperava é que ele fosse escolher Chicago, a cidade natal dele e cidade de uma de suas maiores filiais. E que acima de tudo, pediria para que seu amigo de infância e diretor da empresa John Mayers cuidar da minha estadia em sua própria casa com junto a sua família. Era o fim, todo meu sonho de liberdade novamente destruído por uma nova barreira de proteção criada por meus pais.
Diante todo esse escudo criado por eles na minha vida, nunca consegui namorar, pois, todas as vezes que um garoto se interessava por mim e me beijava ele se sentia incomodado por estar sendo assistido por algum dos seguranças da família. Tudo o que eu desejava era poder ir com tranquilidade a faculdade, bares, cafés, curtir as festas acadêmicas, conhecer rapazes bonitos e quem sabe encontrar um namorado.
Após concordar com todos os termos do meu pai, no dia do embarque, que deveria ser o embarque de um sonho, eu nem estava mais tão animada com a viagem. Mas, apesar de tudo estava tentando imaginar novas possibilidades e manter-me positiva com relação a nova etapa de minha vida:
- Deixa disso Sophia, ainda assim será incrível. Pensamento positivo sempre! É tudo que você sempre quis, provavelmente você terá mais liberdade do que aqui e certeza que os filhos do John serão legais- Repitia para mim mesma.
- Tudo pronto filhota, já conversei com o John e ele irá te buscar assim que pousar em Chicago. Sua mãe e eu iremos te visitar em breve, cuidado e qualquer coisa sabe que pode voltar para a casa a qualquer momento - Meu pai disse interrompendo meus pensamentos em seu português enrolado.
- Fica tranquilo Daddy, mandarei notícias sempre e ligarei para vocês todos os dias. - Ou quase todos, mas eles não precisam saber disso nesse momento. Os altos falantes fazem o último anúncio do vôo para Chigado - Parece que é a minha hora, tchau mamãe, bye Daddy. Amo vocês! Vou sentir saudades!
Após longos abraços de meus pais entrei no avião e me acomodei na classe executiva. Estava exausta e só queria e o tempo passasse logo. Depois de um bom vinho tudo o que pensava era em descansar, e foi assim, quando acordei faltavam poucas horas para o avião pousar.
Assim que desembarquei, procurei pelo John, já havia o visto algumas vezes em eventos da empresa. Meus olhos circulavam por toda a volta e nada de encontrá-lo. Até que em meio a multidão vi um homem alto, por volta de 1,85m, pele levemente bronzeada, seu cabelo castanho claro um pouco queimado pelo sol refletiam um dourado em algumas mechas e os olhos, que olhos, de um verde cativante; estava segurando uma placa com seu nome: Sophia Burton.
Me apresentei ao rapaz em inglês que também é minha língua nativa e acidentalmente soltei um pensamento em português, devido ao terno e seriedade do rapaz - Mais uma vez cercada por seguranças - O rapaz então saiu andando rapidamente sem se apresentar, e eu apenas o segui o mais rápido que consegui até o carro. Meus pensamentos estavam perturbados quanto a falta de educação dele.
Chegando no estacionamento ele tirou o alarme de uma Lamborghini e apenas sentou-se no motorista. Eu estava sem entender o porquê da falta de comunicação e da rispidez das ações dele, fiquei parada do lado de fora do carro processando tudo que tinha acabado de acontecer, até que ele abaixou o vidro da porta e se dirige a mim em português:
- Prazer Senhorita Burton, meu nome é Josh Mayers, sou filho do John. Você pode entrar no carro agora? Eu estou com pressa e sem paciência para os seus caprichos de menina mimada. - Olhando pelo retrovisor para minha cara assustada por ele estar falando português e ter entendido o que eu disse anteriormente. Ele volta a me olhar através do retrovisor - Sim, eu falo português, agora entra no carro.
Sentei no banco do carona, ao lado dele para que ele não pensasse novamente que o estava tratando como empregado e apesar do mau humor só conseguia sentir seu cheiro, era completamente delicioso e algo me fazia querer ficar olhando para ele. Seu maxilar era definido, seus cílios eram claros, quase loiros e sua boca levemente carnuda. No seu pescoço era possível observar suas veias, assim como nas mãos que estavam no volante.
Ele então quebra o meu transe abruptamente - Se você pensa que seremos amigos, você está completamente enganada, eu dei duro para conquistar o cargo na empresa e não é porque você é a filha do maior acionista que poderá assumi-lo.
- Do que você está falando? - perguntei sem entender.
- Não se faça de desentendida, seu pai nos comunicou sobre a sua participação na empresa. Se ele pensa que essa sua cabecinha vazia é capaz de assumir tamanha responsabilidade por ter o mesmo sobrenome que o dele, nós veremos durante o ano na disputa pelo cargo.
Não sei o que me chocava mais em toda aquela conversa, os planejamentos meticulosos do meu pai realizado pelas minhas costas ou todas as ofensas gratuitas que tinha acabado de ouvir.
Toda a beleza que a pouco estava admirando se desmanchou naquele momento, apenas pensava como passaria um ano morando na MESMA casa que ele, sob o mesmo teto que aquele ser inescrupuloso e troglodita. Seria impossível.