Toda a beleza que a pouco estava admirando se desmanchou naquele momento, apenas pensava como passaria um ano morando na MESMA casa que ele, sob o mesmo teto que aquele ser inescrupuloso e troglodita. Seria impossível.
Por todo o percurso permaneci em silêncio, não me dei ao trabalho de responder suas ofensas. Minha cabeça estava a milhão, quando por um instante o carro parou. Quando olhei pelo vidro, havíamos chegado. A mansão do John era maravilhosa, havia um jardim espaçoso em frente ao imóvel, uma fonte e um caminho onde havíamos passado com o carro e eu nem notara.
- Estão todos ansiosos para conhecer a princesinha - Josh falou com tom de desdém ao sair do carro.
Respirei fundo, enchi-me de coragem e sai de dentro do carro também. Na portão estava, John e duas mulheres, uma que aparentava ser sua esposa e uma mais nova que deveria ser sua filha.
- Seja bem vinda minha querida! Estávamos ansiosos pela sua chegada. - John me recebeu com todo carinho enquanto ao lado via Josh fazer caretas - Deixe que eu te apresente minha família, como você já conheceu, Josh é o meu filho mais velho, acredito que há várias coisas que vocês poderão conversar e que ele poderá te ajudar, ele é formado em direito também.
Nesse momento Josh torceu a boca e estava prestes a retrucar alguma coisa quando seu pai seguiu com as apresentações.
- Essa é a Lily, vocês possuem quase a mesma idade, ela acabou de completar 21 anos.
- Prazer Soph, estou louca para te apresentar a cidade! - Ela falou eufórica.
- Muito prazer Lily, obrigada! m*l posso esperar para conhecer tudo! - respondi contente por estar sendo tão bem recebida pelo menos por um dos irmãos.
- E está ao meu lado é minha querida esposa Mary, tudo que você precisar pode estar pedindo para ela. - Enquanto ele a apresentava ela abriu um sorriso simpático e acolhedor.
- Muito prazer Sophia, estamos muito contentes por ter você com a gente! Agora vamos entrar, Lily irá te apresentar um pouco da casa e te levar até o seu quarto. Você deve estar exausta da viagem!
- Sou muito grata pela hospitalidade, não vou negar que adoraria descansar um pouco. - disse soltando uma risada contida.
Ao entrar, fiquei encantada com a decoração da mansão. Era luxuosa e ao mesmo tempo simples e acolhedora. No hall de entrada havia uma escada lateral que levava à mezanino. Pelo que pude notar rapidamente, internamente a casa não era tão grande, dando a noção de aconchego. Adentrando na casa a sala de estar era o primeiro grande cômodo com sofás brancos. A casa era toda iluminada por luz natural que passavam por todas as portas de vidro que davam para a piscina.
- Por aqui Soph - Lily disse apontando para as escadas - Irei te levar até o seu quarto para você descansar, depois posso te apresentar toda a casa e quem sabe a noite não podemos ir jantar em algum restaurante.
- Obrigada Lily, eu iria adorar - estava sendo cordial, eu estava acabada devido ao fuso horário.
Ao subir as escadas, no mezanino havia uma sala que me parecia uma sala de TV, e atrás dela um corredor. Lily foi me levando pelo corredor e por fim paramos enfrente a uma porta.
- Tcharam!! Te apresento o seu quarto! - ela abriu a porta animada.
A decoração era linda, as paredes eram em um tom palha, com uma cama maravilhosamente confortável e cheia de travesseiros. Em frente a cama havia uma cômoda branca e em cima dela instalada na parede uma TV enorme. Também havia um espelho na lateral do quarto, que era possível se olhar de corpo inteiro e uma penteadeira. Do outro lado do quarto havia a porta que dava para o closet e para a suíte.
- Adorei a decoração! - falei encantada.
- Eu mesma escolhi - disse Lily orgulhosa. - E ainda fiz questão de escolher o quarto ao lado ao meu para caso você precise de ajuda em qualquer coisa é só estar batendo ao lado.
Ela fez sinal para sairmos do quarto e continuar a tour, ela parecia estar adorando sua missão de guia.
- Como te falei, esse é o meu quarto - e me apontou para a porta que estava aberta ao lado do meu. A decoração era um pouco mais ousada mas mesmo assim era lindo. - Ao fim do corredor fica o quarto dos meus pais e aqui temos mais um quarto de hóspedes - ela foi me levando a cada um dos cômodos enquanto os apresentava.
Na volta para meu novo quarto, notei que a porta da frente estava fechada e que ela não havia me apresentado. Ao perceber que eu estava olhando, ela foi logo se adiantando.
- Esse é o quarto do Josh, vou ter que te mostrar apenas por fora, ele é mais reservado e odeia que nós entramos no quarto dele. Pela forma calorosa que ele te recebeu, acredito que já deu para perceber que ele é um pouco difícil. Você terá tempo para conhecê-lo um pouco da forma como eu conheço, aposto que iria adorá-lo.
- Pode ser que sim - Respondi sem graça em contrariá-la. Aposto que eu e aquele boçal não seremos amigos nunca.
Ela me deixou em frente ao meu quarto para poder repor minhas energias da viagem, minhas malas já estavam todas no quarto. Entrei, fechei a porta e me joguei na cama.
- Ele é reservado por isso não pode mostrar o quarto para ninguém, até nisso ele quer chamar atenção. - falei para mim mesma de forma debochada. - Mas também, o que você quer ver dentro daquele quarto? Deve ser uma bagunça!
Quando me dei conta percebi que estava dando muita atenção para uma coisa tão pequena.
- Por que você está pensando nele? Para de ser doida menina! - Me virei para o lado, fechei os meus olhos e cochilei lentamente tentando me desvincular aos pensamentos de curiosidade a respeito do Josh.
Acordei com um barulho que parecia ser de uma moto. Ainda estava um pouco atordoada, levantei da cama e fui até a janela. Já era noite e por lá vi Josh saindo da casa com uma garota na garupa de sua moto.
Comecei então a desfazer as minhas malas até que minha barriga roncou de fome, decidi que iria procurar Lily para ver se o convite de jantar ainda estava em pé. Bati na porta ao lado.
- Pode entrar - escutei um pouco distante.
Fui entrando lentamente e não avistei ninguém dentro do quarto, até que surge Lily saindo de seu closet em um vestido vermelho. Lily tinha a pele bem clara, seu rosto parecia uma porcelana, suas sobrancelhas eram grossas de pêlos claros. Seu cabelo loiro quase branco, na altura dos ombros, bem lisos estavam nesse momento atrás da orelha enquanto ela colocava seus brincos de brilhante.
- Espero que esteja descansada, nós temos uma festa para ir! - Falou enquanto me olhava através do espelho - Você trouxe algum vestido? Posso te emprestar, tenho alguns que ficariam lindos no seu corpo!
- Festa? - Perguntei surpresa.
- Um amigo está fazendo aniversário e fechou uma boate. Como eu não tinha certeza se ia, não te falei nada mais cedo. O rapaz que estou interessada disse que vai estar lá também. Você topa?
Estava um pouco cansada ainda, porém estava ansiosa para me deliciar na nova vida. Não hesitei em aceitar o convite. Voltei até o quarto e comecei a procurar na mala pelos meus vestidos de festa, encontrei um preto curto em seda de alças finas e justo ao corpo. Suas costas eram abertas e ressaltava minha famosa "b***a de brasileira". Coloquei um salto de tiras e comecei a me maquiar. Decidi por uma pele bem iluminada, com um olho bem esfumado em tons terrosos e um gloss labial. Optei pelos meus cabelos soltos e fui até o quarto da Lily. Ao entrar percebi que ela ainda não estava pronta, ela estava passando um batom vermelho da cor de seu vestido, estava linda.
- Você está maravilhosa - Ela falou um pouco enrolado pois estava passando o batom nos lábios. - Terminei, podemos ir ?
Concordei com a cabeça e descemos até a garagem. Lily estava com a chave de seu carro nas mãos, ela tinha uma Mercedes. Entramos e fomos até o local da festa.
Confesso que estava extremamente tímida por não conhecer ela muito bem e nem ninguém da festa, apesar de em todos os momentos ela se apresentar tão legal comigo.
Ao chegar na fila da boate ela acenou para algumas pessoas e os seguranças já foram liberando nossa entrada, fui a acompanhando. No interior, a música eletrônica estava muito alta e haviam muitas pessoas. Lily me olhou e falou bem perto de mim que iria cumprimentar alguns amigos e que era para eu ir até o bar pegar algumas bebidas enquanto isso.
Fiz assim como combinamos, chegando no bar, o barman me encarou sugestivamente de um jeito levemente malicioso.
- Eu quero duas tequilas, por favor.
- Você é nova aqui? - ele me perguntou.
- Sim, como você sabe? - indaguei
- Uma beleza como a sua não me passaria despercebida. - soltou um sorriso- Você conhece o Mike, o aniversariante?
- Eu não conheço ninguém, cheguei hoje na cidade.
- Posso te apresentar Chicago se você quiser - ele falou enquanto colocava as duas tequilas no balcão.
- Não será necessário, ela já tem uma guia - Lily chegou ao meu lado e olhou para mim - Vamos, tenho alguns amigos para te apresentar.
Pegamos as tequilas e fomos em direção aos seus amigos. Todos estavam dançando e pararam um pouco para me encarar. Haviam 3 meninas e 2 rapazes.
- Essa é a Page, Rose e April - ela virou para os rapazes e começou a apresentá-los - Esse é o Drake e esse é o Adrian.
Todos me cumprimentaram e foram extremamente simpáticos. A Page era uma garota ruiva de cabelo médio liso, bem magra de aproximadamente 1,60m de altura. Rose era o oposto, era um pouco mais encorpada e alta, seus cabelos eram pretos, ondulados e compridos até a cintura, particularmente era a amiga que achei mais bonita da Lily. April aparentava ser meiga e delicada, sua pele branca ressaltava as bochechas rosadas e seu cabelo era castanho claro, ela era bem pequena por volta de 1,55m. Quanto aos rapazes, Drake era mediano, de estatura forte, moreno de olhos verdes. Típico semblante de homem conquistador e carismático. Adrian era bem alto, moreno, olhos azuis pelo que pude distinguir no escuro da boate. Sua beleza era semelhante a de modelos profissionais, o que mais tarde vim a descobrir que era realmente sua profissão.
Após conhecer todos, começamos a conversar e dançar. Os amigos da Lily eram muito legais e divertidos, estávamos nos acabando de dançar e beber doses de tequila. Em meio aos movimentos da dança frenética induzida pela música eletrônica e álcool, pude perceber que Lily e Adrian estavam bem próximos, era nítido em seus rostos o interesse. A cada fala que um proferida no ouvido do outro, eles se entreolhavam e riam. Seria o Adrian o rapaz que Lily havia comentado em sua casa? Eles formariam um casal lindo.
Aproveitei que estavam entretidos, avisei os amigos dela que buscaria mais uma rodada de doses para todos. Como já estava prevendo, o bartender realizou novas investidas, mas todas falhas. Estava me sentindo um pedaço de carne fresca aos olhos dele.
Ao voltar para a roda, percebo que Lily e Adrian não estão, Page, notando que estava circulando meu olhar pela volta chega em meu ouvido rindo da situação e me explica que os dois foram para um local mais privado. Tomamos nossas doses e continuamos dançando até que o álcool começa a subir minha cabeça e começo a me sentir zonza. Peço licença a todos e tento chegar ao banheiro no intuito de jogar uma água no rosto e reduzir os efeitos. Devido ao fato de nunca sair livremente, minhas experiências com álcool são mínimas, nesse momento estava me sentindo horrível.
No caminho para o banheiro, esbarro sem querer em alguém, ao olhar para frente vejo as costas de uma jaqueta de couro que logo se vira. O olhar que recebo é o de fúria:
- O que você está fazendo aqui? Não olha por onde anda? - Josh pergunta rispidamente.
- Sua irmã me convidou - respondo apenas isso um pouco enrolado.
- Onde ela está? - ele me pergunta aparentando estar levemente preocupado.
- Não sei, já faz um tempo que ela saiu com o Adrian. - Ele me olha um pouco preocupado.
- Vêm, vou te levar para casa - ele pega no meu braço e sai me puxando sem ao menos eu assentir. Não reluto tanto pois estava com a Lily e caso ela não aparecesse, não haveria como eu ir embora.
Cruzamos a boate inteira dessa forma até o seu exterior. Ao chegarmos do lado de fora, ele me leva até a conveniência do posto que ficava bem em frente, entra e me deixa do lado de fora. Quando ele retorna traz em suas mãos uma garrafa de água e uma barra de chocolate.
- Toma isso - diz seco - Você não vai subir na minha moto enquanto não estiver melhor.
- Eu estou bem - digo um pouco divertida.
- Assim como uma garota de 11 anos que bebeu escondida dos pais. - diz me lançando um olhar sério.
Após o breve diálogo ele caminha até a sarjeta e me puxa para sentar do lado dele.
- Vamos, bebe - ele diz apontando para a garrafa de água e volta a olhar para a frente.
Abro a garrafa e começo a beber, percebo que ele está perdido em seus pensamentos e começo a encara-lo, como é lindo, seu rosto perfeitamente esculpido, sua boca levemente carnuda parecem um anuncio de perdição. Seu cheiro é forte, amadeirado e sensual. Então, ele vira seu olhar para mim, quebrando meu transe.
- Por quê está me olhando dessa forma? - sempre sério como se fossemos inimigos mortais.
- Sua boca está suja - digo rindo, utilizando a bebedeira ao meu favor para inventar uma desculpa.
Ele apenas passa as mãos fortes nos seus lábios e nem me dirige mais a palavra. Passamos cerca de 30 minutos ali sentados, em completo silêncio, até que ele se levanta e me diz:
- Acho que podemos ir - e sai caminhando em direção a sua moto.
Fico na sarjeta o encarando chocada com o fato dele nunca aguardar minhas respostas e aprovação. Após breves segundos, levanto e o sigo.
Diante a sua Harley Davidson, ele me entrega um capacete e começa a vestir o seu já montado nela. Nesse momento me lembro da garota que vi saindo com ele de casa e minhas palavras escapam pela minha boca mais rápido do que eu as pude mediar:
- E a garota que veio com você? - Digo e ele apenas me olha e me pede para subir na moto.
Estava insegura quanto a andar de moto, nunca andei em toda na minha vida, estava procurando a melhor forma de apoiar para conseguir subir. Então que eu percebo que ele da um riso de canto de boca e me diz:
- Pode apoiar em mim. - Coloco a minha mão sobre o seu ombro e subo finalmente.
Fico um tanto quanto inibida por não saber onde segurar, mas antes que eu conclua meus pensamentos, ele arranca com a moto. Fico um pouco solta e com medo de cair.
- Segura em mim - ele me diz, obedeço passando minhas mãos pelo seu abdômen com medo de cair e ele acelera ainda mais.
Em poucos minutos chegamos a casa, o carro da Lily ainda não estava na garagem. Desci da moto cuidadosamente, e ele apenas me observava com seu olhar de superioridade. Assim que ele desceu, entreguei o capacete em suas mãos. Quando ele virou as costas para entrar na casa eu o chamei
- Josh, você pode me passar o número da Lily? Preciso avisar que já estou aqui.- Peço preocupada enquanto ele me olha.
- Ela já está sabendo, eu avisei! - ele me diz sempre mantendo seu jeito arrogante comigo.
- Outra coisa, obrigada por hoje - por mais que ele fosse daquela forma, eu não poderia deixar de agradecer.
Ele apenas entrou na casa sem ao menos assentir com a cabeça.