Dante Castellini
Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Estou casando com a mulher dos meus sonhos. Nem nos meus melhores planos eu imaginava que um dia encontraria alguém como Sophie — e menos ainda que ela aceitaria se casar comigo. Desde o início, meu avô, Lorenzo, foi contra o nosso relacionamento. Alegava que Sophie estava apenas interessada no meu dinheiro, mas ele estava redondamente enganado. Sophie nunca quis nada de mim além de amor. Sempre fez questão de pagar as próprias contas e, mesmo quando oferecia ajuda para o tratamento de seu avô, que está gravemente doente, ela recusava. Essa força dela, essa dignidade... eu a admiro mais do que consigo expressar.
Infelizmente, o avô dela não pôde vir ao casamento por causa de sua saúde debilitada. Sophie ficou arrasada, mas prometi que gravaríamos cada momento para mostrar a ele depois. Hoje é o início da nossa vida juntos. Nada — nem meu avô, nem qualquer obstáculo — vai nos separar.
Estou parado no altar, com as mãos umedecidas pelo nervosismo. O salão está decorado com rosas brancas e folhagens verdes, uma combinação que Sophie escolheu por ser simples e elegante, assim como ela. Cada segundo parece se arrastar. A música começa, e os meus olhos imediatamente se voltam para o início do corredor. E então... lá está ela.
Sophie!
O coração no meu peito dispara, e o ar parece me escapar. Ela está deslumbrante, mais do que eu jamais poderia imaginar. O vestido branco abraça o seu corpo de forma delicada, com rendas que parecem feitas à mão, desenhando padrões sutis na seda. Seus cabelos loiros estão presos em ondas suaves, com algumas mechas soltas emoldurando o seu rosto. Os olhos castanhos, cheios de ternura e algo que parece nervosismo misturado à felicidade, me deixam sem palavras. Sophie é um pouco mais baixa que eu, e sempre amei a sensação de proteger alguém que, apesar de parecer frágil, carrega uma força incomparável.
Ela caminha na minha direção com um sorriso gentil nos lábios, e, naquele momento, juro que não existe mais ninguém no mundo além dela. Não consigo desviar o olhar. Cada passo que ela dá até mim é um passo mais próximo do futuro que sonhei para nós.
Quando ela finalmente chega ao meu lado, seguro suas mãos.
- Você está linda, Sophie. – sussurro para que apenas ela ouça. Ela sorri, e eu sinto como se o universo inteiro tivesse parado só para nos contemplar.
A cerimônia passa num piscar de olhos. Antes que eu perceba, estamos trocando alianças e repetindo nossos votos. Quando o celebrante finalmente nos declara marido e mulher, puxo Sophie para um beijo suave e terno. O salão explode em aplausos, mas, para mim, só existe o sabor dos lábios dela e a promessa de uma vida ao seu lado.
Assim que o casamento se encerra, aproximo-me dela, um sorriso conspirador nos lábios.
- Tenho uma surpresa para você. – murmuro, enquanto ela entrelaça seus dedos nos meus.
- Surpresa? O que é? – ela arqueia uma sobrancelha, curiosa e divertida.
- Você vai ver… – respondo, cheio de antecipação. Sabendo que ela não queria viajar para longe por causa do avô, aluguei uma cabana em uma pequena reserva natural a algumas horas de distância. Só nós dois, isolados do mundo, para começar a nossa vida juntos da maneira mais íntima possível.
Nos despedimos dos convidados e, por fim, chegamos até meu avô. Como esperado, ele não faz questão de disfarçar sua frieza com Sophie. Nem ao menos a cumprimenta. O clima fica pesado por alguns segundos, mas Sophie, sempre elegante, dá um sorriso polido e finge que não se importa.
- Não se preocupe com ele. – digo quando entramos no carro, segurando a sua mão firme na minha.
Ela me oferece um meio sorriso, aquele sorriso triste que me parte o coração.
- Está tudo bem, Dante. Eu já esperava isso.
Ligo o carro e saímos da propriedade. A estrada que leva até a cabana é cercada por campos abertos e uma linha de árvores ao longe. A luz do entardecer pinta o céu de tons alaranjados, enquanto o rádio toca alguma música tranquila. É o tipo de momento simples que sempre imaginei compartilhar com Sophie.
Estamos conversando sobre coisas bobas — o gosto musical estranho de um dos nossos amigos — quando, por um breve momento, me viro para olhar para Sophie. Ela está rindo, e o som é como música para os meus ouvidos.
Mas então, tudo muda!
- Sophie, eu te amo… – digo, sorrindo enquanto passo os dedos pelo dorso da mão dela.
- DANTE, CUIDADO!
O grito dela me faz girar a cabeça de volta para a estrada. É tarde demais.
Um farol ofuscante surge de repente na nossa direção. Uma caminhonete invade a pista contrária, e tudo acontece em uma fração de segundo.
Eu giro o volante com força, tentando desviar, mas o carro derrapa na estrada úmida. O som dos pneus cantando no asfalto corta o ar como um grito. Sophie agarra o meu braço com força, seus olhos arregalados de medo.
- Dante!
O impacto é inevitável. A lateral do carro se choca violentamente contra a caminhonete, e o mundo ao nosso redor explode em um caos ensurdecedor de vidro quebrado e metal retorcido. Sinto o carro girar descontroladamente, como se estivesse sendo engolido por um redemoinho.
Tudo parece acontecer em câmera lenta. Vejo o rosto de Sophie por um instante — seus olhos castanhos cheios de pânico, suas mãos tentando me alcançar. Tento protegê-la, mas meu corpo não obedece. O som da batida ecoa nos meus ouvidos como trovão, e então... escuridão.
Há um segundo de silêncio absoluto, um vazio que parece se estender por toda a eternidade. Minha mente flutua em algum lugar entre a consciência e o nada. Tento me mover, mas meu corpo pesa como chumbo. A última coisa de que me lembro antes de ser arrastado para a inconsciência é a sensação da mão de Sophie se soltando da minha.
E então tudo desaparece.