Sophie Bennett / 5 anos depois
Cinco anos se passaram desde o pesadelo que transformou minha vida.
Lorenzo havia saído de Nova York levando meu filho e Dante com ele, e os jornais se apressaram em divulgar a mentira conveniente: "O herdeiro das indústrias Castellini foi para a Europa para um tratamento especializado indisponível nos Estados Unidos." As reportagens falavam de terapias inovadoras, mas eu sabia a verdade. Eles fugiram com o meu filho para garantir que eu não pudesse encontrá-lo. Dante e seu avô se certificaram de cortar qualquer laço que eu pudesse ter com filho. Meu coração foi despedaçado e enterrado no momento em que Lorenzo tomou meu filho dos meus braços.
Nos primeiros meses após sua partida, a depressão me engoliu. Era como se eu vivesse em um nevoeiro constante. A única razão para eu continuar foi meu avô, a única família que me restava. Cuidar dele me obrigou a me levantar da cama todos os dias. Mesmo quando tudo parecia sem esperança, ele me incentivava a seguir em frente, prometendo que um dia eu encontraria meu filho.
Com o pouco dinheiro que eu tinha, contratei um detetive particular, um homem que se mostrou não apenas competente, mas solidário à minha dor. Seu nome era David Foster. Ele se tornou meu aliado e, aos poucos, também meu amigo. Mas o dinheiro que eu usava para bancar suas investigações começou a acabar, e os medicamentos do meu avô ficaram mais caros. Mesmo assim, David nunca desistiu de me ajudar, muitas vezes continuando as buscas por conta própria. Ele era a única pessoa em quem eu confiava, além do meu avô.
Hoje, o meu coração estava em luto. Eu acabara de enterrar meu avô. Os últimos anos haviam sido duros para ele, mas ele partiu em paz, sem dor. Sua última promessa arrancada de mim foi a de que eu encontraria meu filho e o traria de volta.
Depois do funeral, voltei para casa com o peito vazio, sem saber por onde começar. O apartamento parecia maior, mais frio, agora que eu estava completamente sozinha. Estava perdida em pensamentos quando meu telefone vibrou. Era uma mensagem de
David: "Chego em 10 minutos. Tenho notícias."
Meu coração deu um salto, e eu não soube se era esperança ou medo. Será que finalmente haveria alguma pista sobre meu filho?
Quando David chegou, ele entrou sem cerimônia, como sempre fazia, mas seu olhar estava carregado de urgência.
- Diga logo, o que descobriu? – perguntei, ansiosa.
Ele suspirou e ajeitou a postura antes de falar:
- Os Castellini estão de volta a Nova York.
O nome “Castellini” rasgou o ar como uma lâmina fria. Meus batimentos aceleraram, e um turbilhão de emoções me atingiu. O passado que eu tanto odiava retornava sem aviso, trazendo raiva e uma dor latente. Mas também, bem no fundo, havia uma faísca de esperança.
- E tem mais. – David continuou, estudando minha reação. – Eles estão procurando uma babá para cuidar do filho de Dante Castellini.
Meu coração quase parou ao escutar o nome de Dante. Eu evitava falar seu nome.
- Eles mencionaram o nome da criança? – minha voz saiu mais rouca do que eu esperava.
David assentiu, e seus olhos se suavizaram.
- Lucca Castellini.
Ao ouvir o nome, lágrimas encheram meus olhos. Era a primeira vez que alguém falava o nome do meu filho para mim. Por cinco anos, ele existiu apenas como uma ausência dolorosa no meu coração, um vazio que eu não conseguia preencher. Nunca havia visto uma foto dele; Lorenzo e Dante mantinham Lucca fora dos holofotes e longe de qualquer exposição. Agora, pelo menos, eu sabia como ele se chamava.
Passei a mão sobre a barriga, onde um dia o carreguei, e jurei ali mesmo que o traria de volta para mim.
- Eu vou me candidatar a essa vaga.
David balançou a cabeça, claramente relutante.
- Sophie, isso é arriscado demais. Lorenzo pode te reconhecer. E se Dante... – ele hesitou, mas seus olhos refletiam preocupação genuína.
- David, é a minha chance. A única que eu tenho. – minha voz estava firme, mas o nó na garganta mostrava o quanto eu temia. – Prometi ao meu avô, e a mim mesma. Eu preciso fazer isso.
Ele suspirou profundamente, sabendo que seria inútil tentar me convencer do contrário.
- Tudo bem. – ele finalmente cedeu. – Mas vamos precisar mudar seu visual. Não podemos correr o risco de que eles te reconheçam.
Fui até o espelho e observei meu reflexo. Meus cabelos claros eram uma assinatura que Dante poderia identificar imediatamente, ele adorava os meus cabelos, balancei a cabeça afastando essas lembranças que agora eram dolorosas demais.
- Escureça um pouco, talvez um castanho com reflexos quentes. Nada muito chamativo, mas o suficiente para te disfarçar. – David sugeriu.
- Ótimo. – Concordei, determinada. – O que mais?
David pegou o telefone e começou a fazer algumas ligações rápidas.
- Tenho alguns contatos. Vou conseguir uma entrevista para você. Mas Sophie... – ele fez uma pausa e me encarou. – Se as coisas ficarem perigosas, você promete que vai sair?
Eu sabia que ele estava genuinamente preocupado, mas não havia espaço para dúvidas.
- Eu vou trazer o meu filho de volta.
Depois de alguns minutos, ele desligou e se virou para mim com um sorriso leve.
- Consegui. Sua entrevista é amanhã.
Amanhã. Meu estômago revirou de ansiedade, mas também senti uma onda de adrenalina. Essa era minha chance. Eu sabia que precisava estar preparada para qualquer coisa. Não seria fácil enfrentar Dante e Lorenzo novamente, mas o meu filho estava lá, esperando por mim, mesmo que ele não soubesse disso.
David me observou enquanto eu começava a arrumar minhas coisas, e seu olhar demonstrava uma mistura de apreensão e respeito.
- Tem certeza de que está pronta para isso?
- Não tenho outra escolha. – falei com um meio sorriso, enquanto colocava as roupas na mala. – Eles tiraram tudo de mim, mas eu não vou perder mais nada.
David se aproximou e colocou uma mão firme no meu ombro.
- Estou com você, Sophie. A gente vai trazer o Lucca de volta.
Naquela noite, enquanto olhava pela janela do pequeno apartamento vazio, uma única certeza dominava minha mente: o amor que eu sentia por meu filho era mais forte do que qualquer medo. E amanhã, eu começaria a lutar para trazê-lo para casa.