Maxin Sokolov Maxin acendeu mais um cigarro, parado à janela de seu quarto luxuoso no hotel. A cidade brilhava abaixo, viva, barulhenta e indiferente. Ele olhava sem realmente ver. O rosto de Amélia insistia em aparecer em sua mente, como se fosse uma tatuagem recém-feita que queimava na pele. Em seus pensamentos veio a lembrança de Amélia nua na sua cama, sua inocência sendo tira por ele, naquela hora seu corpo treme de desejo. Os dedos buscaram o celular sobre a mesa. Queria ligar. Queria ouvi-la. Mas não podia. Não agora. “Katharine.” O nome surgiu como um sopro, mas perdeu o peso. Pela primeira vez em anos, ele o repetiu em pensamento e não sentiu nada. Nenhuma dor. Nenhum ódio. Nenhuma mágoa. Katharine havia sido o fantasma que o consumiu por uma década. A mulher que ele a

