Confronto no Restaurante
O restaurante estava cheio naquela noite. O som dos talheres, das risadas abafadas e do jazz suave enchiam o ambiente de uma falsa tranquilidade. Mas, no fundo do salão, perto da mesa mais afastada, o ar parecia mais denso, carregado. Porque ele estava ali.
Maxin Sokolov
De terno impecável, os olhos cinzentos observando tudo ao redor como um predador. A presença dele já não era surpresa para Amélia — ele vinha com frequência. Pedia sempre os pratos mais caros e comia pouco. Mas naquela noite, algo estava diferente. Ele não tirava os olhos dela.
Seu coração batia forte e a lembrança do beijo não saia de sua cabeça, mas o medo da perseguição dele.
E Amélia estava cansada.
Cansada de sentir o coração disparar sempre que ele entrava. Cansada de fingir que não lembrava do beijo, do toque, do sussurro deixado em seu quarto como uma tatuagem na alma. E, acima de tudo, cansada de ter medo de si mesma por desejá-lo mesmo sabendo do que ele era capaz.
Ela enxugou as mãos no avental, ergueu a cabeça e caminhou até a mesa dele. Cada passo era um desafio à sua própria coragem. Seus joelhos tremiam, mas seus olhos estavam firmes.
Maxin levantou o olhar assim que ela se aproximou. Um leve sorriso curvou seus lábios.
— Boa noite — disse ele, com aquela voz grave e arrastada. — Veio me atender pessoalmente?
— Eu vim te pedir que pare — disse Amélia, direto ao ponto. — Pare de vir aqui. Pare de me seguir com os olhos como se eu fosse uma peça do seu jogo.
O sorriso dele não se desfez, mas os olhos apertaram levemente.
— Está com medo de mim?
— Estou cansada de sentir medo. E não vou permitir que você me faça perder o controle da minha vida. Seja quem for, ou o que for, você vai me respeitar. Eu não sou sua.
Maxin recostou-se na cadeira, pensativo.
— Você é corajosa. Muito mais do que eu imaginava. Mas ainda assim... treme.
Amélia cruzou os braços, tentando disfarçar o quanto aquilo era verdade. Seu corpo inteiro estava em alerta. Era como estar diante de um fogo que queimava sem tocar — e mesmo assim, ela não conseguia recuar.
— Não confunda coragem com ausência de medo. Eu só aprendi a não me curvar a ele.
Os olhos dele brilharam com algo próximo à admiração.
— Venha jantar comigo. Hoje. No meu hotel.
— O quê? — ela piscou, surpresa.
— Quero conversar com você. Só conversar. Saber quem você é. E talvez... contar quem eu fui. E por que você mexe tanto comigo.
Amélia quase recuou. Quase. Porque, por um segundo, enxergou no rosto dele algo que não era ameaça. Era dor. Antiga. m*l resolvida.
Mas ela também se lembrou de Laís. De tudo que descobrira. Da máfia. Dos segredos. Da manipulação.
— Isso é algum tipo de armadilha? Quer me seduzir até eu contar algo que você precisa?
— Se eu quisesse usar você, Amélia, já teria feito isso. Sou muito mais perigoso do que imagina. Mas... com você, tudo se tornou estranho. Inesperado. Você não é como as outras.
— Eu não sou “as outras”. Eu sou eu. E você não sabe nada sobre mim.
— Então venha. Me conte. Me deixe ouvir sua verdade. E, em troca, ouvirei a minha.
Amélia hesitou. O restaurante continuava cheio. Ninguém parecia perceber o que se passava entre os dois. Era como se o mundo estivesse em outra frequência, longe da tempestade silenciosa que se formava naquela mesa.
— E se eu disser não? — ela perguntou, firme.
— Eu vou respeitar. Mas continuarei voltando. Porque não consigo te apagar da minha mente. E isso não é um aviso. É uma confissão.
A sinceridade bruta daquelas palavras a desarmou por dentro. Ela desviou o olhar por um segundo, engolindo em seco. Parte de si queria gritar, fugir, correr para longe de qualquer perigo. Mas outra parte… queria ouvir. Queria entender. Queria ver até onde aquilo iria.
— Eu saio às nove — disse, finalmente. — Não vou ao seu hotel. Mas podemos conversar. Em algum lugar público.
Maxin inclinou a cabeça com leveza.
— Aceito seus termos.
Ela se virou para sair, mas ele segurou levemente seu pulso. O toque era quente, firme, e despertou todos os arrepios que ela tentava reprimir.
A vontade de sentir seus lábios de novo, o calor que percorre por toda seu corpo, fecho os olhos para tentar conter seu desejo.
— Obrigado — sussurrou ele.
E soltou.
Amélia voltou ao balcão com as pernas trêmulas e o coração descompassado. Sabia que estava cruzando uma linha. Uma daquelas que, uma vez ultrapassada, não tem volta.
Mas talvez… fosse hora de parar de fugir. E começar a entender por que o destino insistia em colocar Maxin Sokolov em seu caminho.
Laís ver percebe o medo no rosto de Amélia e pergunta.
— O que ouve? Ele te ameaçou? Laís fala baixo para que os outros não escute.
— Não, eu vou sair com ele para conversar, Amélia fala com voz trêmula.
— Você é louca? Não escutou o que te fale? Ele é perigoso, vai te machucar, Laís fala apreensiva.
— É o único jeito de fazer ele me deixar em paz, Amélia fala.
Laís sorriu com sarcasmo da inocência de Amélia em acha que aquele homem vai deixa-la em paz.
— Amélia ele não vai te deixar até tirar de você tudo que ele quer, Laís fala com preocupação.
— Eu sei disso, mas tenho que tentar, Amélia fala se afastando da amiga.
Amélia sabia que Laís estava certo, mas ela não sabia o que fazer e se Maxin soubesse alguma coisa de sua mãe, principalmente do homem que matou ela, um rosto que nunca mais saiu de sua cabeça.