Laís
A Manhã estava nublada, e o vento trazia um friozinho fora de época. Laís voltava da padaria com uma sacola de pães queijos e duas garrafinhas de suco barato. Tinha prometido a Amélia que traria algo para o café. Mas Amélia não estava no alojamento naquela manhã. Saíra ontem a noite para um encontro com Maxin e ainda não voltou, Laís sabia que sua amiga estava dormindo com o mafioso, o único medo era dele machucá-la.
Laís estava com medo dele tirar sua amiga dela, ela pensava se ele usar Amélia e descartar como geralmente estes tipo de homem faz.
Andava distraída, tentando acalmar os pensamentos, quando o viu.
Nikolai.
Encostado em um poste, de braços cruzados, como se estivesse esperando por ela o tempo todo. O coração de Laís bateu forte de imediato, como se reconhecesse o perigo antes da mente aceitar. Ela parou, o olhar gelando.
— Tá me seguindo agora? — perguntou, seca, segurando firme a sacola.
— Não. Só... tive esperança de te encontrar — respondeu ele, com aquela voz calma e o sotaque rouco.
— Esperança? Depois de ter me usado como espiã sem eu saber? Depois de me mentir na cara dura? — Ela bufou. — Você tem coragem.
Nikolai se aproximou um pouco, mas devagar, com as mãos visíveis, como se soubesse que qualquer movimento errado faria ela correr.
O perfume dele atingiu seu nariz e Laís fecha os olhos tentando se conter.
— Eu não vim te ameaçar, Laís. Nem me defender. Eu só queria ver você de novo.
— Ver se eu ainda estou vulnerável, é isso? Pra me usar de novo? Pode esquecer.
— Não é isso. Eu nunca quis te ferir. Mas o que eu faço... o que eu sou... não permite que eu diga sempre a verdade.
Ela apertou os olhos, observando cada detalhe no rosto dele. Os olhos azuis estavam mais cansados, o cabelo um pouco bagunçado, o rosto levemente machucado. Ele parecia... abatido.
Ela sentiu seu coração apertado e uma vontade de se atira nos seus braços , mas ficou firme e falo.
— O Maxin? — ela perguntou, de repente. — Ele passou a noite com a Amélia, não passou?
Nikolai não respondeu de imediato. Um músculo em seu maxilar se contraiu.
— Sim. Ele se envolveu mais do que devia.
Laís sentiu um arrepio.
— E isso coloca ela em perigo?
— Sim — disse ele, por fim, sincero. — Maxin é um homem que nunca perdoou ser traído. E Amélia... ela parece demais com alguém que destruiu ele. Isso pode confundir as decisões dele.
Também tem seus inimigos que não são poucos, Amélia agora é um alvo, Nikolai fala passando a mão nos cabelos.
Ela respirou fundo, olhando para o céu cinzento.
— Eu tenho medo de perder ela. A Amélia é minha família. Minha única família de verdade.
— E é por isso que eu vim aqui. Porque eu sei que você é a única pessoa capaz de protegê-la de verdade. Mesmo que isso signifique me odiar.
Laís o encarou. Parte dela queria socar aquele rosto bonito e desgraçado. Outra parte... lembrava do calor da noite que passaram juntos, da forma como ele a tocava como se soubesse exatamente onde sua dor morava.
— Por que você se importa tanto, Nikolai? — ela perguntou, com raiva. — Por que não segue sua vida de criminoso e me esquece?
Ele se aproximou mais um pouco. Agora estavam a menos de um metro.
— Porque eu não consigo esquecer você. Desde aquela noite. Desde o seu jeito de rir nervosa, de me olhar desconfiada mesmo enquanto me beijava. Você foi a única coisa verdadeira que aconteceu comigo nos últimos anos.
— Eu queria poder acreditar — ela sussurrou, com a voz embargada.
— Você não precisa acreditar. Só me escuta. A máfia está dividida. Tem gente de olho no Maxin, esperando ele vacilar. E você sabe que ele está vacilando... por causa da Amélia.
Laís franziu a testa.
— Querem usar ela contra ele?
— Ou eliminá-la. Antes que vire fraqueza. Um elo quebrado. E se isso acontecer, Laís, nem eu, nem você, vamos conseguir impedir.
O estômago dela revirou.
— E você? Vai obedecer? Vai assistir?
— Eu não vou deixar isso acontecer. Mesmo que me custe tudo. Mas... preciso da sua ajuda. E você precisa confiar em mim, só mais uma vez.
Ela olhou para ele em silêncio. Lutando contra o medo, a raiva, o desejo, a memória da noite que tiveram — e a vida que agora estavam todos arriscando.
— O que você quer que eu faça?
— Vigie a Amélia. Se ela desconfiar que está sendo seguida, ou se Maxin mudar de comportamento, você me avisa. Prometa que não vai deixá-la sozinha, nem por um segundo.
— E você? Vai sumir de novo depois de me usar?
Ele deu um passo à frente e a segurou pela cintura, devagar, com cautela. Como se testasse os limite, puxou seu corpo para mais perto e beijou suavemente sua boca.
Por um instante Laís esqueceu toda magoa e se entregou ao beijo apaixonado, Nikolai para o beijo e falo.
— Eu posso ir embora, se você quiser. Agora. Mas se me deixar ficar... eu prometo que vou te proteger. E proteger ela. Do Maxin. Da máfia. De qualquer coisa.
Laís fechou os olhos. Um nó apertou sua garganta. Tudo dentro dela dizia que fugir era o certo. Mas, quando os braços dele a envolveram, ela sentiu algo que não sentia há muito tempo: segurança.
Mesmo que fosse ilusória.
Mesmo que viesse das sombras.
Ela se afastou lentamente, sem quebrar o contato visual.
— Se você quebrar essa promessa... eu mesma acabo com você. Entendeu?
Ele assentiu.
— Entendido.
Laís deu um passo para trás, recuando. Mas não fugindo. Apenas voltando para seu papel de protetora, amiga e, agora, peça fundamental de um jogo perigoso demais para alguém inocente.
O coração batia rápido, mas ela já havia tomado sua decisão.
Amélia não cairia sozinha.
E se fosse preciso, Laís enfrentaria até a máfia russa para salvá-la, mesmo que tivesse que ficar perto de Nikolai.
Mesmo que tivesse que enfrentar seu próprio coração.