O silêncio na sala ficou pesado no instante em que Karolayne terminou de descer a escadaria.
Demétrio continuava imóvel.
Os olhos completamente presos nela.
E aquilo estava óbvio demais.
Até perigoso.
Helena percebeu imediatamente.
Michele percebeu pior ainda.
Porque o jeito que Demétrio olhava para Karolayne definitivamente não era o olhar de um simples professor.
Era intenso demais.
Cheio demais.
Como se ele estivesse tentando absorver cada detalhe dela depois de passar semanas sem vê-la.
E Karolayne percebeu também.
Claro que percebeu.
O coração dela disparou violentamente ao encontrar os olhos dele outra vez.
Mas, diferente de Demétrio…
Ela se controlou.
Completamente.
Quando finalmente chegou ao último degrau da escada, endireitou a postura elegantemente.
Fria.
Distante.
Como se estivesse erguendo uma parede invisível entre eles novamente.
Então olhou diretamente para ele.
— Boa noite, senhor Albuquerque.
A formalidade acertou Demétrio em cheio.
O sorriso quase inexistente nos lábios dela também.
Não havia calor.
Não havia i********e.
Era como se ela estivesse falando com um desconhecido.
E aquilo doeu mais do que ele esperava.
Muito mais.
Mesmo assim, Demétrio tentou respirar normalmente.
— Feliz aniversário, Karolayne.
A voz saiu mais baixa do que deveria.
Rouca.
Porque ela estava absurdamente linda.
Karolayne desceu o olhar rapidamente para as flores e para os presentes nas mãos dele.
O coração vacilou por um segundo.
Mas ela não deixou transparecer.
— Obrigada.
Fria outra vez.
Controlada.
Michele observava tudo em silêncio.
E a tensão entre os dois estava tão evidente que chegou a ficar desconfortável.
Principalmente porque Demétrio simplesmente não conseguia parar de olhar para Karolayne.
Helena percebeu isso no instante em que ele ficou tempo demais em silêncio encarando ela.
Então discretamente tocou o braço dele.
Forte o suficiente para trazer ele de volta à realidade.
— Demétrio.
Ele piscou lentamente.
Como se tivesse acabado de acordar.
Michele quase sorriu discretamente ao perceber.
Porque agora algumas coisas começavam a fazer sentido demais.
Karolayne aproximou-se calmamente para pegar os presentes.
Os dedos dela tocaram os de Demétrio por apenas um segundo.
Mas foi suficiente para os dois prenderem a respiração automaticamente.
O olhar dela subiu imediatamente para o dele.
E, pela primeira vez naquela noite…
A frieza vacilou levemente.
Só um pouco.
Só por um segundo.
Então—
A campainha tocou.
O som ecoou pela sala inteira.
Karolayne afastou-se imediatamente de Demétrio, como se precisasse daquela distância.
Michele virou-se em direção à porta.
— Deve ser mais alguém chegando.
Mas antes mesmo que ela pudesse abrir…
A porta se abriu.
E Ruan entrou.
O impacto foi imediato.
Ele usava um smoking preto impecável que deixava sua postura ainda mais elegante.
Os cabelos estavam perfeitamente alinhados para trás.
O relógio escuro brilhava discretamente em seu pulso.
E nas mãos…
Um enorme buquê de rosas pretas e vermelhas.
Além de uma caixa luxuosa da coleção especial Ferrero Rocher.
Karolayne perdeu o ar por um segundo.
Porque Ruan estava absurdamente bonito.
Mas o verdadeiro problema…
Foi olhar para Demétrio logo depois.
O maxilar dele travou imediatamente.
Os olhos caíram direto nas flores nas mãos de Ruan.
Depois nos chocolates.
Depois no jeito natural como Ruan sorriu ao ver Karolayne.
Como alguém que claramente tinha i********e suficiente para estar ali.
— Feliz aniversário, princesa.
A voz dele saiu suave.
Quente.
Karolayne sentiu o coração acelerar.
E Michele abriu um sorriso imediato ao vê-lo.
— Ruan!
Mas Demétrio…
Demétrio sentiu algo escuro atravessar seu peito violentamente quando Ruan caminhou diretamente até Karolayne e entregou as flores para ela.
Os dedos dele tocaram delicadamente a cintura dela ao se aproximar.
Naturalmente.
Como se já soubesse exatamente onde pertencia.
E então Ruan levantou os olhos.
Encontrando Demétrio parado do outro lado da sala.
Os dois homens se encararam em absoluto silêncio.
E a tensão explodiu imediatamente no ambiente.