A tensão entre Demétrio e Ruan ficou praticamente visível no ar.
Os dois se encaravam em silêncio enquanto Karolayne permanecia exatamente no meio daquela guerra silenciosa.
Ruan manteve a postura calma.
Confiante.
Mas havia provocação no jeito como ele permaneceu próximo dela.
Já Demétrio parecia rígido demais.
Controlado à força.
Os olhos escuros presos em cada detalhe.
Cada toque.
Cada aproximação.
Michele observava tudo discretamente.
E agora tinha absoluta certeza:
Havia alguma coisa enorme acontecendo entre aqueles três.
Porque o jeito que Demétrio olhava para Karolayne não era normal.
Nem o jeito que Ruan claramente se posicionava como alguém tentando marcar território.
— Bom… — Michele sorriu tentando aliviar a tensão. — Vamos entrar antes que vocês transformem minha sala numa arena.
A pequena brincadeira arrancou risadas leves.
Menos de Demétrio.
Menos de Karolayne.
Os dois continuavam tensos demais.
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Algum tempo depois, todos estavam acomodados em uma sala mais íntima da casa.
O ambiente era sofisticado e aconchegante ao mesmo tempo.
Luzes baixas.
Poltronas claras.
Uma enorme janela de vidro mostrando o jardim iluminado do lado de fora.
Augusto, o pai de Karolayne, conversava animadamente sobre trabalho enquanto servia bebidas para os convidados.
Demétrio tentava agir normalmente.
Tentava mesmo.
Mas era impossível.
Porque Karolayne estava sentada ao lado de Ruan no sofá à frente dele.
E aquilo já estava acabando com qualquer resquício de controle que ainda existia.
O vestido preto havia subido discretamente por causa da posição dela.
A f***a lateral deixava parte da coxa exposta.
E a mão de Ruan descansava exatamente ali.
Sobre a pele dela.
Naturalmente.
Como se aquele toque já fosse habitual.
Karolayne brincava distraidamente com os dedos dele enquanto ouvia a conversa da sala.
Pequenos movimentos lentos.
Íntimos.
Inconscientes.
E Demétrio sentia cada segundo daquilo como uma provocação direta.
Helena estava sentada ao lado dele.
Mas já tinha desistido de tentar puxar conversa.
Porque Demétrio claramente não prestava atenção em absolutamente nada.
Os olhos dele iam constantemente para Karolayne.
Depois para Ruan.
Depois para Augusto.
E isso deixava tudo ainda pior.
Porque agora havia um peso diferente esmagando ele.
Culpa.
O pai dela estava ali.
Sorrindo.
Conversando normalmente com ele.
Sem imaginar absolutamente nada.
Demétrio apertou discretamente a mandíbula.
Enquanto Karolayne ria baixinho de algo que Ruan falou perto do ouvido dela.
Aquilo destruiu ele por dentro instantaneamente.
Michele percebeu.
Claro que percebeu.
Os olhos dela passaram lentamente entre Demétrio…
Karolayne…
E Ruan.
Analisando tudo em silêncio.
Até que Augusto sorriu animado de repente:
— Já que estamos todos aqui… vamos abrir os presentes antes do bolo!
Karolayne levantou os olhos imediatamente.
— Pai—
— Ah, vamos sim! — Michele interrompeu divertida. — Eu adoro essa parte.
Ruan sorriu de lado enquanto pegava a caixa de chocolates sobre a mesa.
— Então acho que quero ver a reação da aniversariante primeiro.
Karolayne soltou uma pequena risada.
Mas Demétrio ficou imediatamente tenso outra vez.
Porque, de repente, aquele momento parecia perigoso demais.
Principalmente quando Augusto olhou diretamente para ele sorrindo:
— Você também trouxe presente, Demétrio?
O coração dele disparou instantaneamente.
Enquanto Karolayne levantava os olhos lentamente na direção dele outra vez.