Fazia semanas que Demétrio não sentia algo além de culpa e preocupação.
Mas agora…
Agora havia esperança.
Pequena.
Perigosa.
Mas existia.
Ele ainda segurava o convite nas mãos enquanto encarava o nome de Karolayne escrito em letras elegantes no papel.
Como se tivesse medo de aquilo desaparecer.
Helena observava ele em silêncio do outro lado da sala.
E pela primeira vez em mais de um mês…
Demétrio parecia vivo outra vez.
Ansioso.
Nervoso.
Quase inquieto.
Ele soltou uma pequena respiração antes de passar a mão pelos cabelos.
— Ela voltou…
A frase saiu baixa.
Como se ainda estivesse tentando acreditar.
Helena aproximou-se lentamente.
— Talvez isso seja uma chance pra vocês conversarem.
Demétrio levantou os olhos imediatamente.
E havia algo vulnerável ali.
— E se ela não quiser olhar na minha cara?
Helena sorriu de leve.
— Mesmo assim você vai.
Porque ela sabia.
Nada impediria Demétrio de ir naquela festa.
Nada.
Ele voltou a olhar o convite por alguns segundos.
Pensativo.
Então algo pareceu atravessar sua mente de repente.
Demétrio levantou-se rapidamente da cadeira.
— Eu preciso comprar um presente pra ela.
Helena piscou surpresa.
— Agora?
— Sim, agora.
A urgência na voz dele quase fez Helena rir.
Porque aquele homem parecia um adolescente apaixonado naquele instante.
Completamente perdido.
Demétrio pegou as chaves do carro rapidamente enquanto falava mais consigo mesmo do que com ela:
— Não pode ser qualquer coisa.
Helena cruzou os braços divertidamente.
— Você tá surtando.
— Claro que eu tô surtando.
Ele finalmente olhou pra ela.
— Faz um mês que eu não vejo ela, Helena.
Aquilo fez o sorriso dela desaparecer lentamente.
Porque a saudade na voz dele era absurda.
Dolorosa até.
Demétrio desviou o olhar outra vez.
Mais baixo agora:
— Eu nem sei se ela ainda consegue me olhar do mesmo jeito.
O silêncio caiu por um instante.
Então Helena aproximou-se devagar.
— Você ama essa garota de um jeito assustador.
Demétrio soltou uma pequena risada sem humor.
— Esse é exatamente o problema.
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Algum tempo depois, os dois estavam andando por um shopping quase vazio no começo da noite.
Demétrio parecia incapaz de escolher qualquer coisa.
Parava em uma loja.
Depois em outra.
Mas nada parecia suficiente.
— Joias? — Helena sugeriu.
Demétrio negou imediatamente.
— Muito impessoal.
— Perfume?
— Ela é alérgica a alguns cheiros fortes.
Helena arqueou a sobrancelha.
— Você lembra disso?
Demétrio lançou um olhar óbvio pra ela.
— Eu lembro de tudo sobre ela.
E aquilo não parecia exagero.
Porque era verdade.
Ele lembrava do jeito que Karolayne prendia o cabelo quando estava nervosa.
Do chocolate favorito dela.
Do jeito que ela mordia discretamente o canto da boca quando queria esconder ciúmes.
Lembrava até do perfume do shampoo dela três anos atrás.
Helena observou ele em silêncio por alguns segundos.
Então falou baixo:
— Talvez o presente não precise impressionar ela.
Demétrio franziu levemente a testa.
— Então o quê?
Helena sorriu de lado.
— Talvez só precise mostrar que você conhece ela de verdade.
Aquilo fez ele ficar em silêncio.
Pensando.
Até que seus olhos pararam em uma pequena livraria no final do corredor.
E algo mudou imediatamente na expressão dele.
Sem dizer nada, Demétrio começou a andar até lá.
Helena seguiu atrás curiosa.
Dentro da livraria, ele caminhou diretamente até a seção de literatura clássica.
Como se já soubesse exatamente o que procurava.
Então pegou um livro da prateleira lentamente.
Helena observou a capa.
— “Orgulho e Preconceito”?
Demétrio passou o dedo pela capa do livro quase distraidamente.
Um pequeno sorriso triste surgiu em seus lábios.
— Ela me disse uma vez que queria alguém que amasse ela do jeito que o Darcy ama a Elizabeth.
O coração de Helena apertou imediatamente.
Porque agora entendia:
Karolayne nunca tinha esquecido Demétrio…
Porque ele também nunca esqueceu nenhum detalhe dela.