Capítulo 12 — Sem Controle

585 Words
A chuva continuava caindo ao redor deles, forte o bastante para transformar o campus quase vazio em um borrão de luzes e sombras. Mas Karolayne m*l percebia. Porque Demétrio ainda estava perto demais. E o olhar dele… Aquele olhar estava acabando com qualquer tentativa dela de manter distância. — Você não respondeu — ele disse, a voz baixa. Karolayne tentou recuperar o fôlego. — Responder o quê? Demétrio deu um passo à frente. Agora não havia praticamente espaço entre os dois. — Se você gosta de me ver assim. Ela sustentou o olhar dele por um instante. Longo demais. Perigoso demais. — Talvez eu só esteja cansada de ser a única perdendo o controle aqui. As palavras saíram antes que pudesse impedir. E, no segundo seguinte, ela percebeu o efeito que causaram. Demétrio passou a mão pela mandíbula lentamente, como se estivesse tentando se controlar de todas as formas possíveis. Mas estava falhando. Claramente. — Você faz ideia do que está fazendo comigo? — ele perguntou. Karolayne engoliu seco. Porque sim. Agora ela fazia. E isso deveria assustá-la mais do que assustava. Um trovão ecoou ao longe, fazendo o silêncio entre eles parecer ainda mais intenso. Demétrio desviou o olhar por um breve segundo. Tempo suficiente para recuperar um pouco da razão. — Você devia ir embora com seu amigo — ele disse de repente, frio outra vez. Aquilo atingiu Karolayne de um jeito inesperado. — Ah, então é isso? — ela rebateu, irritada. — Você age como se eu fosse sua… e depois simplesmente me manda embora? Os olhos dele voltaram imediatamente para ela. Escuros. Perigosos. — Não termina essa frase. O coração dela acelerou. Mas, daquela vez, ela não recuou. — Por quê? Porque é verdade? Demétrio soltou uma risada baixa, sem humor algum. E então se aproximou de novo. Devagar. Como se estivesse dando a ela uma última chance de fugir. Karolayne não saiu do lugar. A mão dele segurou sua cintura firme o bastante para arrancar o ar dela instantaneamente. — Você quer me provocar — ele murmurou perto demais. — E depois age surpresa quando eu reajo. Karolayne sentiu o corpo inteiro estremecer com a proximidade. — Talvez você devesse aprender a se controlar. Aquilo foi o limite. Ela percebeu tarde demais. Porque, no instante seguinte, Demétrio a puxou para mais perto sem hesitar. Os corpos colidiram. A respiração dos dois se misturou imediatamente. E o olhar dele desceu para os lábios dela daquele jeito que fazia tudo parecer perigoso. — Eu estou tentando há semanas — ele confessou, a voz rouca. — E você não faz ideia do quanto está difícil. Karolayne sentiu o coração bater tão forte que parecia impossível esconder. Ela deveria se afastar. Deveria. Mas a mão dela subiu até a camisa dele quase sem perceber, segurando o tecido entre os dedos. Demétrio fechou os olhos por um segundo ao sentir o toque. Como se aquilo fosse suficiente para destruir o resto do controle que ainda tinha. Então ele encostou a testa na dela. Respiração contra respiração. — Diz pra eu parar — ele sussurrou. Silêncio. Karolayne abriu a boca. Mas nenhuma palavra saiu. Porque o problema nunca foi falta de razão. Era falta de força para resistir a ele. E Demétrio percebeu. Percebeu no jeito que ela não se afastava. No jeito que continuava segurando sua camisa. No jeito que olhava para ele como se estivesse tão perdida quanto ele próprio. Então, lentamente… Ele inclinou o rosto outra vez. E dessa vez… Karolayne não recuou.
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