Capítulo 32 — Disfarces

646 Words
O silêncio no corredor ficou sufocante. Karolayne sentiu o sangue gelar no instante em que viu Helena parada ali. Os olhos atentos nela. Depois em Demétrio. Depois na distância perigosamente pequena entre os dois. Ela percebeu imediatamente. Helena não era burra. Muito pelo contrário. E, pelo jeito que observava os dois em silêncio, já tinha entendido muito mais do que deveria. Demétrio ficou imóvel por um segundo. Mas Karolayne reagiu primeiro. Rápido demais. Antes que Helena pudesse falar qualquer outra coisa, Karolayne soltou uma pequena risada nervosa e deu um passo para trás, aumentando a distância entre ela e Demétrio. — Professor, eu já disse que minha nota não vai melhorar só porque o senhor fica me perseguindo pelos corredores. A frase saiu leve. Quase divertida. Como se aquilo fosse apenas uma discussão acadêmica. Demétrio virou o rosto lentamente para ela. E Karolayne percebeu imediatamente o instante em que ele entendeu o que ela estava fazendo. Tentando salvar os dois. Helena arqueou levemente a sobrancelha. Ainda desconfiada. Karolayne continuou antes que o silêncio denunciasse tudo. — Sério, eu já aceitei a nota r**m. Não precisa ficar brigando comigo em evento também. Ela cruzou os braços dramaticamente. Tentando parecer irritada. Tentando parecer apenas uma aluna cansada de um professor exigente. Demétrio sustentou o olhar dela por um segundo. Depois passou a mão pela nuca e soltou uma pequena respiração controlada. Entrando no jogo. — Talvez se você levasse a monitoria mais a sério, senhorita Karolayne, eu não precisasse repetir as mesmas coisas. O tom voltou a ficar profissional. Frio. Distante. E aquilo fez Helena relaxar minimamente. Mas não completamente. Ela aproximou-se devagar. Os olhos ainda atentos demais. — Então vocês estavam discutindo sobre a monitoria? Karolayne respondeu rápido: — Infelizmente. Helena soltou uma pequena risada baixa. — Achei que eu tinha interrompido algo mais sério. O coração de Karolayne disparou violentamente. Mas ela forçou outra risada. — Deus me livre discutir relacionamento com professor. A frase saiu natural demais. Quase convincente. Demétrio desviou o olhar discretamente ao ouvir aquilo. E Helena percebeu. Karolayne viu no mesmo instante. Droga. A nova professora continuava observando os dois atentamente agora. Como se estivesse montando peças dentro da cabeça. Então Karolayne tomou outra atitude desesperada. Pegou o celular rapidamente e mandou mensagem para Ruan: > “Me encontra no corredor do bloco B agora.” Demétrio percebeu o movimento. Os olhos escureceram levemente. Mas ele permaneceu em silêncio. Segundos depois, passos ecoaram pelo corredor. Ruan apareceu. E parou imediatamente ao ver os três ali. O olhar dele passou rápido entre Karolayne e Demétrio. Atento. Desconfiado. Mas Karolayne não deu tempo pra ninguém pensar demais. Ela caminhou imediatamente até Ruan e segurou naturalmente sua mão. Como se aquilo fosse automático. Como se fosse exatamente onde queria estar. — Finalmente — ela disse leve demais. — Tava começando a achar que o professor ia me prender aqui até amanhã. Ruan olhou rapidamente para Demétrio. Depois para Karolayne. E entendeu. Ou pelo menos fingiu entender. Ele passou o braço pela cintura dela naturalmente. — Eu avisei que ele pega pesado contigo. Helena observou aquilo em silêncio. Mas a tensão no corredor mudou imediatamente. Porque agora Karolayne parecia distante de Demétrio outra vez. Próxima de Ruan. Quase íntima. E Demétrio… Demétrio teve que assistir ela se encaixar nos braços de outro homem enquanto fingia absoluta indiferença. Karolayne sentiu o peso do olhar dele nela imediatamente. Mesmo sem encarar diretamente. Pesado. Machucado. Mas ela continuou atuando. Porque precisava. — Então… podemos voltar pro evento? — perguntou sorrindo para Ruan. Ruan assentiu lentamente. — Claro. Antes de sair, porém, Karolayne olhou rapidamente para Demétrio. Só por um segundo. Mas foi suficiente para ela perceber: Ele tinha entendido exatamente o que ela fez. Ela escolheu esconder ele. Negar ele. Como se o que existia entre os dois fosse algo vergonhoso. E aquilo pareceu destruir mais um pedaço dele.
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