Capítulo 10 — Ciúmes

578 Words
Ruan se tornou presença constante na vida de Karolayne. Rápido demais. Em menos de uma semana, ele já a esperava na entrada da faculdade, sentava ao lado dela nas aulas e fazia questão de acompanhá-la até o ponto de ônibus no fim da noite. E o pior? Karolayne gostava da companhia dele. Ruan era leve. Engraçado. Familiar. Com ele, não existiam regras proibidas, tensão sufocante ou medo constante de fazer algo errado. Com Ruan… tudo parecia simples. Ou quase. Porque toda vez que ela ria com ele, Karolayne sentia um olhar queimando do outro lado da sala. Demétrio. Sempre observando. Sempre em silêncio. Naquela noite, a chuva fina deixava o campus úmido e vazio. Karolayne estava sentada no banco do corredor externo enquanto Ruan falava animadamente sobre alguma história da infância que ela m*l conseguia acompanhar. Porque, sem querer, ela percebeu. Demétrio acabara de sair da sala dos professores. E os olhos dele encontraram os dela imediatamente. Como sempre. — E aí eu caí da bicicleta bem na frente da sua mãe — Ruan ria. — Cara, ela ficou desesperada— Karolayne soltou uma risada baixa. Ruan sorriu ao vê-la finalmente relaxar. — Pronto. Agora sim você parece viva de novo. Ela arqueou a sobrancelha. — Como assim? — Você andava estranha nas últimas semanas. O sorriso dela enfraqueceu discretamente. Antes que pudesse responder, o vento frio trouxe o cheiro familiar do perfume de Demétrio quando ele passou próximo demais. Karolayne sentiu o corpo inteiro tensionar. Demétrio nem sequer olhou diretamente para ela dessa vez. Mas ela percebeu a mandíbula travada. O passo rígido. A frieza calculada. Ruan também percebeu a tensão. — Esse professor aí parece simpático — comentou ironicamente. Karolayne desviou o olhar rapidamente. — Ele só é… sério. Demétrio parou alguns metros à frente ao ouvir aquilo. E então virou lentamente. Os olhos escuros passaram primeiro por Karolayne. Depois por Ruan. Demorados demais. — Senhorita Karolayne — a voz dele saiu fria e profissional. — O trabalho que pedi ontem ainda não foi entregue. Ela franziu a testa, surpresa. — Mas o prazo é sexta. — Não para você. O silêncio caiu imediatamente. Ruan olhou entre os dois, claramente estranhando o clima. Karolayne sentiu a irritação subir na mesma hora. Ah, então era isso. Ciúmes. — Certo, professor — ela respondeu, enfatizando a última palavra. Os olhos de Demétrio escureceram levemente. Ruan percebeu. E sorriu de canto, como se começasse a entender alguma coisa. — Relaxa — Ruan disse, levantando-se do banco. — Eu ajudo ela com o trabalho. Erro. Karolayne percebeu no mesmo instante. Porque Demétrio perdeu completamente a expressão neutra. O maxilar travou com força. — Não será necessário — ele respondeu antes dela conseguir falar. — Ah, qual foi — Ruan riu. — Faculdade é sobrevivência em grupo. Demétrio deu um passo à frente. Calmo demais. Perigoso demais. — E eu tenho certeza de que a Karolayne sabe muito bem com quem deve ou não perder tempo. O ar ficou pesado. Karolayne arregalou os olhos discretamente. Aquilo não era mais só ciúme. Era possessividade. E Demétrio nem estava tentando esconder direito. Ruan cruzou os braços, agora claramente provocando. — Acho que ela pode decidir isso sozinha, né? Silêncio. Tenso. A chuva aumentando ao redor deles. Karolayne sentiu o coração disparar. Porque ela conhecia aquele olhar de Demétrio. Conhecia bem demais. Era o mesmo olhar de quando ele estava perto de perder o controle. E, naquele momento… Ruan estava brincando exatamente com fogo.
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