Capítulo 6 — O Limite Quebrado

496 Words
Karolayne ainda estava parada no corredor. O coração inquieto. A respiração irregular. As palavras dele ecoando na sua mente. “Isso não acabou.” Ela passou a mão pelos cabelos, tentando recuperar o controle. — Preciso ir embora… — murmurou para si mesma. Mas, antes que desse o primeiro passo— — Karolayne. De novo. A voz dele. Mais próxima dessa vez. Ela virou-se rápido demais… e não teve tempo de reagir. Demétrio estava ali. De volta. Como se não tivesse conseguido ir embora. Como se algo o tivesse puxado de volta até ela. Os olhos dele estavam diferentes. Mais escuros. Mais intensos. Sem aquele controle rígido de antes. — Eu tentei — ele disse, a voz baixa, quase tensa. — Juro que tentei. O coração dela disparou. — Então por que voltou? — ela perguntou, já sem fôlego. Ele deu um passo à frente. — Porque não consigo. Simples assim. Sem barreiras. Sem defesa. Karolayne sentiu o impacto daquelas palavras antes mesmo de conseguir processar. — Demétrio… Mas ela não terminou. Porque ele não deixou. Em um movimento rápido, ele segurou o rosto dela com uma das mãos — firme, mas cuidadoso — e a puxou para perto. E então… Ele a beijou. Sem aviso. Sem espaço para pensar. Sem chance de recuar. O beijo não foi calmo. Não foi contido. Foi carregado de tudo o que eles estavam tentando evitar. Desejo. Raiva. Saudade. Algo quebrado… e ao mesmo tempo impossível de negar. Karolayne ficou imóvel por um segundo. Surpresa. Mas só por um segundo. Porque, no instante seguinte… Ela correspondeu. Como se o corpo dela tivesse decidido antes da mente. As mãos dela subiram até a camisa dele, segurando o tecido com força, como se precisasse daquilo para se manter de pé. O mundo ao redor desapareceu. Sem corredor. Sem regras. Sem consequências. Só eles. Só aquele momento. Demétrio aprofundou o beijo por um instante, como se estivesse recuperando algo que nunca esqueceu. Mas então— Ele parou. De repente. Como se tivesse lembrado. Como se a realidade tivesse voltado com força. Ele se afastou alguns centímetros, ainda com a respiração pesada, a testa quase encostando na dela. Os dois ficaram ali. Sem falar. Sem se mover. — Isso… — Karolayne sussurrou, completamente sem ar — foi um erro. Mas nem ela parecia acreditar. Demétrio fechou os olhos por um segundo, tentando recuperar o controle que claramente já não estava intacto. — Foi — ele respondeu. Mas a mão dele ainda estava no rosto dela. E ele não a soltou. — E eu faria de novo. Silêncio. Pesado. Carregado. Perigoso. Karolayne sentiu o coração apertar. Porque agora não era mais só tensão. Não era mais só lembrança. Era real. Acontecendo. E impossível de voltar atrás. — A gente precisa parar… — ela disse, mais fraca dessa vez. Demétrio abriu os olhos e a encarou. Intenso. Decidido. — Então para. Desafio. Direto. Sem saída. Karolayne não respondeu. Porque não conseguia. E os dois sabiam disso.
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