Karolayne ainda estava parada no corredor.
O coração inquieto. A respiração irregular.
As palavras dele ecoando na sua mente.
“Isso não acabou.”
Ela passou a mão pelos cabelos, tentando recuperar o controle.
— Preciso ir embora… — murmurou para si mesma.
Mas, antes que desse o primeiro passo—
— Karolayne.
De novo.
A voz dele.
Mais próxima dessa vez.
Ela virou-se rápido demais… e não teve tempo de reagir.
Demétrio estava ali.
De volta.
Como se não tivesse conseguido ir embora.
Como se algo o tivesse puxado de volta até ela.
Os olhos dele estavam diferentes.
Mais escuros.
Mais intensos.
Sem aquele controle rígido de antes.
— Eu tentei — ele disse, a voz baixa, quase tensa. — Juro que tentei.
O coração dela disparou.
— Então por que voltou? — ela perguntou, já sem fôlego.
Ele deu um passo à frente.
— Porque não consigo.
Simples assim.
Sem barreiras.
Sem defesa.
Karolayne sentiu o impacto daquelas palavras antes mesmo de conseguir processar.
— Demétrio…
Mas ela não terminou.
Porque ele não deixou.
Em um movimento rápido, ele segurou o rosto dela com uma das mãos — firme, mas cuidadoso — e a puxou para perto.
E então…
Ele a beijou.
Sem aviso.
Sem espaço para pensar.
Sem chance de recuar.
O beijo não foi calmo.
Não foi contido.
Foi carregado de tudo o que eles estavam tentando evitar.
Desejo.
Raiva.
Saudade.
Algo quebrado… e ao mesmo tempo impossível de negar.
Karolayne ficou imóvel por um segundo.
Surpresa.
Mas só por um segundo.
Porque, no instante seguinte…
Ela correspondeu.
Como se o corpo dela tivesse decidido antes da mente.
As mãos dela subiram até a camisa dele, segurando o tecido com força, como se precisasse daquilo para se manter de pé.
O mundo ao redor desapareceu.
Sem corredor.
Sem regras.
Sem consequências.
Só eles.
Só aquele momento.
Demétrio aprofundou o beijo por um instante, como se estivesse recuperando algo que nunca esqueceu.
Mas então—
Ele parou.
De repente.
Como se tivesse lembrado.
Como se a realidade tivesse voltado com força.
Ele se afastou alguns centímetros, ainda com a respiração pesada, a testa quase encostando na dela.
Os dois ficaram ali.
Sem falar.
Sem se mover.
— Isso… — Karolayne sussurrou, completamente sem ar — foi um erro.
Mas nem ela parecia acreditar.
Demétrio fechou os olhos por um segundo, tentando recuperar o controle que claramente já não estava intacto.
— Foi — ele respondeu.
Mas a mão dele ainda estava no rosto dela.
E ele não a soltou.
— E eu faria de novo.
Silêncio.
Pesado.
Carregado.
Perigoso.
Karolayne sentiu o coração apertar.
Porque agora não era mais só tensão.
Não era mais só lembrança.
Era real.
Acontecendo.
E impossível de voltar atrás.
— A gente precisa parar… — ela disse, mais fraca dessa vez.
Demétrio abriu os olhos e a encarou.
Intenso.
Decidido.
— Então para.
Desafio.
Direto.
Sem saída.
Karolayne não respondeu.
Porque não conseguia.
E os dois sabiam disso.