Capítulo 28 — A Nova Professora

581 Words
Karolayne não conseguiu dormir direito naquela noite. Toda vez que fechava os olhos, a imagem voltava. Demétrio sentado naquele restaurante. A mulher bonita à frente dele. O toque na mão dele. O olhar que os dois trocaram antes dele perceber que ela estava ali. E aquilo continuava machucando de um jeito absurdo. Mesmo depois de repetir para si mesma mil vezes: > “Ele é só meu professor.” Na manhã seguinte, Karolayne chegou à faculdade mais quieta que o normal. Ruan percebeu imediatamente. — Você tá estranha desde ontem. Ela forçou um pequeno sorriso enquanto organizava os livros na mesa. — Só dormi m*l. Ruan observou ela por alguns segundos, claramente sem acreditar totalmente. Mas antes que pudesse insistir, a movimentação da sala aumentou. Alguns alunos começaram a comentar animados perto da porta. — Dizem que ela é linda. — Nova professora substituta. — Acho que é de Letras. Karolayne m*l prestou atenção no começo. Até ouvir passos entrando na sala. E então levantou os olhos. O coração falhou uma batida. Era ela. A mulher do restaurante. Elegante como na noite anterior, usando um vestido social escuro e um sorriso simpático enquanto conversava com a coordenadora. Karolayne sentiu o estômago apertar imediatamente. Ruan percebeu a mudança nela na mesma hora. — Karol? Mas ela continuava olhando fixamente para a mulher. A coordenadora entrou mais à frente da sala e sorriu para os alunos. — Bom dia, pessoal. Quero apresentar a nova professora de Letras da faculdade. A mulher sorriu educadamente. — Prazer. Meu nome é Helena Albuquerque. Karolayne sentiu algo estranho atravessar seu peito. Porque agora aquilo parecia ainda pior. Ela não era apenas uma mulher aleatória. Era alguém que estaria ali. Todos os dias. Ruan inclinou-se discretamente para Karolayne. — Você tá pálida. Ela soltou o ar devagar. — Tô bem. Mentira. Completa. E piorou quando a porta abriu novamente. Demétrio entrou na sala. Os olhos dele passaram rapidamente pelos alunos… Até encontrarem Karolayne. Como sempre. Mas então Helena sorriu imediatamente ao vê-lo. — Demétrio. A i********e no tom fez algo gelar dentro de Karolayne. Demétrio aproximou-se dela naturalmente. Calmo. Controlado. Como se a noite anterior não tivesse acontecido. Como se ele não tivesse dito que Karolayne era dele horas antes. Helena tocou levemente o braço dele enquanto dizia algo baixo que Karolayne não conseguiu ouvir. Mas não precisava ouvir. Porque aquilo já era suficiente. Ruan observou a cena rapidamente. Depois voltou os olhos para Karolayne. E, pela primeira vez, pareceu entender completamente o motivo dela ter ficado tão abalada. Demétrio levantou o olhar de repente. E encontrou os olhos dela imediatamente. Silêncio. O ambiente inteiro pareceu desaparecer por um segundo. Karolayne tentou sustentar o olhar. Tentou parecer indiferente. Mas então Helena voltou a tocar o braço dele enquanto sorria. E ela desviou os olhos imediatamente. O coração apertando de novo. Ruan aproximou-se um pouco mais dela. — Ei… talvez você esteja entendendo errado. Karolayne soltou uma pequena risada amarga. — E o que exatamente eu deveria entender? Ruan ficou em silêncio. Porque nem ele parecia ter resposta. Na frente da sala, Helena continuava conversando com Demétrio naturalmente. Próximos demais. Confortáveis demais. E Karolayne odiou perceber o ciúme crescendo outra vez. Porque ela não tinha direito de sentir aquilo. Não depois do beijo no cinema. Não depois de tentar seguir em frente. Mas o problema era justamente esse: Toda vez que achava que estava conseguindo se afastar de Demétrio… Ele fazia seu coração voltar exatamente para o mesmo lugar.
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