Capítulo 39 — Duas Semanas

541 Words
Os dias seguintes foram um inferno para Demétrio. Porque Karolayne simplesmente desapareceu. No primeiro dia, ele tentou convencer a si mesmo de que ela só precisava de tempo depois de descobrir a verdade. No segundo, começou a ficar inquieto. No terceiro, já não conseguia esconder a preocupação. E então uma semana inteira passou. Sem Karolayne na faculdade. Sem mensagens. Sem notícias. Nada. Demétrio entrava naquela sala todos os dias e o olhar procurava ela automaticamente no mesmo lugar de sempre. A cadeira vazia começou a atormentar ele. Principalmente porque Ruan também sumiu. Os dois desapareceram completamente do mapa. E aquilo começou a destruir qualquer controle que ele ainda tinha. Na segunda semana, Demétrio já não conseguia dormir direito. A mente criando cenários piores a cada hora. Será que Karolayne decidiu trancar a faculdade? Será que ela descobriu a verdade… e percebeu que odiava ele ainda mais? Ou pior. Será que ela estava com Ruan? Longe dali. Seguindo em frente. A possibilidade corroía ele por dentro. Naquela manhã chuvosa, Demétrio estava tão distraído durante a aula que chegou a repetir a mesma explicação duas vezes. Os alunos perceberam. Helena percebeu mais ainda. Quando a aula terminou, ela encontrou ele sozinho organizando papéis sem nem perceber o que fazia. — Você precisa parar com isso. Demétrio nem levantou os olhos. — Parar com o quê? — De agir como se não estivesse enlouquecendo. Silêncio. Ele finalmente soltou os papéis sobre a mesa e passou a mão pelo rosto cansado. — Ela sumiu. A voz saiu rouca. Helena aproximou-se lentamente. — Talvez ela só precise processar tudo. Demétrio soltou uma pequena risada amarga. — Duas semanas? Agora havia preocupação real na voz dele. Porque aquilo já não parecia apenas distância. Parecia fuga. Helena observou ele em silêncio por alguns segundos antes de perguntar: — Você tentou falar com ela? Demétrio levantou o celular lentamente da mesa. A tela mostrava dezenas de mensagens não respondidas. > “Karolayne, conversa comigo.” > “Por favor.” > “Só quero saber se você tá bem.” > “Me responde.” Nenhuma resposta. Nenhuma visualização. Nada. Helena sentiu o peito apertar ao perceber o estado dele. Porque Demétrio parecia acabado. Exausto. Consumido pela culpa e pelo medo. Ele levantou os olhos lentamente. E havia algo quase desesperado ali agora. — E se ela nunca mais voltar? A pergunta saiu baixa. Sincera demais. Helena abriu a boca pra responder, mas a porta da sala abriu antes. Um aluno entrou rapidamente entregando alguns documentos. — Professor, a coordenação pediu esses relatórios. Demétrio assentiu distraído. Mas congelou no instante em que viu o nome escrito no topo de um dos papéis. Karolayne Souza Santos. O coração dele disparou imediatamente. — Onde você pegou isso? O garoto estranhou a reação. — Na secretaria… acho que ela pediu afastamento temporário. O mundo pareceu parar. Demétrio levantou-se tão rápido que a cadeira arrastou no chão. — Afastamento? O aluno assentiu nervoso. — Acho que por questões pessoais. Demétrio sentiu o peito afundar violentamente. Porque aquilo tornava tudo real. Karolayne estava indo embora. Helena percebeu o desespero atravessar ele no mesmo instante. E, pela primeira vez… Demétrio realmente pareceu um homem prestes a perder a única pessoa que já amou de verdade.
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