Os dias seguintes foram um inferno para Demétrio.
Porque Karolayne simplesmente desapareceu.
No primeiro dia, ele tentou convencer a si mesmo de que ela só precisava de tempo depois de descobrir a verdade.
No segundo, começou a ficar inquieto.
No terceiro, já não conseguia esconder a preocupação.
E então uma semana inteira passou.
Sem Karolayne na faculdade.
Sem mensagens.
Sem notícias.
Nada.
Demétrio entrava naquela sala todos os dias e o olhar procurava ela automaticamente no mesmo lugar de sempre.
A cadeira vazia começou a atormentar ele.
Principalmente porque Ruan também sumiu.
Os dois desapareceram completamente do mapa.
E aquilo começou a destruir qualquer controle que ele ainda tinha.
Na segunda semana, Demétrio já não conseguia dormir direito.
A mente criando cenários piores a cada hora.
Será que Karolayne decidiu trancar a faculdade?
Será que ela descobriu a verdade… e percebeu que odiava ele ainda mais?
Ou pior.
Será que ela estava com Ruan?
Longe dali.
Seguindo em frente.
A possibilidade corroía ele por dentro.
Naquela manhã chuvosa, Demétrio estava tão distraído durante a aula que chegou a repetir a mesma explicação duas vezes.
Os alunos perceberam.
Helena percebeu mais ainda.
Quando a aula terminou, ela encontrou ele sozinho organizando papéis sem nem perceber o que fazia.
— Você precisa parar com isso.
Demétrio nem levantou os olhos.
— Parar com o quê?
— De agir como se não estivesse enlouquecendo.
Silêncio.
Ele finalmente soltou os papéis sobre a mesa e passou a mão pelo rosto cansado.
— Ela sumiu.
A voz saiu rouca.
Helena aproximou-se lentamente.
— Talvez ela só precise processar tudo.
Demétrio soltou uma pequena risada amarga.
— Duas semanas?
Agora havia preocupação real na voz dele.
Porque aquilo já não parecia apenas distância.
Parecia fuga.
Helena observou ele em silêncio por alguns segundos antes de perguntar:
— Você tentou falar com ela?
Demétrio levantou o celular lentamente da mesa.
A tela mostrava dezenas de mensagens não respondidas.
> “Karolayne, conversa comigo.”
> “Por favor.”
> “Só quero saber se você tá bem.”
> “Me responde.”
Nenhuma resposta.
Nenhuma visualização.
Nada.
Helena sentiu o peito apertar ao perceber o estado dele.
Porque Demétrio parecia acabado.
Exausto.
Consumido pela culpa e pelo medo.
Ele levantou os olhos lentamente.
E havia algo quase desesperado ali agora.
— E se ela nunca mais voltar?
A pergunta saiu baixa.
Sincera demais.
Helena abriu a boca pra responder, mas a porta da sala abriu antes.
Um aluno entrou rapidamente entregando alguns documentos.
— Professor, a coordenação pediu esses relatórios.
Demétrio assentiu distraído.
Mas congelou no instante em que viu o nome escrito no topo de um dos papéis.
Karolayne Souza Santos.
O coração dele disparou imediatamente.
— Onde você pegou isso?
O garoto estranhou a reação.
— Na secretaria… acho que ela pediu afastamento temporário.
O mundo pareceu parar.
Demétrio levantou-se tão rápido que a cadeira arrastou no chão.
— Afastamento?
O aluno assentiu nervoso.
— Acho que por questões pessoais.
Demétrio sentiu o peito afundar violentamente.
Porque aquilo tornava tudo real.
Karolayne estava indo embora.
Helena percebeu o desespero atravessar ele no mesmo instante.
E, pela primeira vez…
Demétrio realmente pareceu um homem prestes a perder a única pessoa que já amou de verdade.