Três semanas.
Depois quatro.
E Karolayne continuava desaparecida.
Nem ela.
Nem Ruan.
Era como se os dois tivessem sumido completamente da vida de Demétrio.
As aulas estavam chegando ao fim antes das férias, e a ausência dela começava a ser impossível de ignorar.
A cadeira vazia permanecia como um lembrete c***l todos os dias.
Os corredores sem a voz dela pareciam silenciosos demais.
Até a biblioteca parecia diferente agora.
Fria.
Vazia.
Demétrio já não tentava esconder o estado em que estava.
Dormia pouco.
Comia m*l.
E passava tempo demais encarando o celular esperando uma resposta que nunca chegava.
Helena observava tudo em silêncio.
Porque nunca tinha visto ele daquele jeito.
Completamente consumido.
Naquela tarde, Demétrio estava sozinho em sua sala corrigindo provas sem prestar atenção em nenhuma palavra escrita.
Até ouvir batidas leves na porta.
— Pode entrar.
A secretária colocou um envelope sobre sua mesa.
— Isso chegou pra você.
Demétrio assentiu distraído.
Mas congelou no instante em que viu o remetente.
Augusto Souza Santos.
O pai de Karolayne.
O coração dele disparou imediatamente.
As mãos ficaram tensas ao abrir o envelope.
E então encontrou o convite.
> “A família Souza Santos tem o prazer de convidar Demétrio Albuquerque para a comemoração dos 20 anos de Karolayne.”
A respiração dele falhou.
20 anos.
Karolayne faria 20 anos.
Os olhos passaram rapidamente pelo restante do convite até encontrar o endereço e a data.
Era dali três dias.
Demétrio sentiu algo atravessar o peito violentamente.
Porque aquilo significava que ela estava de volta na cidade.
E, pela primeira vez em um mês inteiro…
Ele teria a chance de ver ela novamente.
Sem pensar.
Sem racionalizar.
Sem orgulho.
Pegou o celular imediatamente.
As mãos tremiam levemente enquanto digitava a resposta para Augusto.
> “Estarei lá.”
Nem hesitou.
Nem por um segundo.
Porque a única coisa que importava naquele momento era ver Karolayne.
Saber se ela estava bem.
Mesmo que ela não quisesse olhar na cara dele.
Mesmo que odiasse ele agora.
A porta da sala abriu novamente alguns minutos depois.
Helena entrou segurando uma pilha de documentos, mas parou imediatamente ao perceber a expressão dele.
— O que aconteceu?
Demétrio levantou lentamente o convite.
E Helena entendeu na hora.
— Ela voltou?
A voz saiu cuidadosa.
Quase esperançosa.
Demétrio assentiu uma vez.
Ainda olhando fixamente para o papel em suas mãos.
— É o aniversário dela.
Helena aproximou-se devagar.
Lendo rapidamente o convite.
Depois levantou os olhos para ele.
— Você vai?
Demétrio soltou uma pequena risada sem humor.
— Eu pisaria num campo minado se significasse ver ela de novo.
Aquilo apertou o peito de Helena imediatamente.
Porque era real.
Cru.
Ele estava desesperado.
Demétrio passou a mão pelo rosto lentamente antes de falar:
— Eu preciso saber se ela tá bem.
O silêncio ficou pesado por alguns segundos.
Então Helena perguntou baixo:
— Quer que eu vá com você?
Demétrio levantou os olhos lentamente.
E, pela primeira vez em semanas, parecia um pouco menos sozinho.
— Vai.
Helena assentiu.
Porque sabia.
Sabia que aquela noite podia mudar tudo entre ele e Karolayne.
Para melhor…
Ou acabar de destruir os dois de vez.