Capítulo 23 — Explosão

582 Words
O silêncio na sala ficou perigosamente pesado. Karolayne ainda segurava o celular enquanto tentava recuperar a respiração, mas já era tarde. Demétrio tinha visto a mensagem. E ela percebeu imediatamente pela mudança no olhar dele. Mais escuro. Mais intenso. Mais irritado. > “Cinema hoje à noite? Prometo escolher um filme r**m só pra você reclamar 😶🍿” Karolayne bloqueou a tela rapidamente. Mas Demétrio soltou uma pequena risada sem humor. — Cinema? Ela levantou os olhos devagar. — Demétrio— — Você vai sair com ele? A pergunta saiu direta. Fria. Mas carregada de algo muito mais perigoso. Karolayne desceu da mesa rapidamente, tentando recuperar um pouco do controle da situação. — Você não pode agir assim toda vez que o Ruan aparece. Demétrio aproximou-se imediatamente. — Assim como? — Como se eu fosse sua. Silêncio. Pesado. O maxilar dele travou outra vez. E Karolayne percebeu tarde demais que tinha tocado exatamente no ponto errado. — E você gosta disso, não gosta? — ele perguntou baixo. Ela cruzou os braços, tentando ignorar o quanto o coração estava acelerado. — Gostar do quê? Demétrio aproximou-se mais. Perto demais outra vez. — De me provocar com ele. Karolayne soltou uma risada nervosa. — Você tá surtando. — Não. — A voz dele ficou mais baixa. Mais intensa. — Eu tô cansado de assistir outro homem tocar em você como se eu não— Ele parou. Mas era tarde. Karolayne perdeu o ar imediatamente. Porque ela ouviu. Ouviu o que ele quase disse. Como se eu não tivesse esse direito. Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Demétrio passou a mão pelo rosto, frustrado consigo mesmo. Claramente tentando recuperar o controle. — Isso tá passando dos limites — Karolayne murmurou. Ele voltou a olhar pra ela imediatamente. — Então não vai. O coração dela disparou. — O quê? — Não vai ao cinema com ele. Direto. Possessivo. Sem esconder mais nada. Karolayne arregalou os olhos, incrédula. — Você tá me proibindo agora? — Tô pedindo. — Parece ordem. Demétrio aproximou-se devagar. A tensão crescendo outra vez. — E você faria se eu mandasse? A pergunta veio baixa. Perigosa. Karolayne sentiu a respiração falhar. Porque a pior parte era justamente aquela: Ela não sabia responder. Demétrio percebeu o silêncio dela. E aquilo pareceu enlouquecê-lo ainda mais. — Você faz ideia do que tá fazendo comigo? — ele perguntou rouco. — Porque eu tô tentando agir certo há semanas, Karolayne… e você continua olhando pra mim daquele jeito enquanto sai com ele. — Porque você me afasta e me puxa de volta toda hora! — ela rebateu finalmente. — Você age como se me quisesse perto, mas depois lembra que isso é errado! Silêncio. Pesado. Os olhos dos dois presos um no outro. Demétrio respirava fundo agora. Como se estivesse lutando contra cada pensamento dentro da própria cabeça. Então ele se aproximou lentamente outra vez. Até encurralá-la contra a mesa. — E você acha fácil pra mim? — a voz saiu baixa. — Você acha que eu consigo dormir depois de te beijar? Depois de ver ele tocando você o tempo inteiro? Karolayne prendeu a respiração. Porque, naquele momento… Demétrio parecia perigosamente perto de confessar tudo. — Então para — ela sussurrou. Ele inclinou levemente a cabeça. — Parar o quê? — De sentir isso. Demétrio soltou uma risada baixa. Quase amarga. E então aproximou o rosto do dela até suas testas quase se encostarem. — Se eu soubesse como… já teria parado faz tempo.
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