Karolayne ainda sentia a respiração desregulada.
O coração acelerado.
E a mão de Demétrio firme demais em sua cintura.
Do lado de fora da porta, Ruan chamou novamente:
— Karolayne?
Ela fechou os olhos por um breve segundo, tentando recuperar o mínimo de controle.
Mas era difícil pensar quando Demétrio ainda estava tão perto.
Perto demais.
O perfume dele misturado à sua respiração.
O calor do corpo dele quase colado ao dela.
E o olhar…
Aquele olhar intenso que parecia desmontá-la inteira.
Karolayne engoliu seco antes de finalmente responder:
— Tô aqui.
A voz saiu mais baixa do que ela gostaria.
Mais rouca.
Demétrio percebeu imediatamente.
Claro que percebeu.
Os olhos dele desceram lentamente para os lábios dela ainda avermelhados pelo beijo.
E a forma como o maxilar dele travou fez o coração dela disparar outra vez.
— Um segundo! — ela completou rapidamente.
Silêncio do outro lado.
Demétrio soltou o ar devagar, como se estivesse tentando recuperar o controle à força.
Mas a mão dele demorou para sair de sua cintura.
Muito.
Karolayne levantou o olhar lentamente para ele.
— Você precisa se afastar.
Demétrio inclinou levemente a cabeça.
— Preciso?
A voz baixa quase destruiu a pouca concentração dela.
Karolayne passou a mão pelos cabelos nervosamente.
— Demétrio…
Ele observou ela por mais um segundo.
Depois outro.
Como se estivesse tentando decidir entre agir como professor… ou como homem.
No fim, afastou-se devagar.
Mas o olhar permaneceu nela.
Intenso.
Faminto.
Karolayne respirou fundo rapidamente e pegou a bolsa sobre a cadeira, tentando ignorar o quanto suas pernas ainda estavam fracas.
Ela caminhou até a porta primeiro.
E Demétrio ficou parado atrás dela, observando.
Quando Karolayne abriu a porta, encontrou Ruan encostado na parede do corredor segurando dois cafés.
Mas o sorriso dele diminuiu no instante em que olhou para ela direito.
Karolayne percebeu tarde demais.
Muito tarde.
Porque Ruan aproximou-se devagar.
Os olhos presos diretamente em sua boca.
— Karol…
Ela sentiu o estômago gelar.
— O quê?
Ruan ergueu a mão lentamente.
E antes que ela pudesse entender—
Os dedos dele tocaram delicadamente o canto de seus lábios.
Demétrio ficou imóvel atrás dela no mesmo instante.
O ar pareceu mudar.
Pesar.
Ruan limpou devagar a mancha borrada de batom do canto da boca dela enquanto mantinha os olhos presos nos dela.
Calmo.
Mas atento demais.
— Seu batom tava borrado — ele disse baixo.
Silêncio.
Karolayne perdeu o ar instantaneamente.
Porque ela sabia.
Sabia exatamente o motivo do batom estar daquele jeito.
E Demétrio também.
Ela sentiu o olhar dele queimando atrás dela.
Pesado.
Escuro.
Quase sufocante.
Ruan observou discretamente por cima do ombro dela.
Diretamente para Demétrio.
E então um pequeno sorriso apareceu no canto da boca dele.
Sutil.
Provocador.
Como se tivesse entendido muito mais do que estava dizendo.
Karolayne percebeu imediatamente a tensão crescer entre os dois.
Perigosa.
Silenciosa.
Demétrio aproximou-se lentamente atrás dela.
Calmo demais.
Mas ela conhecia aquele tom de calma.
Era o mais perigoso.
— Senhor Ruan — ele disse com a voz controlada. — Acredito que a senhorita Karolayne consegue se arrumar sozinha.
Ruan virou o rosto devagar para ele.
Ainda tranquilo.
— Só tava ajudando.
Demétrio sustentou o olhar dele sem desviar.
E Karolayne sentiu o coração acelerar violentamente.
Porque aquilo já não parecia mais apenas ciúmes.
Parecia disputa.
Possessividade.
Território.
E o pior?
Ela estava exatamente no meio dos dois.
Ruan voltou a olhar para ela.
O sorriso reaparecendo levemente.
— Então… almoço?
Karolayne hesitou.
Instintivamente.
E isso foi suficiente para Demétrio perceber.
Ela sentiu.
Sentiu o olhar dele nela outra vez.
Intenso demais.
Como se estivesse esperando sua resposta mais do que deveria.
Como se aquilo realmente importasse pra ele.
E talvez importasse mesmo.
Karolayne respirou fundo.
Tentando ignorar o caos dentro do próprio peito.
— Eu vou — respondeu por fim.
O silêncio atrás dela ficou ainda mais pesado.
Mas Demétrio não disse nada.
Nem uma palavra.
Só observou ela sair ao lado de Ruan pelo corredor.
E, pela primeira vez…
Karolayne sentiu medo do silêncio dele.