Capítulo 2

886 Words
No dia seguinte, Louise acordou cedo, determinada a encontrar uma forma de sustentar sua família com algo mais estável que a venda de flores. Após a noite anterior, com seus irmãos ainda desacordados pelo excesso de bebida, ela sentia ainda mais urgência em encontrar um emprego. Sabia que sua determinação era a única coisa que os mantinha unidos e, ao sair de casa, levou consigo uma fé renovada de que algo melhor viria. Ao atravessar as ruas de Yorkshire, seu olhar se fixava nos pequenos comércios que já abriam suas portas. Tentou primeiro na mercearia, onde o velho senhor Grimsby, com seu avental manchado e sorriso cansado, era conhecido por precisar de ajuda com os estoques. — Senhor Grimsby, bom dia — ela saudou, esforçando-se para parecer confiante. — Vim perguntar se o senhor precisa de uma ajudante na loja. Eu posso organizar as prateleiras, cuidar do caixa e... — Ah, Louise, eu adoraria ajudar, mas não posso pagar uma ajudante agora — interrompeu ele, com um sorriso de simpatia. — Com o inverno próximo, as coisas estão apertadas. Quem sabe na primavera? Louise assentiu, agradecendo a atenção, embora sentisse o peso da decepção crescer. A mesma resposta se repetiu no alfaiate, na padaria e até mesmo no estábulo. Todos ofereciam desculpas e promessas vazias de um futuro talvez mais generoso. Finalmente, depois de horas batendo de porta em porta, Louise sentou-se em um banco da praça, cansada e desanimada. Seus dedos ainda seguravam o cesto vazio, agora mais um lembrete do vazio que também habitava seu coração. Era como se a aldeia inteira houvesse se fechado para ela, e suas tentativas de erguer sua família pareciam cada vez mais em vão. Enquanto estava absorta em seus pensamentos, uma sombra se projetou sobre ela. Louise ergueu o olhar e encontrou, para sua surpresa, o mesmo par de olhos azuis intensos que a intrigara na tarde anterior. O Duque de Ridley estava diante dela, com um leve sorriso no canto dos lábios, como se a presença dela naquele lugar fosse algo que ele já esperava. — Senhorita Khadowsky — ele saudou, com um tom de voz que era uma mistura de ironia e curiosidade. — Vejo que sua manhã foi produtiva. Louise corou, percebendo o tom de sarcasmo, mas não permitiu que isso a abalasse. Levantou-se, mantendo o queixo erguido, e respondeu com firmeza. — Não vejo por que minha busca por trabalho deveria interessar ao senhor, milorde. O Duque soltou uma risada curta, claramente divertindo-se com a resposta dela. — Apenas observo, senhorita. Me parece que uma jovem de sua... posição poderia encontrar algo melhor para ocupar seu tempo. — Eu não sou de ocupar meu tempo em frivolidades, como algumas outras damas — respondeu ela, lançando-lhe um olhar desafiador. — Alguns de nós precisam trabalhar para sobreviver, milorde. Ele estreitou os olhos, como se a coragem dela fosse algo que ele apreciasse e testasse ao mesmo tempo. — Trabalho, é? — O Duque inclinou a cabeça ligeiramente. — E o que exatamente a senhorita busca? — Um emprego decente — respondeu ela sem hesitar. — Algo que me permita cuidar dos meus irmãos sem depender da caridade alheia. O Duque arqueou uma sobrancelha, ainda parecendo intrigado. — E o que faria se eu lhe oferecesse uma posição em minha propriedade? Não como dama, é claro, mas talvez como assistente de minha governanta? Louise o encarou, chocada com a oferta inesperada. Trabalhar para o Duque de Ridley significaria lidar com as constantes intrigas e olhares da sociedade, algo que ela sempre evitara. Mas a oportunidade de um salário estável era tentadora. — Eu... eu aceitaria, milorde — disse ela, hesitante, mas decidida. — Não me importo em trabalhar duro. Ridley sorriu, um sorriso que sugeria que ele sabia exatamente a batalha interna pela qual ela passava. — Excelente. Apareça amanhã à tarde em minha propriedade. Farei com que a governanta a receba e lhe explique suas tarefas. Louise assentiu, sentindo uma estranha mistura de alívio e apreensão. Trabalhar para o Duque seria, sem dúvida, um desafio — não apenas pela própria natureza dele, mas também por tudo o que ele representava. Enquanto ele se preparava para partir, Louise sentiu que ainda havia algo a ser dito, algo que a incomodava. — Milorde — chamou, a voz mais baixa, quase temerosa. Ele parou e voltou-se para ela, curioso. — Espero que esta não seja apenas uma forma de diversão para o senhor. Eu não sou uma peça em um jogo, e se é isso que espera, prefiro recusar a oferta agora. Ridley sorriu, um sorriso que era quase gentil, como se as palavras dela tivessem tocado algo genuíno nele. — Senhorita Khadowsky, lhe garanto que, se estivesse buscando diversão, eu a encontraria em lugares muito mais... apropriados. Louise não pôde evitar corar, mas manteve-se firme, apenas assentindo. Quando ele se afastou, montando seu cavalo, ela ficou observando até que ele desaparecesse na curva da estrada. Com o coração acelerado e a mente cheia de pensamentos conflitantes, Louise sabia que, a partir do dia seguinte, sua vida tomaria um rumo inesperado. Trabalhar para o Duque poderia ser uma oportunidade ou uma armadilha, mas ela estava disposta a enfrentar o que viesse, mesmo que isso significasse entrar em um mundo de luxos e segredos que jamais imaginou fazer parte.
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