cap 03 realizei meu sonho

1038 Words
5 anos depois... (Dias atuais) Mirella... Finalmente estou voltando pra minha casa, depois de tanto tempo longe da minha mãe e das minhas amigas. A saudade foi enorme. Eu sempre ligava pra Eduarda, Débora e Emilly, mas querendo ou não a distância nos afastou, e acabamos parando de conversar. Às vezes eu ou elas até puxávamos assunto, mas era coisa rápida, nem rendia tanto. Já a minha mãe eu ligava todos os dias, e ela sempre me contava tudo o que acontecia por lá. Dacruz e eu nunca mais conversamos. Pelo contrário, o i****a me bloqueou de tudo. Nunca mais tive notícias dele. Segundo a minha mãe, a avó dele morreu pouco tempo depois que eu fui embora, e ele simplesmente sumiu por aí. Fiquei muito triste, eu adorava a dona Elisa, ela era como uma segunda mãe pra mim. Até tentei procurar as redes sociais do Dacruz, mas não achei nada. É aquele ditado né: se ele não faz questão, eu faço menos ainda. Nesses anos que fiquei longe, aprendi muita coisa, até mais do que eu poderia imaginar. Hoje sou formada em medicina, falo inglês e espanhol fluentemente e ainda tenho um bom dinheiro guardado. Quase uma burguesa, né? Lá nos Estados Unidos foi tudo muito diferente pra mim. Acho que demorei uns dois anos pra me acostumar de verdade. Fiz vários amigos, alguns até brasileiros, já que o meu curso atendia bastante gente que ganhou bolsa de outros países. Cheguei até a namorar dois gringos, acredita? Mas não deu certo... aquele povo é muito mesquinho, e isso é uma coisa que me dá raiva. Saí do aeroporto, chamei um táxi e dei o endereço da casa da minha mãe. Paguei o moço, ele me ajudou com as malas e me deixou na porta. Toquei a campainha, e minha mãe atendeu com a maior cara de sono, já que ainda era bem cedo. Fernanda: — Vontade de te dar um soco, garota. — disse cruzando os braços. Mirella: — Ué — dei risada. — Fiz alguma coisa, dona Fernanda? Fernanda: — Sim! Como você chega assim sem avisar nada, minha filha? Olha só minha cara, nem café da manhã eu fiz pra te receber... Mirella: — Ih mãe, relaxa. — dei um abraço nela. — Ai, que saudade eu tava da senhora, vontade de te esmagar de tanta falta que senti... Fernanda: — Eu também senti muita tua falta, filha. — falou chorando. — Olha só como você já virou uma mulher... tá linda demais. Mirella: — É a genética, sabe? — brinquei rindo e beijei sua bochecha. — Aí, na moral mesmo? Que falta que me fez falar português! Coisinha chata ficar falando inglês, embola a língua toda. Tu pensa em português e fala inglês, dá mó confusão. Fernanda: — Tu não muda não, né menina? — gargalhou. — Mas anda, vai pro teu quarto, toma um banho e dorme, que tu deve tá cansada. Depois a gente toma café. Mirella: — Aff, te amo demais, coroa. — dei um beijo nela. Fernanda: — Coroa é tua mãe, filha da p**a! Mirella: — Então? — falei rindo, morrendo de saudade até das nossas briguinhas. Mas já saí correndo quando vi ela pegando o chinelo. Entrei no meu quarto sentindo uma nostalgia enorme de todos os momentos que vivi ali. Tantos bons, e alguns ruins também... mas o importante é que tudo isso me fez ser quem eu sou hoje. Cada pedacinho da minha história foi essencial. Sou grata até pelos dias virada estudando, pelos dias que chorei e pelos que ri junto de pessoas importantes da minha vida. Saí do banho secando o cabelo com a toalha e já senti o cheiro do café. Tava na maior larica, fui correndo pra cozinha e tentei roubar um pedaço de bolo, mas minha mãe me deu um tapa na cabeça. Mirella: — Pô, mãe! Acabei de chegar de viagem, deixa eu pegar esse pedaço... Fernanda: — Pode esperar, eu hein. Senta lá na sala que tem uma coisa chegando pra tu. Mirella: — Que coisa? — perguntei séria. Fernanda: — Vou te contar não. Sentei no sofá e fiquei assistindo televisão, até que a porta se abriu com força. Eduarda: — Nossa, chama o fazendeiro que tem um gado aqui! — sorriu de lado e me abraçou forte. — Nem pra avisar que ia chegar hoje, né filha da p**a? Mirella: — Queria fazer surpresa, neném. Mulher, mas tu tá gostosa, hein. — falei rindo, analisando ela, que tinha mudado bastante. Eduarda: — Tu também tá muito gata, credo! Se eu não fosse apaixonada por homem até pedia pra ficar contigo. — riu alto. Mirella: — i****a. — gargalhei e abracei ela. Eduarda: — Mas vamos ao que interessa. — me olhou desconfiada. — Pegou muito gringo? Mirella: — Aí amiga, cheguei até a namorar dois, mas não deu certo. Aquele povo é cheio de frescura, e eu não tenho paciência pra isso não. Enfim... cadê a Débora? Eduarda: — Tu acredita que ela e a Emilly me abandonaram? Foram morar no Vidigal! Até me chamaram, mas eu morro de medo de favela. O dia que eu fui lá começou uma invasão que demorou cinco horas. Quase infartei naquele c*****o. Mirella: — Mentira?! — gargalhei alto. Eduarda: — Tô falando sério, isso foi mês passado. Até hoje não voltei lá de medo. Mirella: — Pois já se prepare, nós vamos fazer uma visitinha pra elas. Eduarda: — Ah não, Mirella! Pede pra elas virem pra cá. Eu morro de medo daquele lugar e ainda tem que andar pra c*****o. Mirella: — Você que lute, bebê. — toquei o nariz dela de leve. — Quero fazer surpresa, e já que você sabe onde elas moram, tu que vai me levar. — ela fez beicinho. — Nem vem, já falei que vamos e pronto. Eduarda: — Aff, te odeio, na moral. Rimos e minha mãe chamou a gente pra tomar café. Durante o café, ficamos conversando até que minha mãe disse que precisava sair. Eu e Eduarda ficamos na sala, fazendo as unhas. Mirella: — Amiga... — ela me olhou. — Você sabe do Dacruz? Na hora, o rosto dela fechou numa carranca. Eduarda: — Melhor tu nem saber...
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD