Capítulo 11 Isadora narrando: (continuação) Disfarcei, pegando o copo de Coca e bebendo devagar, como se aquilo fosse apagar o calor que subia pelo meu pescoço. Me forcei a olhar pro outro lado, fingi prestar atenção no palco improvisado, nas luzes coloridas piscando, nas vozes misturadas do pagode. Mas era impossível não perceber a movimentação. Guto sentou do outro lado da praça, em uma mesa um pouco mais afastada, com um cara que eu já tinha visto algumas vezes, se não me engano, era o tal do Léo, e mais uns vapores em volta. Parecia tudo normal, mas não era. Não quando os olhos dele vinham direto pros meus de novo. Tentei fingir que não vi. Que não tava sentindo. Mas tava. Aquele olhar dele era diferente de qualquer outro que eu já recebi. E isso me deixava completamente sem

