Capítulo 9 Guto narrando: (continuação) Fiquei ali mais um tempo, tomando o café que minha mãe passou com aquele jeitinho de quem acha que café cura qualquer coisa. E às vezes, até cura mesmo. Mas a cabeça não sossegava. Isadora. A filha da professora. Sobreviveu ao acidente, ficou de cadeira de rodas, agora anda de muleta. Se esconde atrás do balcão como se fosse um escudo. Minha coroa falou com um pesar no olhar. Como se enxergasse a dor da menina de longe. E eu entendo. Não é qualquer um que segura esse tipo de sofrimento e continua de pé. Aliás… quase ninguém segura. Terminei o café, levantei da mesa e beijei a testa dela de novo. — Fica com Deus, minha véia. Qualquer coisa me liga que eu como aqui rapidinho. — Gustavo… — ela segurou meu braço antes de eu sair. — Só cuidado

